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Campo Grande, Sábado, 22 de Setembro de 2018

23/08/2018 08:43

"Tá dodói", resume Miguel, o menino que perdeu parte do dedo em Ceinf

O garoto, de 2 anos, recebeu alta nesta terça-feira, e família diz que ele não vai mais para a creche

Liniker Ribeiro
Miguel com a mão enfaixada e sentado no colo da mãe, Victória (Foto: Paulo Francis)Miguel com a mão enfaixada e sentado no colo da mãe, Victória (Foto: Paulo Francis)

"Tá dodói", responde o pequeno Antônio Miguel Bronel Krause, de 2 anos, logo que alguém pergunta o por quê de sua mão direita estar enfaixada. Em casa, desde à tarde de ontem (22), quem vê o menino de energia vibrante e "serelepe" correndo pelo quintal de onde mora com os pais, no bairro Nova Lima, não imagina que ele seja a criança que perdeu parte de um dos dedos da mão direita, na última terça-feira, após ficar prensado em uma das portas da creche que ele frequentava, no Jardim Novos Estados.

"Apesar de tudo o que aconteceu, estamos felizes por já estarmos em casa, principalmente por ele estar bem e até correndo", relata mais aliviado Antônio Pedro Bronel Júnior, 23 anos, pai de Miguel. Mesmo assim, o auxiliar de logística não esconde que foram difíceis as horas em que o filho esteve internado na Santa Casa de Campo Grande, onde precisou passar por cirurgia. "Eu só consegui vir em casa depois das 3h, eu não podia sair de lá enquanto não tivesse certeza que estava tudo bem", relatou.

Victória Krause, 21 anos, mãe do pequeno, relata que ainda não conseguiu parar para pensar no que de fato aconteceu. "A ficha ainda não caiu. Vejo ele com essa faixa, fico sem saber direito como vai ficar, então não tem como não se preocupar", revelou.

Pequeno Miguel mostrando a mão enfaixada (Foto: Paulo Francis) Pequeno Miguel mostrando a mão enfaixada (Foto: Paulo Francis)
Pote com pedaço do dedo arrancado da mão da criança (Foto: Paulo Francis) Pote com pedaço do dedo arrancado da mão da criança (Foto: Paulo Francis)

O momento também tem sido de dúvidas entre os familiares, que não conseguem entender a situação. "A gente sabe que as coisas podem acontecer com uma criança que está na creche, como aparecer com mordida ou arranhado, coisas que outras crianças podem provocar. Mas sem um pedaço do dedo?", questiona o pai.

É justamente para que as perguntas sejam esclarecidas que a família optou em buscar medidas judiciais que auxiliem no caso. Na tarde de ontem, um boletim de ocorrência foi registrado na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) do Centro da Capital e, de acordo com Antônio, o caso será cuidado de perto por um advogado. "Até mesmo o delegado me orientou e vamos sim tomar medidas administrativas".

Para Antônio e Victória, houve negligência por parte da direção da creche na forma como o caso foi tratado. "Eles até ligaram durante o dia, mas percebemos que era com intuito apenas de registrar em ata, no caderno da escola. Porque nem para a Semed eles contaram tudo o que tinha acontecido porque ligaram para nós no dia seguinte, depois que entramos em contato com vocês [reportagem do Campo Grande News] perguntando o que tinha acontecido, dizendo que ficaram sabendo da gravidade pela mídia", afirmou o pai de Miguel.

Sem volta - Até o momento, a única certeza dos pais de Miguel é que o menino não voltará a frequentar o Ceinf onde tudo aconteceu. "Você confia no cuidado que eles precisam ter e esse tipo de coisa é inaceitável. Não volta mais para lá, vamos tentar procurar outro lugar, mas lá ele não fica. Acabou a confiança", declarou o Antônio.

A Secretaria Municipal de Educação, por meio de nota, informou que estava acompanhando a situação do garoto. A Secretaria afirma que a Superintendência de Gestão e Normas, da Secretaria de Educação entrou em contato com os pais para atendimento e acompanhamento do caso. Conforme a Semed, a gestora da unidade também ligou para os pais, e fez uma ata para registrar o fato. A Secretaria não comentou sobre a reclamação de quadro insuficiente de profissionais.

Josicley, tia de Miguel, durante entrevista (Foto: Paulo Francis)Josicley, tia de Miguel, durante entrevista (Foto: Paulo Francis)

A decisão recebe apoio de outros membros da família. "Guardamos a parte do dedo que é para servir como prova. Nosso intuito é cobrar a situação do Ceinf, saber como tudo acontece por lá, se faltam profissionais, como é a direção. Afinal, poderia ter acontecido uma coisa ainda mais grave e isso servirá de prevenção para outros pais, impedir que aconteça com outras famílias", opina Josicley Oliveira Lima, 34 anos, tia de Miguel.

Até que os pais consigam uma vaga em outro Ceinf, a criança deve ficar sob os cuidados de pessoas de confiança da família.

Família crescendo - Feliz, em breve o pequeno Miguel terá ainda mais motivos para sorrir. Victória, sua mãe, está grávida de 5 meses e espera uma irmã para brincar com o filho, que ama cantar e correr.

Com uma filha a caminho, Victória afirma que a preocupação será ainda maior, mas que tem certeza de que tudo dará certo. "Nunca mais teremos tranquilidade de mandar um filho para a creche, mas temos que seguir", completa. Por enquanto, o pequeno Miguel terá que se dividir entre as brincadeiras e os cuidados com o curativo, que deve ser trocado a cada dois dias. Ele também continuará fazendo uso de medicação, até o retorno no médico, marcado para o dia 30.

O caso - A mãe da criança levou um susto na terça-feira (21) de manhã, ao receber uma ligação no trabalho. Segundo ela, a diretora contou que a criança estava brincando no corredor quando os coleguinhas fecharam a porta. Situação que já havia acontecido em abril deste ano, quando a criança perdeu a unha de um dos dedos.

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É triste o que aconteceu. Você envia seu filho pra creche para receber cuidados e volta faltando um pedaço. Graças a Deus não foi pior, como o caso da menina Jasmine, que teve o olho perfurado por um vergalhão que saía da parede da escola municipal Bernardo Franco Baís. Jasmine perdeu a vista, teve que passar por vários procedimentos, ficou traumatizada, a mãe precisou parar de trabalhar pra se dedicar aos cuidados dela, e a prefeitura até hoje não deu nenhum tipo de assistência, a não ser as consultas pelo posto do SUS, a que todo cidadão tem direito. Todos os gastos que a família teve com a Jasmine saíram do próprio bolso, conseguido através de almoços beneficentes e doações de amigos e familiares, e infelizmente, no caso desse garotinho, a história vai se repetir. Ninguém vai fazer nada
 
Mariana Carvalho em 23/08/2018 10:04:20
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