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Direto das Ruas

Com covid, mulher reclama de falta de vaga no hospital da Cassems em Três Lagoas

Pagando plano há 20 anos, servidora pública reclama da dificuldade de conseguir atendimento na rede privada através do convênio

Por Alana Portela | 02/03/2021 12:18
Suely Ruth Machado Previsan ao lado do marido Wilson Adriano Previsan. (Foto: Arquivo pessoal)
Suely Ruth Machado Previsan ao lado do marido Wilson Adriano Previsan. (Foto: Arquivo pessoal)

Diagnosticada com covid-19, Suely Ruth Machado Previsan, 52 anos, denuncia falta de vaga para pacientes no hospital da Cassems em Três Lagoas, a 338 quilômetros de Campo Grande. Além dela, o esposo Wilson Adriano Previsan também está com o vírus e quando precisou de leito na unidade particular, não conseguiu.

“Há 20 anos a gente paga todo mês e quando precisa, não tem vaga. Estou muito triste, me sentindo impotente com esse descaso”, desabafa Ruth.

Moradora em Selvíria, 404 quilômetros de Campo Grande, a paciente relata que há uma semana a família foi diagnosticada com o coronavírus. “Já tem sete dias que estou com o sintomas. Primeiro começou com minha sogra, que mora comigo. Ela passou mal, ficava tossindo e levamos para o teste e deu positivo”, conta.

Após isso, a sogra de Ruth, que não tem plano de saúde, foi encaminhada para tratamento em hospital público de Três Lagoas. “Em seguida começaram os sintomas na gente, dor de cabeça, febre, tosse e também os testes deram positivos. Nos isolamos em casa, onde uma enfermeira sempre vem nos monitorar”.

Resultado do exame de Ruth que atestou positivo para covid-19. (Foto: Arquivo pessoal)
Resultado do exame de Ruth que atestou positivo para covid-19. (Foto: Arquivo pessoal)

Nesta segunda-feira, segundo Ruth,  esposo teve piora no quadro e precisou ser internado. “Através do oxímetro viram que ele estava com nível de oxigênio abaixo do normal e levaram para o pronto atendimento do hospital da nossa cidade. Lá, fez um exame que mostrou que o pulmão estava comprometido", diz a esposa.

Devido à falta de estrutura da unidade, Wilson Adriando teria que ser transferido para tratamento em outro hospital.

Nesse momento, Ruth disse aos profissionais do local que o esposo possui o convênio da Cassems e que queria que o marido fosse transferido para o hospital do plano em Três Lagoas. “É mais perto da nossa casa, fica apenas 70 quilômetros de distância. Entrei em contato e falaram que não tinha vaga, que precisava formalizar a solicitação por e-mail”.

O pedido foi enviado, mas a resposta permaneceu. Por conta da gravidade da situação, Wilson Adriano foi encaminhado para o Hospital Auxiliadora de Três Lagoas, onde permanece internado, usufruindo do plano de saúde.

Na manhã de hoje (2), a reportagem entrou em contato com o Hospital Auxiliadora para saber como estava o quadro de saúde e foi informada que o mesmo está com desconforto respiratório, mas já foi medicado e está internado na enfermaria do local.

“O hospital Auxiliadora tem referência muito boa, mas me sinto lesada de não ter o que eu paguei. [O convênio] vem sendo descontado do meu salário, é um direito meu”, destaca.  “Meu esposo no Auxiliadora está ocupando a vaga de uma pessoa que não possui um plano de saúde”, completa Ruth.

Enquanto não consegue vaga no hospital da Cassems para transferir o marido, Ruth continua sendo monitorada por uma enfermeira na cidade onde mora. “Vem aferir minha pressão. Mas, não tenho condições nem de me  levantar, estou fraca”, diz.

Diante da angústia por não conseguir vaga para o marido, a quarentena está sendo ainda mais sofrida. “Dor de cabeça, tosse e frio. Estou me esforçando aqui, mas a preocupação continua”, declara.

Em nota a assessoria do hospital da Cassems confirmou a superlotação na unidade de Três Lagoas, alegando que está buscando alternativas para atender os pacientes em casos graves.

"A Caixa de Assistência dos Servidores do Mato Grosso do Sul informa que o Hospital Cassems de Três Lagoas está, no momento, com 100% de ocupação de seus leitos destinados a pacientes Covid e que já estuda alternativas para atender à demanda nos casos necessários. A Cassems ressalta que pacientes que apresentem quadro grave e necessitem de suporte avançado poderão ser transferidos para outras unidades da rede hospitalar Cassems, bem como da rede credenciada do plano de saúde, mediante processo de regulação de vagas", informou.

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