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Direto das Ruas

Falta de fiscalização em ônibus gera aglomeração e leitores denunciam lotação

Vídeos enviados pelos usuários de transporte coletivo mostram ônibus lotados e vários passageiros em pé

Por Alana Portela | 26/02/2021 11:53


Falta de fiscalização em terminais gera aglomeração em ônibus e leitores denunciam super lotação dos transportes coletivos de Campo Grande. Através do Direto das Ruas, várias pessoas enviaram vídeos comprovando que as linhas estão excedendo a capacidade de passageiros.

A auxiliar de serviços gerais, Enedir da Silva Alves, 50 anos, é uma das pessoas que enviou o vídeo denunciando a super lotação na linha 087. “Há dois dias, peguei esse ônibus porque precisava ir até o Cem [Centro Especializado Municipal] e estava muito cheio, com várias pessoas em pé”, conta.

Nas imagens é possível a lotação na linha e várias pessoas em pé, sem manter o distanciamento seguro para evitar propagação de covid-19.

Ela mora no bairro Jardim das Meninas, afirma estar evitando sair de casa por medo de pegar covid-19, mas nesse dia precisou ir até o local por questões de saúde. Na volta, presenciou a mesma cena e sem alternativa, teve de entrar no transporte coletivo para conseguir retornar pra casa.

“Já tinha várias pessoas em pé e quando chegamos no terminal da Praça Ary Coelho, que também estava lotado, entrou mais gente.  Seguimos para o terminal Morenão, onde mais pessoas entravam e poucas desciam. O pessoal da saúde fala para evitar aglomeração e manter o distanciamento, mas como se faz isso num ônibus lotado?”, questiona.

Indignada com a situação, ela cobra uma atitude do Consórcio Guaicurus. “É preciso que tenha uma fiscalização para monitorar a quantidade de passageiros. Além disso, naquele momento, dentro do terminal não tinha nem água para lavar as mãos”.

Por conta da super lotação, passageiros têm que ficar em pé dentro do ônibus.  (Foto: Reprodução/Vídeo)
Por conta da super lotação, passageiros têm que ficar em pé dentro do ônibus.  (Foto: Reprodução/Vídeo)

Enedir fica ainda mais revoltada quando se lembra do valor da passagem de ônibus, que atualmente está acima de R$ 4,00. “É cara. De onde moro, preciso pegar um ônibus onde já pago passagem ao subir e chegando no terminal, ainda tenho que entrar pela porta da frente e passar o cartão novamente, perdendo minha chance de fazer integração em outro momento. Tudo isso é para ganharem dinheiro nessa pandemia”, desabafa.

A auxiliar de escritório, Andressa da Silva, 21 anos, relata que nem mesmo acordando às 5h da manhã consegue escapar da super lotação.

“A gente acorda cedo para chegar no trabalho depois de uma hora e meia e ainda passar por essa situação. Os ônibus estão lotados, com passageiros quase em cima dos motoristas. De manhã, a fila para entrar no 070 chega dobrar no terminal”.

A situação a deixa transtornada, principalmente por saber que o transporte coletivo é a única opção para muita gente. “As pessoas não podem ficar esperando um tempão e deixar de entrar naquele ônibus que já está lotado para ser obrigada a esperar por mais 40 minutos outro veículo, também cheio, passar no ponto”.

“Os ônibus estão mais lotados do que antes da pandemia. São várias pessoas, então a quantidade de frota também tem que aumentar”, destaca Andressa.

Ela ainda recorda que no início da pandemia em Campo Grande, um funcionário da linha de transporte ficava monitorando a quantidade de passageiros. “Um fiscal cuidava disso, ia apenas sete pessoas em pé, mas depois aumentaram a capacidade. Agora, tanto o fiscal quanto o motorista não estão mais se atentando a isso. Não fiscalizaram mais”, afirma.

Além de Enedir e Andressa, outros leitores também enviaram mensagem reclamando da lotação dos ônibus. Apesar das denúncias de aglomeração, o Consórcio Guaicurus alega que os fiscais que monitoram a quantidade de passageiros, continuam trabalhando normalmente tanto nos ônibus quanto nos terminais.

Capacidade - A assessoria da empresa informou que os ônibus podem circular com 70% da lotação prevista pelo fabricante. Questionados sobre aumentar a frota dos coletivos para evitar aglomeração e a espera dos passageiros, a equipe informou que não existe essa possibilidade, pois hoje, com 74% da frota, o Consórcio transporta 53% do volume de passageiros transportados antes da pandemia.

Em defesa, a assessoria do Consórcio informou que fora do horário de pico dezenas de ônibus circulam praticamente vazios e mesmo assim a frota é mantida. Como alternativa ainda sugerem que as pessoas, na medida do possível, alterem os horários em que viajam.

 Direto das Ruas – A sugestão chegou ao Campo Grande News por meio do canal Direto das Ruas, meio de interação do leitor com a redação. Quem tiver flagrantes, sugestões, notícias, áudios, fotos e vídeos pode colaborar no WhatsApp pelo número (67) 99669-9563.

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