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Economia

Ao trocar carro por moto, consumidor economiza mais de R$ 500 por mês

Em todo Brasil, venda de motocicletas aumentou 6% no primeiro semestre do ano

Por Gabrielle Tavares | 05/07/2022 15:49
Motocicletas consomem menos gasolina do que carros. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)
Motocicletas consomem menos gasolina do que carros. (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

A necessidade de se reinventar em tempos de crise sempre desperta a criatividade dos brasileiros e nos primeiros meses deste ano, marcados por consecutivas altas no preço da gasolina, não foi diferente. Por ser um veículo muito mais econômico que um carro, as motocicletas viraram investimentos.

A motorista Léia dos Santos, de 44 anos, decidiu estacionar o carro na garagem e consertar a moto Honda Biz que estava parada há quatro anos. O resultado foi uma economia de mais de R$ 500 por mês.

“Eu já tinha a moto, mas estava usando só o carro há quatro anos. Como a gasolina subiu muito, compensa mais mandar arrumar a moto, do que ficar gastando com a gasolina do carro”, apontou.

“Estava gastando com o carro R$ 600 por mês de gasolina, agora com a Biz, gasto R$ 85”, completou. Atualmente a moto virou parte da rotina de Léia, e o carro só é usado pela família em momentos de necessidades.

“A gente faz tudo que tem que fazer de moto, leva a criança na escola, pega na escola, leva no curso. Só quando não dá mesmo que usamos o carro, para fazer compras, por exemplo”, explicou.

Foi pensando nessa economia que o empresário Marco Aurélio Souza Marques, de 32 anos, resolveu investir em um novo negócio. Ele estava poupando dinheiro para trocar de carro, mas diante da alta do combustível, decidiu ficar com o antigo e comprou três motos para fazer locação.

“Ia trocar de carro, pois fazia três anos que estava juntando dinheiro para comprar um melhor. Aí ao invés de trocar o carro,  fiquei com o mesmo e investi o dinheiro. Já tinha visto muitas pessoas locando carros, mas o custo para comprar um carro para alugar era muito alto. Comecei a pesquisar e vi muitas empresas grandes em São Paulo que fazem isso (locar moto) há anos. Me deu confiança e decidi tentar aqui. Só não tenho dinheiro ainda para comprar um monte”, relatou.

Ele cobra R$ 400 como garantia e R$ 250 por semana para quem deseja alugar uma moto, seja para uso pessoal, ou para trabalhar realizando entregas. “Se pegasse a moto hoje, por exemplo, só pagaria o calção e na próxima semana é que começaria a pagar os R$ 250”, explicou.

Uma das motos que Marco Aurélio comprou para locar. (Foto: Arquivo Pessoal)
Uma das motos que Marco Aurélio comprou para locar. (Foto: Arquivo Pessoal)

As motos têm seguro e rastreamento, além de toda a documentação e manutenção ser paga pelo Marco Aurélio.

“Estou muito feliz com o resultado. Para ter uma noção, a primeira moto eu anunciei um dia de madrugada, e de manhã já estava locada. Menos de 12 horas. Um negócio muito doido”, contou.

Vendas - Estudo divulgado nesta terça-feira (5) pelo Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores), mostrou que a venda de motocicletas superou as expectativas do órgão e registrou aumento de 6,2% nos emplacamentos no início deste ano, em todo Brasil.

A instituição aponta ainda que devido ao preço dos combustíveis e com o aumento dos serviços de entrega, as motos devem ter as vendas ampliadas para 16,7% neste ano, devendo superar 1,3 milhão de unidades no país.

Já as vendas de veículos novos caíram 14,53% no primeiro semestre de 2022 em todo Brasil.

Na Capital, o funcionário de uma garagem de automóveis, Rafael Silveira Britto, 28 anos, avaliou que a diminuição das vendas ocorreu justamente nos veículos que consomem mais gasolina, como as camionetes, desde março deste ano.

“Não sei dizer em porcentagem, mas diminuiu sim. Os modelos que mais estão parados são as camionetes, como a S10 e Hilux Flex. Quando as pessoas chegam para comprar já perguntam quanto o veículo gasta de gasolina. A maioria vem com um carro que consome bastante gasolina querendo trocar”, explicou.

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