Campo-grandenses trocam marcas e reduzem compras para economizar no supermercado
Produtos que antes eram colocados no carrinho sem pensar agora exigem comparações e substituições
O caminho pelos corredores do supermercado já não é o mesmo para muitos consumidores. Produtos que antes eram colocados no carrinho sem pensar agora exigem pesquisa de preços, comparação de embalagens e, em alguns casos, substituições. A carne, as frutas e os produtos de limpeza estão entre os itens que pesam no orçamento.
RESUMO
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Consumidores de Campo Grande mudaram hábitos de compra por causa da alta de preços. Moradores relatam troca de marcas, redução de quantidades e substituição da carne bovina por porco, fígado, moela, peixe e frango. Itens como pão, frutas, ovos e produtos de limpeza pesam no orçamento. Segundo o Dieese, a cesta básica da capital custou R$ 806,56 em setembro, alta de 0,18% sobre o mês anterior, a 9ª mais cara do país. O tomate subiu 19,40% e a batata, 13,10%.
Na hora das compras, cada família encontra uma maneira de economizar. Há quem reduza a quantidade de alimentos, quem deixe de levar determinados produtos e quem adapte o cardápio para continuar comprando o que considera essencial.
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Moradora da região da Orla Morena, em Campo Grande, Vitória Loureiro, de 50 anos, trabalha como motorista de aplicativo e conta que o aumento dos preços mudou a forma como organiza as compras. O pão e as frutas, que faziam parte da rotina da família, passaram a exigir mais atenção. Até os ovos, uma alternativa para variar as refeições, são comprados em menor quantidade.
“O pão é bem alto o valor, fruta a gente comprava bastante, todo dia, mas o quilo subiu. Ovo às vezes nem pego, quando compro, compro de 12. Eu usava muito Omo antigamente, tudo que tem marca ficou caro. Todos que não em marca a gente usa”, explicou.
A troca de marcas também virou uma estratégia para manter os produtos de limpeza em casa. Em vez de escolher automaticamente o item de preferência, Vitória avalia o preço e, quando necessário, opta por uma alternativa mais barata. A economia, no entanto, nem sempre representa uma vantagem no uso diário.
“Troco o produto, não levo, não compro. Ou, então, troco o produto por um outro mais barato, mas a concentração dele é menor, tem que usar mais”, disse.
Aos 70 anos, a cabeleireira Dalva Grefe também percebe mudanças na maneira de consumir. O aumento dos preços fez com que ela passasse a observar melhor o que realmente precisa levar para casa.
“Muitas coisas no dia a dia não precisa, vai comprando por instinto, não prestava atenção. Hoje em dia a gente presta atenção, porque as coisas estão mais caras e a gente fica mais seletivo também”, pontuou.
Dalva destaca alimentos básicos, presentes na rotina de grande parte das famílias brasileiras. Sobre o que ficou caro, ela afirma: "Carne e produtos essenciais como arroz, feijão".
A escolha dos produtos também nem sempre depende exclusivamente do nome estampado na embalagem. Para Dalva, a aparência do produto ajuda a identificar aquilo que já conhece e considera bom, mesmo quando não se lembra exatamente da marca.
"Eu não presto muita atenção na marca, eu vou mais pela embalagem, pela cor, eu lembro que é bom", comentou.
Os produtos que antes eram adquiridos em maior volume deram lugar a escolhas mais planejadas, para evitar desperdícios e alimentos esquecidos na geladeira. A mudança inclui o consumo de saladas, carnes, peixe e frango, mas sem deixar de considerar o preço de cada item.
"Diminui muitas coisas. Eu comprava muita bolacha e agora estou comprando mais salada, carne, mas também compro menos para não ficar muito velho na geladeira. Estou consumindo mais peixe, frango. Ovo eu compro, mas como muito pouco", destacou.
Para a costureira Marlene Marques, de 60 anos, a carne bovina é um dos produtos que mais chamam a atenção quando o assunto é aumento de preços. Para continuar colocando proteína no prato, ela passou a recorrer a outros cortes de carne.
"O que eu acho que mais subiu foi a carne. Alguns produtos troquei, por exemplo, a carne, eu compro mais carne de porco, fígado, moela. Eu não sou muito de comer ovos, mas eu compro uma cartela de uma dúzia, de vez em quando dá para comer um omelete e substitui a carne, mas a gente dá um jeitinho de comer", disse.
Apesar das substituições, alguns produtos permanecem no carrinho. Café, arroz e feijão estão entre os itens que Marlene considera indispensáveis. Já nos produtos de limpeza, a troca de marcas se tornou uma possibilidade para reduzir as despesas sem abrir mão do básico.
"Café, arroz, feijão continuo comprando. Algumas marcas eu troquei, por exemplo, de produto de limpeza, Qboa”, finalizou.
O Campo Grande News procurou a Amas (Associação Sul-Mato-Grossense de Supermercados) para avaliar o cenário e entender como os estabelecimentos têm se adaptado aos hábitos e ao ritmo de consumo da população.
Cesta básica – Conforme dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, divulgada pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), em setembro, a cesta básica ficou em R$ 806,56, alta de 0,18%, em comparação ao mês anterior. Com isso, Campo Grande apresentou a 9ª cesta mais cara do país.
No acumulado do ano, de dezembro de 2025 a setembro deste ano, a variação foi de 3,95%. Já nos últimos 12 meses, a elevação foi de 3,32%.
O tomate liderou as altas, com avanço de 19,40%, seguido pela batata, com 13,10%. Também subiram arroz agulhinha (4,77%), óleo de soja (1,70%) e pão francês (1,10%).
Do lado das quedas estão o leite integral, com -4,28%, o feijão-carioca (-3,46%), o café em pó (-2,70%), a carne bovina de primeira (-2,47%), a banana (-2,37%), a manteiga (-1,05%), a farinha de trigo (-0,69%) e o açúcar cristal (-0,35%).
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