ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
OUTUBRO, SEXTA  09    CAMPO GRANDE 24º

Economia

Campo Grande segura alta da cesta básica, mas preço ainda pesa no bolso

Capital teve menor avanço mensal e no ano, mas trabalhador gasta 109 horas para comprar os 13 alimentos

Por Guilherme Cavalcante | 09/10/2026 18:30

Cesta sobe só 0,18%, mas ainda custa R$ 806 em Campo Grande

Campo Grande segura alta da cesta básica, mas preço ainda pesa no bolso
Consumidor escolhe tomates em supermercado de Campo Grande (Foto: Arquivo/Campo Grande News)

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A cesta básica de 13 alimentos em Campo Grande custou R$ 806,56 em setembro, alta de 0,18% e a nona mais cara entre as capitais, segundo Conab e Dieese. O valor comprometeu 53,79% do salário mínimo líquido e exigiu 109 horas e 28 minutos de trabalho. Tomate e batata lideraram as altas mensais; leite e feijão tiveram as maiores quedas. Para uma família de quatro pessoas, o salário mínimo necessário foi estimado em R$ 7.750,01.

A cesta básica ficou praticamente estável em Campo Grande entre agosto e setembro, mas ainda exige mais da metade da renda líquida de quem recebe o salário mínimo. O conjunto dos 13 alimentos passou a custar R$ 806,56, após alta de 0,18%, a menor entre as 27 capitais pesquisadas.

Apesar da variação pequena, Campo Grande apresentou a 9ª cesta mais cara do país. No Centro-Oeste, ficou abaixo de Cuiabá, onde os produtos custaram R$ 891,24, e de Goiânia, com R$ 808,01. Brasília registrou o menor valor da região, de R$ 773,78.

Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), publicada nesta sexta-feira (9).

Campo Grande também teve o menor aumento acumulado entre dezembro de 2025 e setembro deste ano: 3,95%. Nos últimos 12 meses, a elevação foi de 3,32%, a segunda menor do país, atrás apenas de Boa Vista, onde o avanço ficou em 2,61%.

Sobe e desce de preços - A pequena variação da cesta no mês resulta de movimentos opostos nas prateleiras. Dos 13 alimentos pesquisados, 5 ficaram mais caros e 8 apresentaram redução. O tomate liderou as altas, com avanço de 19,40%, seguido pela batata, com 13,10%. Também subiram arroz agulhinha (4,77%), óleo de soja (1,70%) e pão francês (1,10%).

Na outra ponta, o leite integral apresentou a maior queda, de 4,28%. Também ficaram mais baratos o feijão-carioca (-3,46%), o café em pó (-2,70%), a carne bovina de primeira (-2,47%), a banana (-2,37%), a manteiga (-1,05%), a farinha de trigo (-0,69%) e o açúcar cristal (-0,35%).

A redução da carne em Campo Grande ocorreu na contramão da maior parte do país. O produto ficou mais caro em 23 das 27 capitais pesquisadas e caiu apenas em Campo Grande, Maceió, Manaus e Natal.

Batata pesa no acumulado - A aparente estabilidade de setembro não significa que os alimentos estejam no mesmo patamar do ano passado. Nos últimos 12 meses, a batata ficou 69,47% mais cara em Campo Grande. O feijão-carioca subiu 27,81%, enquanto o tomate avançou 12,32%.

Também houve alta na carne bovina de primeira (6,13%) e no pão francês (1,27%). A queda de outros produtos compensou parte dessas elevações. O açúcar cristal acumulou redução de 26,04% em 12 meses, e o café em pó recuou 23,74%.

Também ficaram mais baratos a farinha de trigo (-6,49%), o leite integral (-5,83%), o óleo de soja (-5,64%), a banana (-5,17%), a manteiga (-4,36%) e o arroz agulhinha (-0,45%).

Campo Grande foi a única capital pesquisada onde o leite apresentou redução no acumulado de 12 meses. No caso do açúcar, a Capital teve a maior queda entre todas as cidades acompanhadas.

Salário mínimo - Para comprar a cesta básica de R$ 806,56, um trabalhador de Campo Grande remunerado pelo salário mínimo precisou trabalhar 109 horas e 28 minutos em setembro. Em agosto, eram necessárias 109 horas e 16 minutos.

Na comparação com setembro de 2025, houve melhora. No último mês, o trabalhador precisava dedicar 113 horas e 8 minutos à compra dos alimentos. A redução foi de 3 horas e 40 minutos, favorecida pelo reajuste do salário mínimo de R$ 1.518 para R$ 1.621.

Depois do desconto de 7,5% da Previdência Social, a cesta comprometeu 53,79% do salário mínimo líquido em setembro. O percentual era de 53,70% em agosto e de 55,60% em setembro do ano passado.

O Dieese calcula, ainda, quanto deveria ser o salário mínimo para atender às despesas de uma família de 4 pessoas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.

Em setembro, esse valor foi estimado em R$ 7.750,01, equivalente a 4,78 vezes o piso nacional de R$ 1.621. A diferença entre o salário pago e o considerado necessário chegou a R$ 6.129,01. Já em agosto, o mínimo necessário havia sido calculado em R$ 7.565,86. Em setembro de 2025, era de R$ 7.075,83.