Campo Grande segura alta da cesta básica, mas preço ainda pesa no bolso
Capital teve menor avanço mensal e no ano, mas trabalhador gasta 109 horas para comprar os 13 alimentos
Cesta sobe só 0,18%, mas ainda custa R$ 806 em Campo Grande
RESUMO
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A cesta básica ficou praticamente estável em Campo Grande entre agosto e setembro, mas ainda exige mais da metade da renda líquida de quem recebe o salário mínimo. O conjunto dos 13 alimentos passou a custar R$ 806,56, após alta de 0,18%, a menor entre as 27 capitais pesquisadas.
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Apesar da variação pequena, Campo Grande apresentou a 9ª cesta mais cara do país. No Centro-Oeste, ficou abaixo de Cuiabá, onde os produtos custaram R$ 891,24, e de Goiânia, com R$ 808,01. Brasília registrou o menor valor da região, de R$ 773,78.
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada pela Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) e pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), publicada nesta sexta-feira (9).
Campo Grande também teve o menor aumento acumulado entre dezembro de 2025 e setembro deste ano: 3,95%. Nos últimos 12 meses, a elevação foi de 3,32%, a segunda menor do país, atrás apenas de Boa Vista, onde o avanço ficou em 2,61%.
Sobe e desce de preços - A pequena variação da cesta no mês resulta de movimentos opostos nas prateleiras. Dos 13 alimentos pesquisados, 5 ficaram mais caros e 8 apresentaram redução. O tomate liderou as altas, com avanço de 19,40%, seguido pela batata, com 13,10%. Também subiram arroz agulhinha (4,77%), óleo de soja (1,70%) e pão francês (1,10%).
Na outra ponta, o leite integral apresentou a maior queda, de 4,28%. Também ficaram mais baratos o feijão-carioca (-3,46%), o café em pó (-2,70%), a carne bovina de primeira (-2,47%), a banana (-2,37%), a manteiga (-1,05%), a farinha de trigo (-0,69%) e o açúcar cristal (-0,35%).
A redução da carne em Campo Grande ocorreu na contramão da maior parte do país. O produto ficou mais caro em 23 das 27 capitais pesquisadas e caiu apenas em Campo Grande, Maceió, Manaus e Natal.
Batata pesa no acumulado - A aparente estabilidade de setembro não significa que os alimentos estejam no mesmo patamar do ano passado. Nos últimos 12 meses, a batata ficou 69,47% mais cara em Campo Grande. O feijão-carioca subiu 27,81%, enquanto o tomate avançou 12,32%.
Também houve alta na carne bovina de primeira (6,13%) e no pão francês (1,27%). A queda de outros produtos compensou parte dessas elevações. O açúcar cristal acumulou redução de 26,04% em 12 meses, e o café em pó recuou 23,74%.
Também ficaram mais baratos a farinha de trigo (-6,49%), o leite integral (-5,83%), o óleo de soja (-5,64%), a banana (-5,17%), a manteiga (-4,36%) e o arroz agulhinha (-0,45%).
Campo Grande foi a única capital pesquisada onde o leite apresentou redução no acumulado de 12 meses. No caso do açúcar, a Capital teve a maior queda entre todas as cidades acompanhadas.
Salário mínimo - Para comprar a cesta básica de R$ 806,56, um trabalhador de Campo Grande remunerado pelo salário mínimo precisou trabalhar 109 horas e 28 minutos em setembro. Em agosto, eram necessárias 109 horas e 16 minutos.
Na comparação com setembro de 2025, houve melhora. No último mês, o trabalhador precisava dedicar 113 horas e 8 minutos à compra dos alimentos. A redução foi de 3 horas e 40 minutos, favorecida pelo reajuste do salário mínimo de R$ 1.518 para R$ 1.621.
Depois do desconto de 7,5% da Previdência Social, a cesta comprometeu 53,79% do salário mínimo líquido em setembro. O percentual era de 53,70% em agosto e de 55,60% em setembro do ano passado.
O Dieese calcula, ainda, quanto deveria ser o salário mínimo para atender às despesas de uma família de 4 pessoas com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência.
Em setembro, esse valor foi estimado em R$ 7.750,01, equivalente a 4,78 vezes o piso nacional de R$ 1.621. A diferença entre o salário pago e o considerado necessário chegou a R$ 6.129,01. Já em agosto, o mínimo necessário havia sido calculado em R$ 7.565,86. Em setembro de 2025, era de R$ 7.075,83.


