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30/09/2016 08:02

Com maior carga tributária do mundo, remédios consomem renda dos idosos

Renata Volpe Haddad
Impostos aumentam preço dos remédios no país. (Foto: Marcos Ermínio)Impostos aumentam preço dos remédios no país. (Foto: Marcos Ermínio)

O Brasil lidera o ranking com maior carga tributária em medicamentos em relação a outros 37 países e também é o primeiro em ter mais impostos em remédios do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). A tributação é de 33,87% e em Mato Grosso do Sul, o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) sobre medicamentos é de 15%.

A carga tributária é alta porque o país não fabrica remédios e para importar, precisa pagar royalties, o que encarece o medicamento, segundo o presidente do IBPT (Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação), João Eloi Olenike.

"O brasileiro paga um dos medicamentos mais caros do mundo por causa dos impostos que têm em média 34% de tributação, mas, se formos comparar, medicamentos de uso veterinário têm a carga tributária quase zerada porque o governo incentiva o setor, só que remédios para a população é bem mais caro".

Olenike explica ainda que a média calculada para chegar ao índice é feita com base no ICMS de São Paulo, que é de 18%. "Cada Estado define o percentual de imposto, porém, a média da tributação continua igual há três anos. Porém, com o novo governo, pode ser que tenha uma reforma previdenciária e esse índice pode aumentar para que a arrecadação seja maior", informa.

No bolso - E nisso, quem paga a conta é a população e quem precisa sofre mais. É o caso da desempregada Irani Cardoso de 61 anos. Ela conta que tentou se aposentar por invalidez, por um problema na circulação sanguínea, mas não conseguiu. "Eu tomo remédios há anos para colesterol e circulação e quando tem no posto de saúde eu pego, mas quando não tem, preciso arranjar dinheiro e comprar meus medicamentos que custam em média R$ 150 e eles são muito caros", alega.

A idosa tentou se manter no emprego que tinha, mas as dores eram muitas e precisou se demitir. "Eu sustento a casa, pois meu marido também é doente e para não passar necessidade, comecei a vender café e salgado na rua e é com esse dinheiro que eu me mantenho. Tem semana que eu consigo vender R$ 50, e além dos meus remédios, pago água, luz e compro comida. É muita conta para pagar e ainda tem que desembolsar para comprar remédio", conta.

Ao longo de dez anos, Olívia Martins Ferreira, 65, viu os medicamentos de colesterol e pressão subirem mais de R$ 20. "Quando descobri que tinha pressão alta e precisava controlar o colesterol, pagava em média nas caixas de remédio R$ 30, agora, eles custam mais de R$ 50. Quando eu tenho sorte, consigo os medicamentos na farmácia do posto de saúde, mas não é todo mês".

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