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Economia

Com subsidiária em MS, privatização da Eletrobras pode encarecer conta de luz

Apenas uma subestação da Eletrosul gera mais da metade da carga de energia elétrica do Estado

Por Adriel Mattos | 20/05/2022 11:38
Subestação Dourados, que atende 37 cidades da região. (Foto: Divulgação/CGT Eletrosul)
Subestação Dourados, que atende 37 cidades da região. (Foto: Divulgação/CGT Eletrosul)

O processo de privatização da Eletrobras (Centrais Hidrelétricas Brasileiras) deu mais um passo esta semana. Caso a estatal de fato passe à iniciativa privada, Mato Grosso do Sul deve ser impactado, apesar da subsidiária que atua no Estado não ter grande alcance.

A CGT Eletrosul (Companhia de Geração e Transmissão de Energia Elétrica do Sul do Brasil) atende Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul. No Estado, cerca de 30 trabalhadores atuam pela subsidiária.

O presidente do Sinergia-MS (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria e Comércio de Energia no Estado de Mato Grosso do Sul), Élvio Vargas, lembrou que a conta de energia elétrica pode aumentar.

“Corremos o risco de ser afetados. Vai ter reflexo tanto para o consumidor quanto para empresas. A Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] já apontou que vai aumentar a conta”, comentou.

No processo aprovado pelo TCU (Tribunal de Contas da União), na quarta-feira (18), a Aneel apontou que pode haver alta de até 16,44% na conta do consumidor residencial. “A tendência mundial hoje é reestatização de serviços como a distribuição de energia. É uma questão de soberania. Esse processo tem vários jabutis”, criticou o sindicalista.

O processo de privatização está se desenrolando desde o ano passado. Em abril de 2021, o governador Reinaldo Azambuja (PSDB) pediu que Mato Grosso do Sul fosse incluído.

“Pedimos um olhar para a preservação das bacias do Centro-Oeste, que tem grande capacidade de geração de energia e sofre por falta de capacidade de preservação desse ativo que temos nesses estados, inclusive por programas governamentais que não tiveram a mínima preocupação com o meio ambiente”, declarou na época.

Durante agenda na quinta-feira (19), Reinaldo comentou a capitalização após a decisão da corte de contas. “A prioridade são os investimentos que os estados pediram na audiência pública, como o aumento da produção de energias renováveis”, disse.

A aprovação do processo no TCU era a última etapa. O Ministério de Minas e Energia acredita que a conta do consumidor vai reduzir em 7,36%, contrariando a expectativa da Aneel.

A previsão é de que a estatal seja leiloada entre junho e agosto, conforme o portal G1. Além disso, o objetivo é que a Eletrobras seja capitalizada da mesma forma que a Embraer, que não tem um controlador, ou seja, as ações da companhia estão pulverizadas entre vários acionistas.

Tamanho – A Eletrosul atua no Estado há mais de 40 anos. Possui diversos empreendimentos de transmissão e geração de energia elétrica, incluindo uma usina hidrelétrica em operação, uma central de geração hidrelétrica em construção, quatro subestações e um relevante conjunto de linhas de transmissão.

A Hidrelétrica São Domingos está instalada no Rio Verde, entre os municípios de Água Clara e Ribas do Rio Pardo. Sua potência é de 48 kW (kilowatts), suficiente para atender 270 mil pessoas.

Em breve a usina deve ganhar a Central de Geração Hidrelétrica (CGH) Cachoeira Branca. O investimento é de R$ 7,2 milhões, resultando em uma potência de 1,05 MW (megawatt). A construção termina ainda no segundo semestre deste ano.

As subestações estão em Campo Grande, Dourados, Ribas do Rio Pardo e Anastácio. Essas unidades contam com linhas de transmissão administradas por outras empresas privadas, como a chinesa State Grit, a brasileira Brookfield e a concessionária Energia.

A Subestação Campo Grande, por exemplo, é essencial para a alimentação energética do bombeamento hídrico da empresa responsável pelos serviços de saneamento básico, captação e distribuição de água da Capital. Já a Subestação Dourados corresponde a 58% da carga de energia elétrica do Estado e abastece 37 municípios da região da Grande Dourados.

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