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Economia

Para sustentar filhos, Aline apostou na borracharia até às 4h na garagem de casa

Empreendedora trabalha no Nova Lima e mantém o atendimento até de madrugada

Por Kamila Alcântara | 13/03/2026 14:22
Para sustentar filhos, Aline apostou na borracharia até às 4h na garagem de casa
Como a maioria das mulheres empreendedoras, espaço de trabalho é dividido com o ambiente doméstico (Foto: Renan Kubota)

Na esquina da Avenida Marquês de Herval com a Rua Jerônimo de Albuquerque, no Bairro Nova Lima, em Campo Grande, uma borracharia chama atenção pelo horário incomum de funcionamento. Enquanto grande parte da cidade já encerrou o expediente e as portas do comércio estão fechadas, Aline Taynara Tinoco, de 39 anos, segue trabalhando. Ela mantém o atendimento do meio-dia até as 4h todos os dias da semana, inclusive domingos e feriados.

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Aline Taynara Tinoco, 39 anos, encontrou na borracharia uma forma de conciliar sustento e cuidados com os quatro filhos. Localizado em Campo Grande, seu estabelecimento funciona em horário diferenciado, do meio-dia às 4h da madrugada, todos os dias, incluindo feriados. Após uma separação, ela assumiu sozinha o negócio que já existe há cinco anos. O primeiro contato com a profissão ocorreu aos 18 anos, e hoje ela se destaca por ser uma das poucas borracharias que realmente atendem durante a madrugada na região. Apesar da surpresa de alguns clientes por ver uma mulher no comando, Aline conquistou respeito e admiração.

Essa rotina intensa nasceu da soma de duas necessidades comuns a muitas mulheres: garantir renda e cuidar da família. Mãe de quatro filhos, Aline encontrou no empreendedorismo uma forma de manter o sustento da casa sem abandonar a rotina doméstica. No dia a dia, o trabalho na borracharia se mistura com as tarefas familiares. “Entre um pneu e outro eu também faço as coisas de casa”, conta.

A história do negócio começou de forma bem diferente do que existe hoje. Quando alugou o espaço na esquina do bairro, Aline ainda estava recebendo licença-maternidade e pretendia montar ali um lava-jato junto com a borracharia. A ideia era tocar as duas atividades ao mesmo tempo, mas o plano acabou não dando certo. “No começo a intenção era ter o lava-jato também, mas a parceria que eu tinha não deu certo. Aí o lava-jato acabou e eu fiquei só com a borracharia”, relembra.

Foi também nesse período que a vida pessoal mudou. Após uma separação, Aline passou a assumir o negócio completamente sozinha. Mesmo diante das dificuldades iniciais, decidiu continuar no ponto e transformar o espaço em sua principal fonte de renda.

Hoje já são cinco anos trabalhando no mesmo endereço. “Depois que eu me separei novamente, continuei tocando a borracharia sozinha”, diz.

O horário de funcionamento acabou se tornando um diferencial do negócio. No começo, ela trabalhava basicamente durante a madrugada, das 22h até as 4h. Depois de orientação médica para descansar um pouco mais, reorganizou a rotina e passou a abrir ao meio-dia, mantendo o atendimento até o amanhecer.

Para sustentar filhos, Aline apostou na borracharia até às 4h na garagem de casa
Aline ao lado do letreiro feito pelo @rabiscoeasy (Foto: Renan Kubota)

A decisão de trabalhar nesse horário surgiu da própria observação do movimento na região. Segundo Aline, apesar de algumas borracharias anunciarem atendimento 24 horas, poucas realmente funcionam durante a madrugada, o que obrigava motoristas a procurar ajuda em bairros mais distantes. “Na região não tem borracharia aberta de madrugada. Muitas falam que são 24 horas, mas na prática não são. Quem precisa nesse horário tem que ir longe”, afirma.

Foi justamente essa lacuna que ela decidiu ocupar. Enquanto outros profissionais descansam, ela mantém o serviço aberto para quem precisa resolver um problema inesperado no carro ou na moto. “Eu gosto de trabalhar nesse horário. Sempre gostei de ficar acordada à noite e também gosto de ajudar quem precisa”, diz.

Mesmo sem campanhas de divulgação ou publicidade, o negócio cresceu com base no boca a boca. Aos poucos, clientes foram indicando o serviço para outras pessoas e o movimento aumentou. “Um cliente fala para o outro, que fala para outro, e assim vai. Aos poucos o pessoal foi conhecendo meu trabalho”, conta.

O fato de ser uma mulher comandando sozinha uma borracharia ainda causa surpresa em alguns clientes. Segundo Aline, os comentários existem, principalmente de quem não está acostumado a ver mulheres nesse tipo de atividade, mas raramente passam de curiosidade. “Já teve aquele comentário básico de estranharem ver uma mulher na borracharia, mas nada muito grave. Pelo contrário, muita gente respeita bastante”, diz.

Em alguns casos, a reação é até de admiração. Mulheres que passam pelo local demonstram curiosidade e algumas chegam a pedir para aprender a trocar pneus. “Tem mulher que pede para eu ensinar a trocar pneu. Elas também se sentem orgulhosas de ver uma mulher trabalhando nisso”, conta.

Apesar de hoje estar à frente do próprio negócio, o contato com a profissão começou bem antes. O primeiro emprego de Aline foi justamente em uma borracharia, quando tinha 18 anos. Foi ali que aprendeu as primeiras tarefas do ofício. “Eu ajudava nos consertos, fazia os reparos e montava as rodas. Foi assim que comecei a aprender”, lembra.

Para sustentar filhos, Aline apostou na borracharia até às 4h na garagem de casa
Placa na esquina indica que o socorro com o pneu é até pela madrugada (Foto: Renan Kubota)

Depois de passar por outros trabalhos, decidiu apostar em algo próprio quando surgiu a oportunidade de ocupar o espaço na esquina do Nova Lima. Como acontece com muitos pequenos empreendedores, o começo foi marcado por dificuldades e adaptação. “No começo foi difícil, como em qualquer área da vida, mas deu certo”, afirma.

Hoje, entre pneus furados, consertos rápidos e a movimentação de carros durante a madrugada, Aline mantém uma rotina puxada que se divide entre o trabalho e a criação dos quatro filhos. Para ela, empreender acabou sendo o caminho para garantir autonomia e sustentar a família. “Eu sempre digo que toda mulher pode trabalhar no que quiser. É só ter força de vontade, garra e fé”, conclui.

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