Povos indígenas de MS se unem para negociar a própria produção
Objetivo é usar o cooperativismo para que todas as etnias possam comercializar coletivamente seus produtos

Para negociar diretamente a produção das comunidades e reduzir a dependência de intermediários, lideranças indígenas de Mato Grosso do Sul fundaram uma cooperativa estadual. Criada na quinta-feira (24), em Campo Grande, a Coopims (Cooperativa Estadual dos Povos Indígenas de Mato Grosso do Sul) pretende organizar atividades que vão da agricultura e pecuária ao turismo de base comunitária.
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
A proposta é permitir que os próprios produtores negociem coletivamente preços e escolham compradores, além de ampliar o acesso a mercados privados, programas públicos e linhas de financiamento. A entidade ainda passa pela formalização e dependerá da aprovação dos cooperados para colocar os projetos em prática.
- Leia Também
- Jogos Indígenas têm almoço em comunidade, torcida da família e disputa
- Jogos Urbanos Indígenas reúnem cerca de 500 participantes neste fim de semana
Lisio Lili, liderança Terena, foi eleito presidente. Segundo ele, a intenção é colocar nas mãos das próprias comunidades a gestão das atividades econômicas. “Não é uma cooperativa para os indígenas, é uma cooperativa dos indígenas, criada por nós e para o fortalecimento das nossas comunidades”, afirmou.
Na produção rural, a proposta inclui compra conjunta de insumos, compartilhamento de máquinas e organização da venda. Antes do início das atividades, os cooperados também deverão passar por capacitação em gestão e produção agropecuária.
Turismo também entra na conta - Outra frente prevista é o turismo de base comunitária e o etnoturismo. Nesse caso, cada comunidade deverá decidir quais experiências poderão ser oferecidas e o que poderá ser apresentado aos visitantes. A proposta é manter sob controle das próprias comunidades o uso comercial de elementos culturais e conhecimentos tradicionais.
Esse mesmo princípio deverá orientar as atividades relacionadas ao artesanato, sementes nativas, plantas do bioma, imagens, expressões culturais e conhecimentos associados à medicina indígena. Entre as ações planejadas está a busca por mecanismos de proteção. Para os produtos ligados às diferentes etnias, a cooperativa pretende estudar possibilidades como as indicações geográficas.
Para financiar as atividades, a entidade pretende buscar recursos em bancos de fomento. Segundo os responsáveis pela iniciativa, a prioridade é estruturar os projetos e verificar as possibilidades legais antes da captação.

Início - A assembleia do dia 24 marcou a constituição da cooperativa e a aprovação do estatuto e do regimento interno. Agora, os responsáveis trabalham na formalização junto à Jucems (Junta Comercial do Estado de Mato Grosso do Sul) e, posteriormente, na obtenção do CNPJ (Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica) junto à Receita Federal.
Após a formalização, os projetos serão elaborados conforme as necessidades de cada aldeia, região ou grupo de produtores e submetidos aos cooperados. A aprovação em assembleia deverá anteceder a busca por parcerias, financiamento e início das operações.
A entidade nasceu de uma articulação entre o Focams (Fórum dos Caciques de Mato Grosso do Sul), o CMDDI (Conselho Municipal de Direitos e Defesa dos Povos Indígenas) e o ICET (Instituto Cacique Enir Terena).
A assembleia de fundação foi realizada no auditório do MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), que cedeu o espaço e teve integrantes acompanhando a reunião.
Pelo modelo aprovado, cada cooperado terá direito a um voto, independentemente da etnia, comunidade ou volume de produção. A Assembleia Geral será responsável pelas principais decisões, incluindo aprovação de contas, eleição dos dirigentes e destinação das sobras obtidas pela cooperativa.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.

