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Campo Grande, Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

06/10/2013 09:15

Calendário obriga jogador a trabalhar oito meses para se sustentar em 12

Helton Verão
Guilherme é um dos atletas que amargam o desemprego no aguardo por 2014 (Foto: Arquivo Pessoal)Guilherme é um dos atletas que amargam o desemprego no aguardo por 2014 (Foto: Arquivo Pessoal)

Estamos no mês de outubro e o ano já acabou para muitos profissionais do futebol. Não que isso seja um luxo, na verdade, dos mais de 700 jogadores inscritos na Série A e B do Estadual, muitos chegam a esta época e embarcam nas “férias” forçadas, desempregados, esperando pela temporada 2014. O calendário de Mato Grosso do Sul é o principal culpado pela incomoda situação. Aqui, é necessário trabalhar de oito a nove meses para sobreviver os 12.

Um dos destaques da última edição do Campeonato Sul-Mato-Grossense da Série A, o melhor goleiro da competição atuando pelo Cene, Guilherme Marquini é um dos exemplos. Depois que a competição acabou, muito se falou pouco se viu. O atleta ficou desempregado por pouco mais de três meses, até receber o convite do Olímpia, do interior de São Paulo para atuar na o Campeonato Paulista B1, e agora já amarga há um mês o status de desempregado novamente, morando com os pais, no interior Paulista.

“Vejo como uma grande provação, como se eu estivesse no deserto, sem alimentos e água, mas tão perto de um grande milagre. Mas ao mesmo tempo nos sentimos mendigos de diretores e clubes, que oferecem um baixo salário e vai dificultando a valorização. Quem tem objetivos e sonhos acaba sofrendo um pouco com isso. O futebol oferece dinheiro, pra quem está num grande clube”, comenta Guilherme sobre trabalhar até nove meses para se sustentar em 12.

O goleiro vê o calendário como principal problema, pois vários clubes participam só do estadual e depois não tem mais nenhum campeonato. “Quando ele (campeonato) estiver quase acabando, os atletas já tem que ter algo engatilhado, conversado com outro clube”, ressalta o goleiro, lembrando que este não foi seu caso.

Os jogadores acabam necessitando de manter a forma sozinhos, em academias e treinando em campos próximo de onde moram. “Já estou negociando com dois clubes para a Série A de MS em 2014”, revela Marquini.

Rodado por clubes de Mato Grosso do Sul nos últimos anos, o lateral direito Thiago Souza já atuou no Comercial, e este ano jogou no Urso de Mundo Novo, também está desempregado, morando com a família, em Praia Grande, litoral paulista. “Graças a Deus não sou “gastão”, mas no início do ano tem que analisar a proposta de contrato, ver qual é a melhor situação, se o contrato for curto, fazer um planejamento para poder durar os meses que vamos estar desempregados”, conta o lateral de 30 anos, que ainda sustenta uma filha.

Thiago já jogou no São Paulo e na Portuguesa Santista (Foto: Arquivo pessoal)Thiago já jogou no São Paulo e na Portuguesa Santista (Foto: Arquivo pessoal)
Clayton em ação pelo Urso este ano (Foto: Arquivo Pessoal)Clayton em ação pelo Urso este ano (Foto: Arquivo Pessoal)

Outro conhecido jogador do futebol sul-mato-grossense, o goleiro Clayton, de 34 anos, já passou por clubes como Nova Andradina (2009), Aquidauanense (2010), Ponta Porã (2011), Corumbaense (2011) e Urso (2013). Casado e pai de uma filha de 10 anos, nos tempos de desempregado ele recorre aos campeonatos de várzea, para tirar uma grana extra.

“O mundo da bola é complicado, são poucos que conseguem trabalhar um ano “de 12 meses”, tenho trabalhado oito meses por ano. Temos que trabalhar com a cabeça para ter um estoque nessa época de vacas magras. Mas pra não dá ficar parado, jogo alguns campeonatos semi profissionais que da pra tirar uns R$ 150 a R$ 200 por fim de semana”, lembra Clayton.

Pós carreira – Os dois jogadores na casa dos 30 anos já tem outra preocupação, planejar o que fazer depois da aposentadoria. “Tenho alguns cursos técnicos pra ter pra onde correr no futuro. Talvez na área da informática, tenho um grande conhecimento ou seguir a carreira de vigilante”, almeja Clayton.

Já o lateral Thiago Souza, planeja jogar mais dois anos e diz ter bem encaminhada sua vida no ramo do empreendedorismo. “Pretendo jogar mais dois anos e depois dar continuidade no projeto que tenho de uma microempresa para fabrica fraldas para criança”, projeta Souza.

Solução – A FFMS (Federação de Futebol de Mato Grosso do Sul) tem planejada alterações para o calendário do futebol. De acordo com o vice-presidente Marco Antônio Tavares, a criação da Copa Verde, anunciada no início deste semestre e que poderá começar acontecer em 2014.

“Assim poderíamos melhorar e movimentar o futebol quase que 11 meses do ano. Primeiro o Estadual Série A, depois outra competição para escolhermos um representante na Copa do Brasil, uma seletiva para a Copa Verde e depois a realização da mesma. O campeão enfrentaria o vencedor da Copa Nordeste e pode levar a vaga para a Copa Sul-Americana, sem esquecer da Série B”, explicou Tavares.

O dirigente recomenda os clubes a investirem nas categorias de base. “Os times não vêem nas categorias de base como investimento. Assim eles teriam uma estrutura própria, o Guaicurus é exemplo, começou com o sub 17, com o mesmo grupo foi ao sub 19, está na Série B e vai disputar a Copa São Paulo de Futebol Júnior, tudo com o mesmo plantel”, recomendou o dirigente.

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E o Cezário quanto ganhou no ano?
 
Tasso Guerra Junior em 06/10/2013 22:21:28
Retrato de um estado onde só se pensa em boi, se fosse peão de rodeio não faltava "trabalho".
Já passou da hora de se rever esse tipo de cultura, investir mais no esporte, pois montar em boi é apenas maus tratos!
 
Junior Ferreira em 06/10/2013 13:05:15
Se está desempregado como jogador é só buscar outra alternativa, se não está em grande clube tem que ver o seu desempenho, mas não se preocupe nosso país está em desenvolvimento, serviço é o que não falta a construção civil absolve bastante mão de obra é só ter coragem e encarar. Boa sorte.
 
porfirio vilela em 06/10/2013 10:46:40
Boa matéria Campo Grande News. É a mesma situação dos professores convocados. Muitos professores passam dificuldades por não receberem salário durante os 12 meses!! Cadê os professores vereadores para mudar essa situação??
 
Alexandre Jorge em 06/10/2013 10:44:00
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