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Campo Grande, Sexta-feira, 15 de Novembro de 2019

20/10/2019 20:20

De Campo Grande para o Cruzeiro, Éderson brilhou e o padrasto não viu

Volante nascido e criado no bairro Tiradentes fez primeiro gol como profissional neste fim de semana

Danielle Valentim e Jones Mário
Éderson marcou o gol da vitória cruzeirense sobre o Corinthians (Foto: Daniel Vorley/LightPress)Éderson marcou o gol da vitória cruzeirense sobre o Corinthians (Foto: Daniel Vorley/LightPress)

Aos 20 anos, Éderson José dos Santos Lourenço da Silva, se firma como revelação do ano no futebol brasileiro. O garoto saiu de Campo Grande, especificamente do bairro Tiradentes, e hoje é destaque no Cruzeiro.

O gol da vitória da Raposa sobre o Corinthians, neste sábado (19), foi o primeiro do volante de 1,83 m de altura como profissional. Éderson ganhou olhares com a boa participação na última Copa do Brasil Sub-20, em que o Cruzeiro foi vice-campeão ao perder na final para o Palmeiras.

Gol polêmico - A partida entre Cruzeiro e Corinthians, pela 27ª rodada do Campeonato Brasileiro, em Itaquera, rendeu virada graças a atenção de Éderson. O assistente chegou a levantar a bandeira assinalando impedimento, mas não viu que o último jogador a tocar na bola foi Fagner, do Corinthians.

O árbitro Bruno Arleu de Araújo viu o toque do jogador corintiano e não parou o lance. Éderson continuou a condução da bola, driblou o goleiro Walter e marcou o gol da vitória.

Éderson desfalcará a equipe na próxima partida pelo Campeonato Brasileiro, contra o Fortaleza, em Belo Horizonte (MG). O volante está suspenso porque acumulou o terceiro cartão amarelo.

Campo-grandense durante entrevista coletiva na Toca da Raposa (Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro)Campo-grandense durante entrevista coletiva na Toca da Raposa (Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro)

Rua da Saudade - A advertência, aplicada ainda aos 20 minutos do primeiro tempo, irritou o padrasto de Éderson, Paulo Victor Leal, 31, a mil quilômetros de distância do estádio corintiano. Ao lado do enteado desde seus primeiros pontapés na bola, o auxiliar de almoxarifado se envolve com o jogo. "Fico nervoso quando ele faz essas faltinhas bobas".

Com toda família reunida na sala da casa em que o volante cresceu, na Rua da Saudade, Leal resolveu abandonar a partida. Mas não sem antes profetizar à esposa e mãe do jogador, Edilene Lourenço, 35: "Vou perder o gol do Éderson", disse, antes de ir para o quarto.

E perdeu. A festa no cômodo ao lado, aos 25 minutos do segundo tempo, denunciou o feito do garoto, que começou a se destacar no campo da Escolinha Bola de Ouro, em frente ao Asilo São João Bosco. Antes, era o terrão da varanda de casa que fazia as vezes de gramado para Ederson.

O atleta brincava com o padrasto em mensagens de WhatsApp antes do duelo com o Corinthians. "Esse golzinho tá difícil de sair", escreveu. De características defensivas, o volante destacou estar "no lugar certo e na hora certa" em entrevista após a partida.

Precoce - Leal recorda que Éderson deixou Campo Grande ainda aos 13 anos, quando, após testes na Ponte Preta, foi parar no Desportivo Brasil, clube formador do interior de São Paulo. Por lá ficou até o ano passado, quando acabou emprestado ao Cruzeiro.

Depois de integrar os elencos campeões da Copa do Brasil de 2018 e do Campeonato Mineiro de 2019, o jogador campo-grandense foi comprado em definitivo pela Raposa. O negócio foi oficializado só no dia do encerramento do contrato de empréstimo.

A passagem relâmpago do técnico Rogério Ceni pelo time celeste - que durou 46 dias - foi crucial para o crescimento de Éderson. O ídolo são-paulino passou a escalar o volante com mais frequência.

O padrasto destaca que, antes de deixar a Toca da Raposa, em setembro, Ceni alertou seu sucessor, Abel Braga, sobre o talento do garoto. "Ele pediu para o Abel dar mais continuidade para o Éderson".

Na sala de casa, Paulo Victor Leal mostra com orgulho camisa que o enteado vestiu (Foto: Jones Mário)Na sala de casa, Paulo Victor Leal mostra com orgulho camisa que o enteado vestiu (Foto: Jones Mário)

Pressão - O momento do Cruzeiro no Brasileirão é turbulento. A equipe vem de duas vitórias consecutivas e deixou a zona de rebaixamento, mas pode voltar caso Ceará ou CSA vençam seus compromissos nesta segunda-feira (21).

"Ele não se abala", resume o padrasto, com a camisa 40 que Éderson vestia até ser inscrito na Copa Libertadores deste ano, quando passou a levar o número 15 nas costas.

Quando o enteado ensaia um lamento por causa da pressão do torcedor, Leal logo trata de passar confiança. "Não fica pensando nisso, não. Faz seu jogo".

Como o nome da rua em que foi criado já sugere, Éderson deixou laços no Tiradentes. Vizinha, a estudante Janine Candelário, 26, faz questão de ressaltar que o garoto trata todos de igual para igual, com humildade, quando visita Campo Grande. "Não deixou de ser quem ele é".

No início da noite deste domingo (20), a Rua da Saudade estava cheia de pequenos "Édersons". De bola nos pés, de bicicleta ou correndo pra lá e pra cá, como o hoje atleta cruzeirense fazia com primos e irmãos de Janine. "Ele jogava bola aqui na rua. Hoje, acompanhar a carreira dele é inevitável", finaliza.

Fã-clube - O promotor de Justiça Marcos André Sant Ana Cardoso, da comarca de Coxim, é de Paracatu (MG), mas atua no Mato Grosso do Sul. Cruzeirense roxo, o torcedor é o mais novo fã do jogador campo-grandense.

“Como sou torcedor estou sempre por dentro de notícias do time. Depois do gol de ontem, que ele nitidamente, entrou nas redes, mandaram a informação num grupo de amigos de que ele era de Campo Grande. Virei fã, e o Brasil inteiro também. Esse menino vai para seleção”, torce Marcos.

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