Vizinhos do Tiradentes celebram convocação de menino que saiu da rua para a Copa
Chamado à Seleção, volante que deixou Campo Grande aos 13 anos ainda é tratado como patrimônio
O campinho de terra continua ali, ao lado da Rua da Saudade, no Bairro Tiradentes. As traves já não são as mesmas de quando dezenas de crianças passavam as tardes correndo atrás da bola, mas a paisagem ainda guarda as lembranças de um garoto que sonhava em ser jogador de futebol. Neste domingo (7), enquanto Éderson dos Santos recebia a notícia de que defenderá a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026, o orgulho também tomou conta da rua onde ele cresceu.
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Vizinhos do volante Éderson dos Santos, convocado para a Copa do Mundo de 2026, celebraram a notícia no Bairro Tiradentes, em Campo Grande, onde ele cresceu. O jogador, primeiro sul-mato-grossense a disputar uma Copa desde Muller em 1994, deixou o bairro aos 13 anos. Moradores recordam sua dedicação e os sacrifícios da família humilde que apoiou o sonho do atleta, hoje um dos principais meio-campistas da Itália.
A poucos metros da casa da família, vizinhos que acompanharam a infância do volante passaram o dia relembrando histórias do menino que saiu de Campo Grande aos 13 anos para tentar a sorte no futebol e agora se tornou o primeiro sul-mato-grossense convocado para uma Copa do Mundo desde Muller, em 1994.
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Para quem viu a trajetória de perto, a convocação não representa apenas uma conquista esportiva. É o resultado de anos de sacrifício de uma família humilde que apostou todas as fichas em um sonho que parecia distante.
"Ele era muito sapeca. Ele e o irmão aprontavam bastante nessa rua", conta a aposentada Olinda Souza, de 71 anos, vizinha da família há décadas. "A mãe dele é minha amiga de muitos anos. A gente viu eles crescerem aqui."
Ao lembrar da adolescência de Éderson, Olinda se emociona ao falar da decisão que mudou a vida da família.
"Foi muito difícil para a mãe dele quando ele foi embora. Ele tinha só 13 anos. Ela sofreu muito. E ele também sofreu lá. Não foi fácil. Mas ele nunca desistiu."
Segundo a aposentada, enquanto outras crianças passavam os dias brincando, a rotina do futuro jogador era marcada por treinos e viagens.
"A vida dele era futebol. Era treino atrás de treino. Muitas vezes precisava ir para lugares mais longe e os vizinhos ajudavam. Meu filho chegou a levar ele algumas vezes porque a família não tinha carro. Era uma luta diária."
Para Olinda, a convocação representa a recompensa por toda a dedicação da família.
"Eles sempre foram pessoas humildes, honestas, batalhadoras. A gente acompanhou tudo. Hoje ele está colhendo o resultado de muito esforço. Ficamos muito felizes por ele e pela mãe dele."
O comerciante Eliton Martins, de 39 anos, também cresceu vendo Éderson correr pelas ruas do bairro.
"Era um garoto bom, tranquilo. A gente via ele brincando de bola aqui na rua, jogando com a criançada e depois saindo para treinar. Desde pequeno já dava para ver que ele levava aquilo a sério."
Com o passar dos anos, as partidas no campinho deram lugar aos treinamentos em clubes de fora do Estado. Depois vieram as mudanças para outros centros do futebol brasileiro, a transferência para a Europa e a consolidação como um dos principais meio-campistas da Itália.
Mesmo assim, segundo os moradores, o vínculo com o bairro nunca foi rompido.
"Sempre que podia ele voltava. Vinha visitar a família, rever os amigos, conversar com os vizinhos. Nunca deixou de ser uma pessoa simples", afirma Olinda.
A notícia da convocação se espalhou rapidamente pela rua.
Os colegas começaram a me ligar falando: 'Seu vizinho está na Seleção Brasileira'", lembra Eliton. "Foi uma alegria muito grande. A gente fica feliz porque viu tudo acontecer desde o começo."
Para os moradores, a conquista tem um significado especial justamente porque começou ali, entre as casas simples do Tiradentes e o campo onde Éderson deu os primeiros chutes na bola.
Enquanto o volante embarca para os Estados Unidos para se juntar à delegação brasileira, na Rua da Saudade a expectativa agora é acompanhar cada jogo da Copa.
Ninguém sabe quantos minutos ele terá em campo ou se será titular. Mas isso parece importar pouco para quem acompanhou sua história desde a infância.
Na rua onde aprendeu a jogar bola, a convocação já vale como uma vitória.
"É um orgulho para todo mundo daqui", resume Olinda. "A gente viu ele crescer, viu a luta da família e agora está vendo ele representar o Brasil. Parece que é um filho da rua indo para a Copa."
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