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Campo Grande, Terça-feira, 15 de Outubro de 2019

20/09/2019 08:57

Em múltiplas versões, container virou febre para quem quer abrir negócio

Em Campo Grande, empresas entregam projeto pronto, mas também vendem a peça crua a partir de R$ 7,5 mil

Danielle Valentim
Recém-inaugurada, loja multimarcas usa container. (Foto: Kísie Ainoã)Recém-inaugurada, loja multimarcas usa container. (Foto: Kísie Ainoã)

Esqueça as diárias de mestres de obras, serventes e desperdício de material. Para transformar um container em estabelecimento, escritório ou loja só é preciso funilaria e um bom projeto. A rapidez e o preço, relativamente, baixo com relação a uma construção de alvenaria, cairam no gosto dos "apressadinhos" e o container virou febre por aqui.

Com a medida de largura padrão - 2,44 metros -, o que muda é a altura. Os mais comuns transformados em lojas, escritórios e até residências são os Dry (seco), HC (High Cube) e Reefer (Refrigerado).

Lanchonete recém instalada na rua Euclides da Cunha. (Foto: Kísie Ainoã)Lanchonete recém instalada na rua Euclides da Cunha. (Foto: Kísie Ainoã)

Em Campo Grande alguns pioneiros apostaram no conceito e de alguma forma incentivaram o uso desses elementos arquitetônicos que hoje estão espalhados até em pontos de ônibus. Empresas daqui recebem os containers de diversos portos do país, principalmente, Santos (SP). Na internet, é possível encontrar containers de seis metros a partir de R$ 4.000,00, porém sem o custo do transporte.

O interessado pode comprar o container diretamente nos portos, por um preço mais baixo, mas o transporte até o destino final pode encarecer o investimento. Em Campo Grande, a maioria das empresas loca a estrutura e são poucas as que oferecem para a venda. No entanto, o container pode ser comprado cru ou prontinho para ser instalado. Os valores são cotados em dólar.

Movimentação de container. (Foto: Divulgação)Movimentação de container. (Foto: Divulgação)

Na Costa Container Arquitetura, uma das pioneiras no Brasil nos projetos e serviços para casas/escritórios/lojas em containers, a peça crua de 20 pés ou 6 metros é encontrada pelos valores entre R$ 7 e R$ 9 mil. A peça de 40 pés ou 12 metros varia entre R$ 10 e R$ 14 mil.

Todas as estruturas tem qualificação de compra e são livres de qualquer contaminação. Os pedidos são atendidos em até uma semana e a empresa entrega no local de instalação.

Já na Lacasa Container, localizada na Rua João Kussarev, no Jardim Veraneio, container crus de seis metros são vendidos a partir de R$ 9 mil. Há também o de 12 metros que custa entre R$ 12 e R$ 18 mil e a opção cortada ao meio por R$ 8 mil.

Apesar de adaptar no tamanho desejado, a empresa não leva até o cliente e, neste caso, o consumidor teria de pagar o transporte com muncks e o guindaste cerca de R$ 400, a hora.

As estruturas metálicas podem ser agrupadas, empilhadas e ganhar inúmeros projetos. No entanto, para manter a versatilidade, é necessário um planejamento prévio.

Antes da instalação do container (Foto: Flavia Correia)Antes da instalação do container (Foto: Flavia Correia)
Escritório no jardim da residência. (Foto: Flavia Correia)Escritório no jardim da residência. (Foto: Flavia Correia)

Foi o caso da arquiteta Flavia Corrêa, de 28 anos, que queria uma obra rápida, mas com a possibilidade de mudança de local. O container de seu escritório foi instalado por sua empresa, a Fsc Arq Solar. Diante da necessidade de divulgar o próprio trabalho e as possibilidades de um container decidiu investir “pesado” no ambiente onde recebe seus clientes. A obra final custou R$ 40 mil.

O escritório acaba de ser transferido para o jardim de sua casa, mas a arquiteta já planeja o transporta para a Rua Amazonas, onde organiza um novo empreendimento.

“Se fosse um escritório mais simples, sem a “frescuraiada” de arquiteta (risos) o valor cairia pela metade cerca de R$ 20 ou R$ 25 mil. Para provar a economia da instalação comparo com uma pequena reforma que fiz em casa, de transformação de dois lavados, que terminou em R$ 30 mil. Além da pressa que eu tinha em finalizar meu escritório também sempre tive o desejo de muda-lo de local, por essa razão todo o projeto foi feito com essa intenção”, garante.

Fora do Brasil, principalmente, Japão e Europa, o uso das estruturas na arquitetura já é consolidado. Mas o reuso do container não é tão simples como parece. Ele passa por todo um processo de tratamento e recuperação, mas tudo varia de acordo com o projeto do consumidor.

Container de 15 metros quadrados, transformado pelas arquitetas Desiree de Mendonça e Andrea Daros. (Foto: Arquivo/CG News)Container de 15 metros quadrados, transformado pelas arquitetas Desiree de Mendonça e Andrea Daros. (Foto: Arquivo/CG News)

Sustentatibilidade – A vantagem sustentável é evidente, a começar pelo reuso da estrutura que anteriormente armazenava cargas transportadas em navios.

“Quando fiz meu curso em São Paulo a questão da sustentabilidade foi ressaltada na durabilidade de mais de 100 anos. O uso para transporte em navios é de 8 anos, mas em terra firme é muito avançada”, frisa.

A arquiteta também pontua a resistência do container com relação ao peso. “Suporta até 25 toneladas e 7 andares empilhados”, completa.

Rapidez – Flávia tinha pressa e comparou o tempo de secagem de uma obra de alvenaria que chega a 28 dias. A instalação e revestimento de um container levam apenas um mês.

“Se levar em consideração o tempo de serviço e quantidade de mão de obra, a soma sai muito mais barata. Para o container basicamente será um serralheiro, depois um vidraceiro e está tudo certo. Só o tempo de secagem do concreto, o tempo de cura é de 28 dias. Em todo esse tempo o container já está pronto. Um container já é vantajoso, agora se for comparar com essa onda de food trucks, o tempo de obra que teria um complexo daquele a economia foi triplicada”, garante.

Vantagens x Contras - Acima de tudo, Flávia afirma que tem de ter planejamento. Diferente de paredes de alvenaria que podem ser derrubadas e reconstruídas a qualquer momento, apesar, de se tratar de um metal resistente, dependendo do revestimento escolhido muitos furos, recortes e mudanças repetidas irão interferir na qualidade da estrutura.

Ela garante que é necessário o controle de planejamento para transformar os contras em benefícios. “O container é planejamento. Tem de se perguntar se já decidiu todas as possibilidades, no caso do meu escritório, eu investi mais para ter uma estrutura que eu pudesse furar onde quisesse”, conta.

Armários planejados, televisões e demais objetos não poderão ser pendurados como em paredes de alvenaria caso não haja planejamento.

“Eu não tinha uma definição exata do que seria, então fiz toda uma estrutura a cada 30 e depois a cada 60 centímetros de um metalão que passa em todo o container, além de um madeiramento, porque o metal depois de furado não dá para ser “rebocado”. Você precisa ter controle de obra e essa é uma dificuldade, já que as pessoas são imediatistas e indecisas”, explica Flávia.

Cuidados – A questão da solda também deve ser estudada. Flávia explica que o aquecimento do aço pode reduzir a resistência do material. “Se você aquece demais soldando tudo ao mesmo tempo, você vai torcer sua moldura. Tem de ter um cuidado na fabricação e se atentar aos detalhes, de como fechar uma abertura de forma correta sem dar infiltração na lã de vidro ou no forro, na proteção térmica pode estragar o acabamento e a intenção”, pontua.

“No meu container eu quis demonstrar possibilidades. Ele é todo trabalhado no gesso, iluminação. Eu gastei em metalão para poder furar onde bem entendesse, dois ar-condicionado, cada porta de blindex é R$ 3 mil e ele tem seis metros com duas salas e um lavabo. As escolhas que eu fiz para deixá-lo mais amplo deixou o custo mais alto”, finalizou.

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