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Artes

Anúncio no jornal levou Elizeth à viola e mudou relação com Pantanal

Há 15 anos no sertanejo de raiz, Elizeth Gonçalves leva a cultura pantaneira para apresentações e composições

Por Amanda Ferreira | 25/09/2026 05:41
Anúncio no jornal levou Elizeth à viola e mudou relação com Pantanal
Entre cordas, memórias e paisagens do Pantanal, Elizeth Gonçalves segue espalhando a música de raiz de Mato Grosso do Sul (Foto: Arquivo Pessoal)

Um anúncio no jornal foi o começo da história de Elizeth Gonçalves com a viola caipira. Ela se inscreveu para aprender a tocar o instrumento e, desde então, fez da música uma forma de manter viva a cultura pantaneira.

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Elizeth Gonçalves descobriu a viola caipira após ver um anúncio de aulas oferecidas pelo Sesc e, desde então, dedicou sua trajetória à preservação da cultura pantaneira. Integrante da Orquestra Corumbaense de Viola Caipira, ela foi homenageada pela Câmara Municipal de Corumbá com uma Moção de Congratulação. Além da viola caipira, trabalha com a viola de cocho e levou sua música ao Festival de Barretos, divulgando a identidade cultural de Mato Grosso do Sul.

A história começou quando Elizeth encontrou uma divulgação de aulas de viola caipira. O projeto convidava interessados em aprender o instrumento, sem limite de idade, e despertou a curiosidade da então iniciante na música. Ela decidiu fazer a inscrição e, a partir daquele momento, passou a construir uma nova relação com a cultura regional.

Depois de iniciar o aprendizado, a violeira passou a integrar a Orquestra Corumbaense de Viola Caipira, grupo que se tornou parte importante da sua caminhada artística. O contato com outros músicos, as apresentações e a convivência com o universo da viola fizeram com que o instrumento deixasse de ser apenas uma habilidade aprendida em aulas e passasse a representar uma forma de expressão e pertencimento.

Ao longo dos anos, Elizeth passou a enxergar a viola como uma ferramenta de preservação da memória cultural. Para ela, cada apresentação carrega mais do que música: carrega histórias, costumes e elementos da identidade de uma região marcada pela influência do Pantanal.

A Câmara Municipal de Corumbá reconheceu a trajetória da violeira corumbaense e aprovou, por unanimidade, uma Moção de Congratulação em homenagem ao trabalho desenvolvido por ela junto à Orquestra Corumbaense de Viola Caipira. A homenagem destacou a dedicação à preservação, valorização e divulgação da música sertaneja raiz e da cultura pantaneira.

No documento, o Legislativo ressaltou que a orquestra representa uma importante contribuição para manter vivas tradições musicais da cidade, fortalecendo o sentimento de pertencimento e aproximando novas gerações de manifestações culturais ligadas à história de Mato Grosso do Sul.


Para Elizeth, o reconhecimento simboliza uma conquista construída coletivamente. A violeira afirma que o trabalho de quem atua com instrumentos tradicionais também tem a missão de garantir que esse conhecimento continue chegando aos mais jovens.

Além da viola caipira, Elizeth também se dedica à viola de cocho, instrumento tradicional ligado ao Pantanal. A aproximação com o instrumento ampliou sua pesquisa musical e abriu espaço para novos projetos voltados à valorização da identidade cultural de Corumbá.

A artista passou a unir música, paisagens e referências da região em trabalhos autorais, buscando transformar elementos do cotidiano pantaneiro em inspiração para suas composições. A proposta é registrar em forma de música as características de um território que, segundo ela, possui uma riqueza cultural que precisa ser compartilhada.

“Eu vejo a importância de não deixar a nossa música pantaneira ser esquecida. Também trabalho com a viola de cocho, que junto com a viola caipira representa uma parte da nossa cultura. Se não tiver pessoas mostrando esses instrumentos para os jovens, eles podem acabar não conhecendo essa história”, afirma.

Segundo Elizeth, o desafio é fazer com que esses instrumentos continuem tendo espaço em um cenário musical cada vez mais diverso. Para ela, preservar a tradição não significa impedir mudanças, mas garantir que as raízes continuem sendo conhecidas.

“Nós que temos esse conhecimento precisamos deixar registrado. Se a gente que tem a oportunidade de mostrar essa cultura não fizer nada, uma tradição tão rica pode acabar sendo esquecida. O que a gente faz é levar a música, levar a viola e apresentar essa história para as pessoas”, explica.

A ligação da violeira com a música regional também ultrapassou os limites de Corumbá. Elizeth levou o trabalho desenvolvido em Mato Grosso do Sul para o Festival de Barretos, um dos principais eventos ligados à cultura sertaneja no Brasil.

No palco, ela apresentou músicas relacionadas à sua trajetória e mostrou uma sonoridade construída a partir das referências da cultura pantaneira. A participação representou uma oportunidade de apresentar ao público de outras regiões um pouco da identidade musical construída no Estado.

Além de tocar, Elizeth também compõe. Suas canções têm relação com as experiências vividas, com as paisagens da região e com a vontade de transformar em música aquilo que faz parte da memória coletiva.

“Por onde a gente vai, leva a viola, leva a música caipira, leva a música pantaneira e mostra um pouco das belezas do nosso Estado. Eu desenvolvi um projeto em homenagem a Corumbá, pensando nas nossas paisagens e na nossa cultura, usando também a viola de cocho”, conta.

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