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Artes

Dono do bar pé sujo mais querido fica radiante ao ver que virou arte

José Dias, 'seu Zé', é figura conhecida e parte viva da história da Ferroviária de Campo Grande

Por Idaicy Solano | 17/05/2024 07:02
José Dias, 'seu Zé', ao lado de pintura em muro, em sua homenagem (Foto: Marcos Maluf)
José Dias, 'seu Zé', ao lado de pintura em muro, em sua homenagem (Foto: Marcos Maluf)

O Bar do Zé Carioca abriu suas portas na Esplanada Ferroviária em 2006, e em quase duas décadas de história, se tornou o bar pé sujo mais querido do Centro de Campo Grande e a “casa” de várias gerações. O segredo por trás de tanto afeto pelo boteco é o proprietário José Dias, o 'seu Zé'. A figura conhecida na região por sua simpatia e jeito único de cativar as pessoas, ganhou homenagem com seu rosto estampado em muro.

A pintura foi feita no muro do portão que dá acesso ao complexo ferroviário, ao lado da Plataforma Cultural e da Galeria de Vidro, então quem desce a Avenida Mato Grosso, já dá de cara com a figura logo na esquina com a Calógeras.

Seu Zé acompanhou todo o processo, desde o dia em que ficou sabendo que seu rosto seria estampado, até a finalização do mural. A homenagem faz parte do projeto “Memórias do Trecho”, e foi feito pelo artista San Martinez. A ideia é retratar as lembranças das ferrovias de Mato Grosso do Sul e de pessoas que fazem parte desta história.

“Quem não gosta de ser homenageado, né? É algo que você não espera, e de  repente, acontece isso”, vibra Zé.

Zé diz que ficou impressionado com o trabalho, porque artistas reproduziram até o reflexo da luz na lente dos óculos (Foto: Marcos Maluf)
Zé diz que ficou impressionado com o trabalho, porque artistas reproduziram até o reflexo da luz na lente dos óculos (Foto: Marcos Maluf)
Mural faz parte do projeto "Memórias da Ferrovia", que homenageia pessoas que fazem parte desta história (Foto: Marcos Maluf)
Mural faz parte do projeto "Memórias da Ferrovia", que homenageia pessoas que fazem parte desta história (Foto: Marcos Maluf)

História Viva

Nascido em Bodoquena, seu Zé morou por muitos anos em Aquidauana, até se mudar para Campo Grande em 1975. Ele trabalhou por 26 anos como maquinista, tocando os trilhos da RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A). Quando se aposentou, resolveu abrir o bar, que hoje é referência no Centro da Capital.

Zé relembra que seus dias de maquinista eram puxados. “Não importava se você viajava 3 dias quando você chegava na sede, eram 11 horas de folga, então você começava de novo”.

O nome “Zé Carioca”, ao contrário do que muitos pensam, não tem a ver com o personagem da Disney, ou com a origem de José. Na verdade, ele teve um sócio por um tempo, que era carioca. “Quando vinham aqui, pediam pra falar ou com o Zé ou com o Carioca, então na hora de registrar ficou o nome fantasia Zé Carioca”.

O sócio se foi, mas o apelido pegou. Antes disso, ele era conhecido como “Zé Copinho”, apelido que foi inclusive lembrado na pintura.

“Quando eu bebia a cachaça, eu não gostava de beber naquele copinho, só gostava do grande, então Zé Copinho porque eu bebia muito. Aí depois do bar virou carioca. O carioca de bodoquena”, brinca seu Zé.

Hoje morando em uma das casas históricas da Esplanada Ferroviária, que fica há apenas 50 metros do bar, ele vive uma vida sossegada. Não abre mão de ir para o bar, atender e conversar com os clientes, mas revela que faz seus próprios horários, e quando quer descansar, vai para Palmeiras pescar.

Paredes do bar Zé Carioca são cheias de arte e poesia, marcas deixadas por seus frequentadores (Foto: Marcos Maluf)
Paredes do bar Zé Carioca são cheias de arte e poesia, marcas deixadas por seus frequentadores (Foto: Marcos Maluf)
Bar é palco de saral cultural, shows e intervenções artísticas (Foto: Marcos Maluf)
Bar é palco de saral cultural, shows e intervenções artísticas (Foto: Marcos Maluf)
Em parede verde, frequentadores do bar escrevem mensagens e poesias (Foto: Marcos Maluf)
Em parede verde, frequentadores do bar escrevem mensagens e poesias (Foto: Marcos Maluf)

Casa das gerações 

Seu Zé ainda se lembra do dia 13 de maio de 2006, quando a banda de rock Crazy Pigs se apresentou no bar. Este foi o pontapé inicial para o lugar se tornar um point.

Sem acesso amplo à internet e redes sociais, ele lembra até da divulgação do show, que foi feita colando lambe-lambes pelos postes do centro.

Ele conta que a galera que frequentava o bar em 2006, continua indo. “Hoje é tudo papai, vovô, e eles continuam frequentando. Agora vêm eles e os filhos”.

Zé diz que com o decorrer dos anos, mudam os rostos e o jeito de vestir de quem frequenta, mas a essência do bar continua. Ele declara que gosta de conversar com a juventude, ouvir sobre as alegrias, medos e tristeza, e arriscar uns conselhos para a galera que se sente “perdida”.

Para as novas gerações que virão, e aqueles que já frequentam, Zé deixa um recado:

“Vem tranquilo, vem em paz, vem só para curtir. Estudem e vão para o bar tomar uma também”.

Zé, atrás do balcão de bar pé sujo mais querido do Centro de Campo Grande (Foto: Marcos Maluf)
Zé, atrás do balcão de bar pé sujo mais querido do Centro de Campo Grande (Foto: Marcos Maluf)

Memórias do Trecho - O projeto é uma intervenção artística nas calçadas e muros da sede do MuAU (Museu de Arte Urbana). São 25 artistas envolvidos na criação de diversos murais, que resgatam a memória da ferrovia em Mato Grosso do Sul, além de homenagear figuras que fazem parte dessa história. Neste sábado (18), será o lançamento oficial do projeto, na abertura da 22° Semana Nacional de Museus, a partir das 17h.

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