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Campo Grande, Segunda-feira, 24 de Setembro de 2018

22/05/2017 08:48

Há 30 anos médico artista estampa paredes de consultórios com o abstrato

Paula Maciulevicius
Pronto este final de semana, tela é a de número 1000 do médico Amin. (Foto: Marina Pacheco)Pronto este final de semana, tela é a de número 1000 do médico Amin. (Foto: Marina Pacheco)

Dos 68 anos de idade, 30 deles foram passados entre a Medicina e as Artes. Dono das telas que estampam muitos consultórios médicos pela cidade, Amin se encontrou como artista no abstrato e no mesmo local onde atende pacientes, também segue sua intuição diante das telas.

Em cima da mesa está o quadro de número 1000, terminado neste final de semana. "É uma coisa intuitiva. Fui criado num ambiente de música em Três Lagoas, onde nasci. Comecei a tocar violão, ganhei festival de música na época da faculdade, então é um dom nato, não tem muita explicação", afirma o perito José Roberto Amin.

As telas surgiram em 1987, quando o médico satisfez a vontade que tinha de usar as mãos intuitivamente. "Quando comecei tinha o foco de tentar criar um estilo que fosse meu, um trabalho que fosse reconhecido com certa autenticidade", recorda.


Amin não se via como um artista que ficaria reproduzindo. "E eu tive a felicidade de encontrar muito cedo, mas não foi só pintando, foi estudando muito também", conta.

Com cinco anos de trabalho, sua arte abstrata chegou às melhores galerias de São Paulo. "As pessoas dizem 'é um hobby'. Não, é trabalho mesmo, mas no sentido de ser uma coisa agradável, que lógico, toda obra dá prazer. Quando eu termino uma tela, me dá uma sensação de felicidade que até me ajuda no trabalho da Medicina", relaciona.

A primeira especialidade do médico foi em Cardiologia, depois Saúde Coletiva, para então se firmar na Perícia e Medicina Legal. Trabalhando em dois opostos, enquanto a profissão é a ciência, o amor está ligado ao emocional.

Nas artes, o tempo lhe trouxe amadurecimento e também uma postura autocrítica. E no consultório, é possível receber uma aula de história da arte. 

Com estilo abstrato informal, são 30 anos seguindo a intuição diante das telas. (Foto: Marina Pacheco)Com estilo abstrato informal, são 30 anos seguindo a intuição diante das telas. (Foto: Marina Pacheco)

"Meu estilo é informal, é aquilo que vem de dentro para fora, que você pode gostar ou não. Me perguntam 'o que você quis dizer?' Eu não tenho o que dizer, são composições e minha preocupação é se está agradando ou não", explica.

Os quadros não levam outros nomes a não ser "composição", até mesmo o milésimo. "O que para mim significa perseverança, persistência e muita disciplina", diz. 

Com uma agenda de consultório mais flexível, Amin começa a preparar o quadro numa quinta e no sábado, já vê a obra pronta. Sobre o motivo pelo qual estampa tantas clínicas, ele fala "médico é uma classe que tem uma certa sensibilidade maior com a arte". 

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