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Artes

Primeiro dia do Boca de Cena fez alegria até de quem foi surpreendido

Mostra cênica começou nesta sexta-feira (24) e continua com programação durante todo o sábado

Por Aletheya Alves | 25/06/2022 08:42
Espetáculo Navegantes, do grupo Deslimites, abriu as apresentações da mostra. (Foto: Aletheya Alves)
Espetáculo Navegantes, do grupo Deslimites, abriu as apresentações da mostra. (Foto: Aletheya Alves)

Iniciada nesta sexta-feira (24), a Mostra Sul-mato-grossense de Teatro e Circo - Boca de Cena fez a alegria tanto de quem se preparou para assistir aos espetáculos quanto daqueles que passavam pelo Centro e foram surpreendidos pela arte aberta ao público na Praça Ary Coelho, em Campo Grande.

Chegando aos poucos, o público foi preenchendo as cadeiras vazias em frente ao palco principal do evento e, pontualmente, às 18h30min, os organizadores abriram os momentos cerimoniais. Tendo sido realizado pela última vez em 2018, o Boca de Cena foi apresentado pelos organizadores como uma vitória dura da classe artística estadual.

Integrando a parte do público que se preparou para prestigiar o evento, Pamela Castro, de 38 anos, Gustavo Santos, de 38, e a filha, Flor, de 5, chegaram cedo até com cadeiras de praia para não perder os espetáculos.

Pamela Castro, Gustavo Santos e a filha, Flor, foram preparados para o evento. (Foto: Aletheya Alves)
Pamela Castro, Gustavo Santos e a filha, Flor, foram preparados para o evento. (Foto: Aletheya Alves)

Doula, Pamela explicou que a família costuma acompanhar eventos teatrais gratuitos na cidade, mas que geralmente são espetáculos menores. “É muito bacana ter algo maior, viemos neste primeiro dia e amanhã vamos voltar”, disse.

Feliz com a variedade de opções, ela detalhou que já até assistiu a algumas apresentações, por isso a família iria escolher os que faltavam para acompanhar neste sábado.

Pega de surpresa, Antônia Martins Guilherme, de 58 anos, foi uma das pessoas que estavam passando pelas proximidades da Praça Ary Coelho e foram surpreendidas pela organização da mostra. A caminho de Furnas do Dionísio, ela conta que não resistiu a dar uma olhadinha no que estava acontecendo por ali.

“Eu estou com minha neta e meu marido, aí vimos que tinha teatro. Aproveitamos para parar aqui um pouco. É bom demais para as crianças, elas gostam muito”, disse Antônia. E, confirmando os relatos da avó, a pequena Maritê não desgrudou os olhos da primeira apresentação da noite, “Navegantes”, do grupo Deslimites.

Antônia e a neta, Maritê, ficaram felizes com a surpresa na praça. (Foto: Aletheya Alves)
Antônia e a neta, Maritê, ficaram felizes com a surpresa na praça. (Foto: Aletheya Alves)

Assim como Maritê, a alegria em acompanhar as apresentações teatrais levou outras crianças até para a boca dos palcos, que continuaram encantadas durante a peça o Grande Salto e as seguintes.

Integrante da comissão organizadora da mostra, o artista Tero Queiroz, de 25 anos, conta que mais do que diversão, o retorno dos espetáculos é uma conquista também para o público. “A população está desacostumada a ter grandes eventos, então acabam fazendo seus eventos nos bairros. Além de uma reunião dos artistas sul-mato-grossenses, é uma retomada dos espaços públicos como espaços culturais”, ele diz.

Público preencheu as cadeiras disponíveis e transformou a Ary Coelho em teatro. (Foto: Aletheya Alves)
Público preencheu as cadeiras disponíveis e transformou a Ary Coelho em teatro. (Foto: Aletheya Alves)

Prestigiando a abertura e se preparando para o 2º dia de espetáculos, o diretor da Cia Teatro do Mundo, Fernando Lopes Lima, de 48 anos, destacou a emoção de ver toda a organização acontecendo e a importância da classe se unir para eventos cada vez maiores.

Hoje sou diretor da Cia Teatro do Mundo e conheço o Boca de Cena desta forma, feito pelos artistas do Estado. É um momento de união, provando para nós mesmos que conseguimos produzir festivais. Todos nós ganhamos com isso, conta Fernando.

Vindos de Aparecida do Taboado, a companhia Sou o que Sou foi uma das apresentações da noite com o espetáculo “A Cartista”. Na direção, Moysés Chama, de 45 anos, detalhou que o grupo viaja pelo Estado levando teatro e que estar em Campo Grande é mais uma alegria.

“Aceitamos prontamente o convite, assim como estamos abertos para outras cidades que também queiram nossa participação”, completou Moysés. Interpretando a Cartista, Conceição Mendonça, de 34 anos, explicou que o espetáculo é envolvente e, a partir de memórias, o público consegue se conectar com o enredo.

Companhia Sou o que Sou foi uma das apresentações da noite com o espetáculo “A Cartista". (Foto: Aletheya Alves)
Companhia Sou o que Sou foi uma das apresentações da noite com o espetáculo “A Cartista". (Foto: Aletheya Alves)

De Dourados, o grupo Le Chapeau, também integrou a primeira noite com o “Tradicional Pocket Show” e, conforme o diretor, Junior de Oliveira, de 34 anos, apesar da dificuldade em conseguir verbas para investimentos na cultura sul-mato-grossense, o Boca de Cena é o momento de suspirar com alegria.

Programação continua!

As apresentações neste sábado (25) começam às 10h com o espetáculo “Dom Quixote” da Cia de Teatro do Mundo. Serão 45 minutos encenando a história, que foi escrita em 1605. Por volta das 10h50min, o Grupo Casa encena “A Borboleta Mais Velha do Mundo”, em que uma borboletinha se empenha em descobrir os segredos de uma vida mais longa e se encontra com a borboleta mais velha do mundo.

Ainda pela manhã, o grupo Flor e Espinho continua com os espetáculos às 11h40min com “Varietê (Anderson Lima”. Cheio de palhaçarias, Anderson Lima irá expor suas habilidades técnicas durante 40 minutos.

No período da tarde, as apresentações continuam às 13h com o Grupo Teatral Unicórnio. Através do espetáculo “O Sapo Encantado e Outras Histórias”, a peça é composta por três histórias que unem folclore, conto de fadas e magia circense.

Às 14h é o momento do Palhaço Challito, que vem de Nova Alvorada do Sul, para o espetáculo “Vendê-Graça”. Já às 15h chegam aos palcos a interpretação da peça Pantanalia com o grupo Oficina de Bonecos, Tereco Treco. Em um mini palco, os bonecos contam suas histórias.

Seguindo, às 15h40min ocorre a peça “Com a Palavra, o Poeta” do grupo Bazar de Poesia, de Dourados. Às 16h30min, o grupo Liberdade PKR (Pa’i Kuara Rendy), de Amambai, sobe ao palco com “Gritaram-me Bugra”. No espetáculo, o grupo leva sentimentos de uma mulher indígena Guarani Kaiowá que sente os preconceitos, discriminação e violência.

A partir das 17h, o Teatral Grupo de Risco leva a apresentação de “Revolução”, uma adaptação do texto “A Revolução na América do Sul” de Augusto Boal. Tratando sobre um operário que busca melhores salários e condições de vida, a peça procura fazer o público rir, refletir e agir.

O grupo Fulano Di Tal, às 18h, encena “A Fabulosa História do Guri-Árvore”, uma interpretação livre da obra de Manoel de Barros. Às 19h, o grupo Pisando Alto sobre ao palco com “Gran FinaLLe”, levando um casal de velhinhos alegres contando sobre a vida familiar e no circo.

Às 19h45min, o grupo Jovens Bons encena “Delírios de Nito e Outros Devaneios”. Na peça, o público irá acompanhar números clássicos e contemporâneos de palhaços.

Única exceção, às 20h30min, o grupo Aplausos e Cia Teatral se apresenta na sede do Teatral Grupo de Risco com o espetáculo "Lídia Baís: uma mulher à frente de seu tempo. No mesmo horário, na Praça Ary Coelho, a apresentação “Corina e Genésio”, do grupo Ubu, ocupa todo o espaço.

Também em toda a praça, às 21h, o espetáculo “Areôtorare” será interpretado pelo Teatro Imaginário Maracangalha. O grupo irá encenar as obras de Lobivar Matos sobre relações humanas e sociais. Às 21h45min, a praça continua tomada por inteiro com o grupo Ubu e, finalizando a noite e o festival, às 22h15min, haverá o espetáculo “Sub-Troço do Vice-Treco”, do Tripé - Comédia a Três. Na apresentação, o trio usa de “plágio-combinação” da dramaturgia e trabalho corporal para gerar risos na plateia.

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