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Comportamento

A paixão de Helinho e Cristian todo dia é “ressuscitar” carros antigos

Amigos começaram o negócio em 2025, mas o encanto pelas antiguidades vem desde a adolescência

Por Natália Olliver | 26/03/2026 06:51
A paixão de Helinho e Cristian todo dia é “ressuscitar” carros antigos
Hélio Benites, o Helinho dos Opalas, e Cristian Roa Rosa são restauradores de carros antigos (Foto: Renan Kubota)

A oficina é pequena, mas o movimento não deixa espaço vazio por muito tempo. Entre latas abertas, peças desmontadas e soldas, é ali, no bairro Tiradentes, que Hélio Benites, o Helinho dos Opalas, e Cristian Roa Rosa construíram um verdadeiro "centro de milagres" dos carros antigos. Isso porque muitos chegam de longe para conseguir, enfim, ficarem zero de novo pelas mãos dos restauradores.

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Em Campo Grande, uma pequena oficina no bairro Tiradentes tornou-se referência na restauração de carros antigos. Comandada por Hélio Benites e Cristian Roa Rosa, a funilaria especializada atrai clientes de diversos estados em busca de soluções para veículos considerados sem recuperação por outras oficinas. O trabalho artesanal inclui fabricação de peças exclusivas, já que muitos modelos saíram de linha há décadas. Com restaurações que podem custar mais de R$ 100 mil e durar até quatro meses, a dupla se dedica principalmente a clássicos como Opala, Maverick e Landau, mantendo viva a tradição automobilística brasileira.

A parceria deles nasceu antes da ideia de negócio. Foi em 2025 que decidiram tirar a vontade do papel. Eles já trabalhavam juntos, comprando carros antigos, mexendo aqui e ali e, por fim, revendendo depois de uma “mexidinha”.

Hélio comprava as peças e Cristian colocava a mão na massa. Juntos, eles davam vida ao que muita gente já tinha deixado para trás. Tudo ia bem até que Helinho chegou com a proposta: abrir uma funilaria. Cristian não pensou duas vezes e disse que já tinha até o lugar.

Vieram amigos, conhecidos e, pouco depois, desconhecidos também. Opala, Fusca, caminhonete e Maverick foram aparecendo. A fama veio de boca a boca.

A paixão de Helinho e Cristian todo dia é “ressuscitar” carros antigos
A paixão de Helinho e Cristian todo dia é “ressuscitar” carros antigos
A parceria de amigos nasceu em 2025 e desde então não param de chegar carros (Foto: Renan Kubota)

Desde então, o movimento não parou. Depois, começaram a chegar pessoas de outros estados. Alguns já vindos de outras oficinas e descritos como"sem solução".

"Tem um carro aqui que chegou de Cuiabá, já tinha passado por dois funileiros e não deram conta de arrumar. Aqui a gente tem que cortar a lata, refazer, tirar toda a tinta, fazer limpeza, preparar o carro inteiro para poder pintar", explica Hélio.

O processo pode levar 40 dias a até quatro meses, dependendo do estado do veículo. Por lá, o serviço é sempre reduzido para que eles consigam atender bem. A dificuldade maior quase sempre está na ausência de peça que não existe mais ou modelo que saiu de linha há décadas. Por isso, Cristian é quem faz as próprias peças para os veículos.

"Às vezes, a pessoa procura a gente falando que o carro tá pronto, mas, quando vamos ver, tem lata sobreposta. A maior dificuldade é: no ferro-velho, você não encontra um carro assim como Opala para cortar a parte e soldar no outro. Muitas peças precisam ser fabricadas. Eu mesmo fabrico. É tudo bem artesanal. Consigo fazer uma peça em um dia inteiro e tenho que focar só nela", comenta Cristian.

A paixão de Helinho e Cristian todo dia é “ressuscitar” carros antigos
A paixão de Helinho e Cristian todo dia é “ressuscitar” carros antigos
Oficina dos amigos fica na Rua Álvaro Silveira, 67, no bairro Tiradentes (Foto: Renan Kubota)

O investimento na restauração de um carro antigo não é barato. Eles contam que um veículo que, para eles, custa R$ 40 mil, em outras mãos pode exigir ainda mais investimento para chegar ao resultado esperado.

“Depois que virou hobby, os carros antigos valorizaram muito. Tem restauração que passa de R$ 100 mil”, afirma. Ainda assim, Hélio garante que tenta manter os preços abaixo do mercado. Entre os favoritos deles estão os clássicos que marcaram época: Opala, Maverick, Landau, além dos Hot Rods.

Mas nem sempre foi assim. Antes da funilaria, Helinho era empresário no ramo de móveis. A virada veio há cerca de 7 anos, quando decidiu aprender o ofício da restauração do zero.

"Eu já mexia com carro antigo desde os 17 anos, tinha um Opala e tenho até hoje. Mas, quando perdi minha mãe em 2019, essa vontade veio mais forte. Essa paixão por Opala veio do meu pai, que sempre teve esse carro e os antigos. É por causa daquele cheirinho do carro antigo. O Opala é um carro que tomou a cena da minha vida", conta Hélio.

Aos 33 anos, Cristian já é especialista em restauração. Ele cresceu dentro de uma oficina. “Quando nasci, meu pai já mexia com isso. Aprendi vendo ele trabalhar”, conta. A prática começou cedo, aos 15 anos, quando fez sua primeira solda, em um Opala 1975.

Sem cursos formais, Cristian aprendeu na observação, na tentativa e erro e na troca com outros profissionais. Hoje, domina técnicas que vão desde a funilaria até a fabricação de peças inteiras.

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"Eu gosto mais da parte dos carros antigos. Essa vontade e paixão surgiram quando comecei a soldar. Digo que aprendi rápido porque foi vendo meu pai fazendo, e comecei fazendo e desenvolvendo a habilidade. Algumas coisas aprendi pesquisando. Não fiz curso nenhum. Foi na raça e perguntando para quem já mexia na área".

O cuidado vai além da estética. Cada parte fabricada passa por tratamento para evitar ferrugem e garantir durabilidade. É um trabalho detalhista, feito à moda antiga, assim como os carros que passam por ali.

A oficina dos amigos Hélio e Cristian fica na Rua Álvaro Silveira, 67, no bairro Tiradentes.

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