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Campo Grande, Quarta-feira, 19 de Setembro de 2018

05/07/2017 07:35

Aos 50 anos, Geisa decidiu procurar o amor da adolescência e acabou casando

Thailla Torres
Ela sabe que teve medo, mas deixou o amor entrar. (Foto: Arquivo Pessoal)Ela sabe que teve medo, mas deixou o amor entrar. (Foto: Arquivo Pessoal)

A história de Geisa é mais um daqueles roteiros sobre o amor que faz qualquer um repensar a coragem de se entregar na vida. Aos 50 anos, o destino abriu as portas para um sentimento recíproco. Mãe de dois filhos, com duas separações na memória e dona de si, ela estava decidida a nunca mais se casar, até que, uma ligação para um ex-namorado da adolescência transformou tudo.

Geisa Lisa Arzamendia hoje tem 52 anos. Mudou-se para o Rio de Janeiro após 33 anos vivendo em Campo Grande. A chegada em Mato Grosso do Sul foi por conta do pai militar. Mas os momentos que antecederam as três décadas de vivência em Campo Grande foram determinantes nessa história.

O namoro de adolescência aos 16 anos fez com que Antônio nunca saísse da lembrança. "O pai dele tinha uma loja e nossos pais se conheciam. Namoramos nessa época, até que eu tive que vir embora para Campo Grande", recorda.

Geisa e Antônio há 33 anos no Rio de Janeiro. (Foto: Arquivo Pessoal)Geisa e Antônio há 33 anos no Rio de Janeiro. (Foto: Arquivo Pessoal)

Mesmo com a mudança e a possibilidade de contato, Geisa e Antônio deixaram o amor preso no passado. "Com a distância muita coisa mudou. Cada um seguiu rumos diferente e aqui eu tive uma outra vida. Me casei, tive 2 filhos, separei, me casei de novo e depois me divorciei novamente. Após dois casamentos, a decisão era seguir minha vida sem insistir em ter alguém ao meu lado", afirma.

Antes da separação, Geisa recorda de um único contato, ainda em 2006, quando seu irmão encontrou Antônio nas redes sociais. "Conversamos, mas ele estava casado e eu também. Sabíamos que acima de tudo eramos grandes amigos. Mas apesar de ter o telefone, a gente nunca se falou", lembra.

Em 2015, acredite, nenhuma palavra foi planejada, mas por algum motivo o contato de e-mail despertou interesse em Geisa que estava de férias do trabalho. "Era um sábado, eu fui abrir minha caixa de e-mail e como os contatos com a letra A estavam sempre a vista, eu pensei, porque não ligar para o Antônio?" questiona.

Após o primeiro toque, o alô de Antônio foi a certeza que nada havia mudado. "Conversamos bastante, ele me contou que o pai estava com Alzheimer, falamos da vida, dos amores, dos filhos e da saudade, que no dia 10 de março teve um fim, quando desembarquei no Rio de Janeiro".

No aeroporto a resposta foi uma só. "Engraçado... Era o mesmo rosto, o mesmo sorriso e única sensação de que os 33 anos não haviam passado para nenhum de nós".

Foram cinco meses até que Geisa teve coragem de ser feliz sem esperar muito da vida. "Quando a gente é adolescente, criamos expectativas quando ainda há muita vida pela frente. Mas nesse momento não. Hoje tenho 52 anos e ele 55, a paz que temos hoje não seria a mesma de antigamente", acredita.

E olha que Geisa teve medo, muito medo, por conta de um passado que havia desmoronado. "Tive dois casamentos marcados pela felicidade, mas também pela dor. Ou seja, as referências que eu tinha de felicidade eram frágeis para o começo de relacionamento tranquilo nessa altura da vida", conta. Mas como Antônio não deixou dúvidas do amor e cumplicidade, ela encarou até mesmo diante do receio dos filhos.

"Minha filha caçula ficou enciumada, já o mais velho viu tudo de maneira mais tranquila. No fim, os dois olharam pra mim com aprovação na vontade que eu também fosse feliz, já que cada um tinha sua vida".

A determinação também revelou em Geisa um nova mulher. "Imagina como é estar 6 anos divorciada e sem nenhuma intenção de casar novamente, quando de repente tudo acontece. Eu tinha acabado de me tornar avó, vivendo outros momentos e um relacionamento amoroso não era prioridade na minha vida, na verdade já tinha sublimado essa ideia", revela.

Mas o reflexo da maturidade fez ela encarar a relação de outra forma. "Olha, não sou mais uma adolescente desesperada. Temos um relação tranquila que muitos questionam quando o assunto é distância. Volto para Campo Grande de 3 em 3 meses, ficamos longe um do outro, mas hoje , isso é o menor dos problemas. Hoje tenho certeza que a gente se compreende muito mais".

Depois do reencontro e um novo casamento, os dois vivem juntos com a certeza de que amar é acreditar. "Acho que esse é o grande segredo para viver bem, não só em termos de relacionamento amoroso, mas na relação com as pessoas. Não é acreditar que o outro tem que suprir a carência, mas é descobrir nele novos caminhos, carinho, amor e cumplicidade", finaliza.

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