Após diagnóstico de hanseníase, frutaria vira salvação de família
Ideia de Jaqueline e Carlos surgiu no desespero e hoje garante sustento enquanto o tratamento dele continua
Quando o marido adoeceu de hanseníase do dia para a noite, a rotina de Jaqueline de Quinone Martins Viana, de 33 anos, virou de cabeça para baixo. Entre idas à UPA (Unidade de Pronto Atendimento), exames e dias de angústia à espera de um diagnóstico, veio também a necessidade de reinventar a própria sobrevivência. Foi assim, no meio do caos, que ela abriu uma pequena frutaria na Rua Teixeira da Silva, no Jardim Itatiaia. Simples, recente, mas que acabou se tornando a salvação da família.
RESUMO
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Jaqueline Viana, de 33 anos, abriu uma frutaria para sustentar a família após o marido, Carlos Eduardo, de 29 anos, ser diagnosticado com hanseníase. Ele chegou a pesar 35 quilos e ficou internado no Hospital São Julião entre novembro e janeiro. Com o marido sem renda, o casal usou um espaço cedido pelos sogros para iniciar o negócio. Com mais de um mês de funcionamento, a frutaria já sustenta a família enquanto Carlos segue em tratamento.
Até novembro de 2025, a vida seguia sem grandes sustos. O marido trabalhava normalmente, apesar das constantes dores de cabeça que pareciam "inofensivas". Mas, aos poucos, os sinais começaram a preocupar: febre, cansaço extremo, falta de apetite.
O que parecia algo passageiro se agravou rápido. Após exames, veio o diagnóstico de hanseníase, já com a imunidade extremamente baixa. A internação no Hospital São Julião foi inevitável e longa. Ele ficou entre novembro e início de janeiro internado, enfrentando infecções, perda drástica de peso e um quadro delicado que exigiu alimentação por sonda.
Aos 29 anos, Carlos Eduardo ainda tenta colocar em palavras o que viveu durante os meses mais difíceis da própria vida. Antes da doença, ele nunca tinha ouvido falar em hanseníase. O susto veio junto com a piora rápida do quadro e a perda de peso que impressiona até hoje: de 84 para 35 quilos. “Foi um desespero”, resume.
Sem conseguir se alimentar e cada vez mais fraco, ele se viu à beira da morte. As sequelas também vieram: a visão do olho esquerdo ficou comprometida e o corpo levou tempo para reagir. Hoje, ainda em recuperação, ele reconhece o quanto esteve debilitado. Carlos trabalhava como reciclador há 9 anos e, sem a renda, a família ficou em situação difícil. A ajuda com a banquinha de frutas veio dos pais dele, que cederam um pequeno espaço para o casal começar de novo a vida.
Do lado de fora do hospital, Jaqueline precisou se dividir em várias versões de si mesma. Trabalhava, cuidava da casa, acompanhava de longe a internação e ainda lidava com a saúde frágil da mãe. Foram meses sem descanso, sustentando a casa enquanto o companheiro lutava para sobreviver.

“A gente achou que seriam semanas, mas virou uma batalha longa. Muitas vezes não podíamos nos aproximar dele por causa da doença. Foi muito pesado.”
A recuperação veio aos poucos, junto com novos desafios. Sem poder voltar ao trabalho e ainda em tratamento, o marido precisava de cuidados constantes. Foi nesse momento que o casal decidiu arriscar: com um dinheiro que receberam, abriram a pequena frutaria no lugar que os sogros emprestaram.
No começo, Jaqueline confessa que não acreditava muito. Nunca tinha trabalhado com vendas, muito menos com frutas e verduras. Mas o marido, que cresceu vendo os pais nesse ramo, insistiu. “Ele sempre foi muito positivo. Falou que ia dar certo, então eu abracei junto”, conta.
Hoje, com pouco mais de um mês de funcionamento, o espaço ainda engatinha, mas já mostra sinais de que pode andar. Na banca, tem de tudo um pouco: banana, maçã, tomate, batata, além de doces, chicletes e até pipa para atrair a criançada que passa por ali.
Enquanto o marido segue em tratamento, com acompanhamento mensal e uso de medicação, Jaqueline se mantém ali, entre caixas de frutas.
A frutaria do casal fica na Rua Teixeira da Silva, 152, no bairro Jardim Itatiaia.
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