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Comportamento

Avenida tem um pouquinho de seu Valmir em mais de 200 árvores

Ele dedica três horas de seu dia, todos os dias, para plantar, cuidar e recuperar árvores na Avenida José Barbosa Rodrigues

Por Lucas Mamédio | 05/06/2020 06:18
Seu Valmir ao lado de uma muda que tinha acabado de plantar (Foto: Silas Lima)
Seu Valmir ao lado de uma muda que tinha acabado de plantar (Foto: Silas Lima)

Quem passa pela Avenida José Barbosa Rodrigues nem imagina que a quantidade significativa de árvores plantadas às margens da via é fruto da iniciativa solitária e solidária de um homem: seu Valmir Martins de Assis, de 66 anos.

Ele, concursado do Estado, tem dedicado três horas de seu dia, todos os dias, à plantar e cultivar mudas de árvores no canteiro central, ao lado da ciclovia.

“Moro aqui perto, então pelo minha carriola, minhas ferramentas e venho pra cá. Chego aqui por volta das 9h00 da manhã e saio 12h00 mais ou menos”.

Quando encontramos seu Valmir, já são 11h30 da manhã. Ele está na Avenida José Barbosa Rodrigues quase cruzamento com a Avenida Por do Sol, no Bairro Jardim Aeroporto.

A carriola é seu instrumento de trabalho diário na pandemia (Foto: Silas Lima)
A carriola é seu instrumento de trabalho diário na pandemia (Foto: Silas Lima)

Apoiado ao cabo de enxada, explica entusiasmado sua empreitada. “Eu já faço isso há uns oito anos, venho desde lá de baixo (apontando para via no sentido UEMS) e estou aqui agora replantando algumas coisas que se perderam e semeando espécies novas”.

Todo o trabalho de seu Valmir tem uma lógica, que respeita a fauna flora local. Sem falar da questão visual, uma preocupação séria. “Trabalho muito o paisagismo, tentando combinar com a vegetação local, gosto de trazer um multicolorido de espécies diferentes”, explica com propriedade.

Ele nos nos faz andar uns 10 metros em silêncio, aponta para uma árvore e diz. “Olha que bonito o contraste do amarelo desse pé de jacarandá com o verde atrás, eu penso muito nisso, em deixar o lugar agradável, principalmente nesse período de isolamento que as pessoas saem pouco de casa, espero que quando saiam, encontrem um ambiente agradável”.

Além do jacarandá, seu Valmir já plantou ipê amarelo, roxo, tarumã, pé pitanga, de goiaba, de manga. Pelo seu cálculo, nesses oito anos, foram cerca de 200 árvores e mais de 25 variedades.

“Um pé de manga como esse, por exemplo, (apontando para um pé próximo a nós) todo mundo usufrui. Esse provavelmente alguém lá atrás plantou, agora a vizinhança ou quem passa aqui pode pegar, é nisso que eu penso”.

Seu Valmir pensa nas cores, nos contrates, busca deixar o ambiente agradável para quem sai do isolamento (Foto: Silas Lima)
Seu Valmir pensa nas cores, nos contrates, busca deixar o ambiente agradável para quem sai do isolamento (Foto: Silas Lima)

É um trabalho completamente individual e, de certa forma, terapêutico. “Estou há dois meses em casa, então estou tendo mais tempo, porque antes só mexia aqui nos finais de semana. Agora to conseguindo vir todo dia. Ontem mesmo, chovendo, e eu estava aqui”.

No alto de seus 66 anos, seu Valmir vê na enxada sua atividade física diária. “Rapaz, nada melhor que isso. Às vezes saio daqui com um pouco de dor nas costas, mas tudo bem”.

Agora com mais tempo, uma preocupação divide sua atenção, é a quantidade de lixo que encontra em meio à vegetação. “Hoje mesmo solicitei à prefeitura que viesse tirar um pouco desse lixo, tem muita coisa, até máquina de escrever antiga achei aqui hoje. As garrafas pet eu reutilizo para colocar a mudas, mas a maioria das coisas é entulho”.

Muitas árvores plantadas por seu Valmir há anos, hoje se encontram danificadas pela ação do homem. “Olha esse jacarandá, ele teve parte do tronco queimado, o pessoal bota fogo aqui também, aí trato para não morrer”.

O entulho passou a ser uma grande preocupação de seu Valmir (Foto: Silas Lima)
O entulho passou a ser uma grande preocupação de seu Valmir (Foto: Silas Lima)

Nunca houve problema com a vizinhança ou qualquer órgão público, muito pelo contrário, todos sempre reconheceram o esforço do funcionário público. “Muitos me dão mudas para eu plantar, fertilizantes de vez em quando, mas tem gente que diz ‘Deus te abençoe pelo seu trabalho’ e isso pra mim já vale demais”.

Sobre até aonde vai nessa empreitada, seu Valmir acredita que até “aonde não aguentar mais, e acho que tá longe ainda”.

Já é meio-dia, seu Valmir arruma suas ferramentas, as coloca em cima da carriola, segura firme com as duas mãos e vai pra casa com o sentimento de dever cumprido.

“Amanhã termino aquela outra parte”.

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