Cadeira de rodas virou apelido, mas nunca o impediu de ser tatuador
Nascido com doença rara, Weberson gostava de desenhar e encontrou futuro nos "rabiscos" na pele
Com um nome diferente, que ninguém conseguia acertar, Weberson Souza Lourenço teve de adotar o apelido herdado da escola, Cadeira. O motivo? Ter nascido com uma doença que o prendeu a uma cadeira de rodas. Apesar da condição, que para muitos seria o fim, para ele é só um detalhe. Devido à condição na infância, ele se dedicou a uma das poucas coisas que podia fazer: desenhar. E, há 4 anos, encarou o desafio de ser tatuador.
RESUMO
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Weberson Souza Lourenço, 27 anos, conhecido como Cadeira, nasceu com atrofia espinhal primária e transformou a limitação em oportunidade. Apaixonado por desenho desde criança, ele construiu uma máquina de tatuagem, tatuou a si mesmo e, há quatro anos, abriu um estúdio no Jardim Batistão, em São José do Rio Preto. Hoje vive da profissão e atende clientes pelo boca a boca, recusando o papel de símbolo de superação.
Abriu um estúdio simples no Jardim Batistão e ficar sem fazer nenhum “rabisco” é como a morte. “O dia que não tatuo, fico até desnorteado. Eu tenho atrofia espinhal primária. Fui sorteado. Eu sempre morei aqui, minha mãe construiu essa casinha desde quando nasci. Não adianta ficar triste ou se reservar, tem é que encarar a vida e ser feliz. Fazer o que se gosta e ir atrás dos sonhos”.
Aos 27 anos, Cadeira relembra quando começaram a chamá-lo assim. Ele não comprou briga, pegou aquilo e não deixou que fosse algo ruim. Diz que foi carinhoso. Hoje, é assim que muita gente chega ao estúdio dele, na Rua Indonésia.
“Eu sempre gostei de desenhar. Meu negócio era só fazer isso. Enquanto as crianças brincavam lá fora eu ficava quietinho. Na adolescência gostava de mexer com coisa eletrônica. Um dia eu fiz uma máquina de tatuagem e fiz uma em mim mesmo. Uns amigos viram e quiseram também, falaram para eu fazer neles”.
A brincadeira começou a ficar séria quando ele foi atrás de materiais, tintas e orientação. Nesse caminho, conheceu um tatuador experiente do Centro, que virou amigo e ajudou na escolha dos equipamentos. De quebra ele também ganhou uma maquininha de presente. A partir dali, foi comprando mais coisas, treinando e pegando prática. Já são 4 anos tatuando.
“Tem mês que todo dia faço tatuagem, mas tem mês que vou umas 3 vezes por semana. A propaganda é no boca a boca. Começou porque um amigo falou para o outro e assim vai indo. Minha tatuagem é estilo livre. Se o cliente falar: ‘E aí, Cadeira, você consegue?’, eu estudo e faço”.
No começo, cobrava só o material. Era teste, treino e confiança. Quando o cliente gostava, às vezes pagava um pouquinho a mais. Devagar ele foi evoluindo e hoje, vive só disso.
Antes, Weberson já tinha tentado de tudo um pouco. Vendeu perfume, camiseta de time e até teve uma pastelaria em casa. Pela internet, se virava como dava. Parado, ele nunca gostou de ficar. “Já me virei para fazer de tudo. Até que apareceu a tatuagem”, conta.
O estúdio simples fica na frente da casa da mãe, que construiu o espaço com quarto, banheiro e a área de trabalho. Sobre a zoação e o preconceito na vida por conta de estar em uma cadeira de rodas, o tatuador fala que ouviu de tudo a vida toda.
“Sempre teve, mas se a gente for ligar para essas coisas, a gente não vive a vida. A gente tem que fingir que não aconteceu, que não é com você, e bola para frente. Se for ligar para o que os outros dizem, você não é feliz.”
Recentemente, o estúdio ganhou uma reforma. Lucas Nascimento, do Grafite Easy, deu um “tapa” na fachada, pintou a parte interna e também a calçada. O lugar ficou mais com a cara de quem trabalha ali: simples e vivo.
Weberson não quer ser tratado como exemplo triste. Também não quer que olhem para ele como se cada tatuagem fosse uma superação. Ele quer apenas ser ele, trabalhar, ser respeitado, fazer o que gosta e seguir feliz. “Não adianta ficar triste ou se reservar. É encarar a vida, ser feliz".
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