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Campo Grande, Quarta-feira, 19 de Fevereiro de 2020

09/02/2020 07:34

Chegar aos 30 não muda nada e ao mesmo tempo muda tudo para quem é mãe

Os próximos anos serão passados na arquibancada da vida, assistindo e torcendo pelos outros, enquanto as crianças precisam de mim

Paula Maciulevicius Brasil
Rachel, do seriado Friends, quando comemorou 30 anos. Rachel, do seriado Friends, quando comemorou 30 anos.

Cinco anos atrás, a poucos dias do meu aniversário, apareceram os primeiros fios de cabelo branco. Claro que eu não me lembraria se não fossem as recordações do Facebook. À época eu me assustei, como se aqueles fiozinhos estivessem me mostrando que eu não era mais jovem. Nem me lembro se eu os arranquei ou eles ficaram, mas o fato é que isso não mudou nadinha na minha vida.

Já vou avisando aos que adoram dizer que isso não é notícia ou que mandam o jornal procurar matéria que aqui é uma coluna dominical sobre maternidade, escrita por mim, jornalista, mãe de dois que jurava que passaria imune à crise dos 30. Como eu me enganei.

Às vésperas do aniversário, que é hoje, eu nem encontro palavras para descrever o que senti nos últimos dias. É uma coisa que ninguém pode mudar, por mais que tentem aliviar pra gente dizendo "mas olha tudo o que você construiu antes dos 30", o peso da crise dói nos ombros e principalmente no emocional. O "de repente 30" surgiu jogando na minha cara que eu não sou mais jovem, e que todo mundo ao meu redor sabe disso.

Pela primeira vez tenho sentido aquilo de que com a idade também vem a "sabedoria", ou seja, experimentei nas últimas semanas estar no lugar de quem sabe o que falar. Mas eu não sei. Talvez, com os anos, eu tenha aprendido a ouvir e a acolher. O que posso considerar como positivo. A maternidade também me ensinou a julgar menos os outros e a mim mesma. 

Não é que a partir de agora tudo vai mudar, mas nem mais o IBGE me considera mais jovem. O espelho então? Nem se fala. Os primeiros fiozinhos de cinco anos atrás já tomaram meus cabelos. Tem dia que eu não ligo e falo que não vou pintar, tem hora que bate o incômodo mesmo. 

Não sei dizer que angústia é essa. Ainda mais quando você sabe que riscou da check-list coisas importantes como casar e ter filhos. Cheguei aos 30 anos soprando as velinha com dois bebês, uma família incrível e amigos que sempre me acompanharam. Nunca fui de fazer planos, não tenho ideia de onde quero estar daqui a cinco anos, talvez até porque eu saiba que os próximos anos serão passados na arquibancada da vida, assistindo e torcendo pelo avanço dos outros, enquanto as crianças precisam de mim. Acho que quando essa fase passar, outra crise virá. Não quero nem pensar na dos 40.

Na semana que passou eu bati à porta da Keyth, psicóloga e salvadora da pátria e das mães. Ela me sugeriu que eu me ouvisse, escutasse aquilo que eu estava pondo pra fora e se orgulhasse de mim, ao mesmo tempo em que olhasse para tudo o que eu já vivi. Se não fossem as escolhas do passado, eu não estaria aqui.

Que todos os que passaram ou ainda passarão pela crise dos 30 encontrem paz e alento. O meu está no sorriso dos meus pequenos, na maternidade, na família e na carreira que sigo construindo. Os 30 anos não mudam nada, mas ao mesmo tempo tudo fica diferente. Só desejo que eu tenha a felicidade de olhar a vida com os olhos da gratidão.

Feliz aniversário pra quem divide a data comigo hoje.

Ps: gente, me escreve. Nem que seja pra dizer que eu não tô sozinha nessa, tá? Meu e-mail é: paulamaciulevicius@news.com.br. 

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