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Comportamento

Hospital leva ensaio de Carnaval à UTI neonatal e emociona famílias

Momento trouxe um pouco de leveza para as famílias

Por Thailla Torres | 19/02/2026 08:42
Hospital leva ensaio de Carnaval à UTI neonatal e emociona famílias
Máscara foi adereço e carinho em meio à internação (Foto: Arquivo Pessoal)

O Carnaval não entrou na UTI fazendo barulho. Não teve marchinha, não teve confete espalhado pelo chão. Veio em forma de fantasia pequena, laço colorido, um detalhe de tecido sobre incubadoras que costumam ser cercadas apenas por fios e protocolos.

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O Hospital Santa Marina realizou um ensaio de Carnaval na UTI neonatal, transformando um ambiente tradicionalmente associado à dor em um espaço de celebração. A iniciativa, conduzida pela equipe multiprofissional, incluiu fantasias, laços coloridos e decorações nas incubadoras, sempre respeitando os protocolos médicos. A ação trouxe conforto a famílias em momentos delicados, como Julia Tassiana de Freitas, que perdeu uma filha gêmea e tinha outra internada. Para muitos pais, o ensaio representou a primeira sessão de fotos dos bebês, criando memórias positivas em meio às dificuldades da internação.

O ensaio de Carnaval realizado dentro da UTI neonatal do Hospital Santa Marina foi exatamente assim. A psicóloga da Proncor, Yasmin Rocha, conta que a ideia nasceu do desejo de levar leveza a um espaço que, quase sempre, é associado apenas à dor. “No início de cada ano organizamos ações de humanização alinhadas às datas comemorativas. Quando pensamos no Carnaval, nos perguntamos: como podemos fazer essa alegria chegar até aqui?”, explica.

A pergunta ficou ecoando até virar projeto. E, antes de qualquer fantasia, veio a reflexão. “A UTI é um ambiente sensível, tudo precisa ser feito com muito cuidado. Observamos que pequenos gestos já transformavam o dia das famílias. Vimos sorrisos tímidos, uma abertura, um desejo de viver algo diferente naquele contexto tão difícil. Foi quando entendemos que o Carnaval não seria apenas uma fantasia, mas uma oportunidade de respiro.”

Hospital leva ensaio de Carnaval à UTI neonatal e emociona famílias
Beatriz durante o ensaio que rendeu cliques cheios de fofura
Hospital leva ensaio de Carnaval à UTI neonatal e emociona famílias
Para as famílias, gesto do hospital trouxe momento de leveza. (Foto: Arquivo Pessoal)

Para Julia Tassiana de Freitas, 38 anos, mãe da pequena Beatriz, o ensaio chegou em meio a um dos períodos mais duros da vida. Ela teve gêmeas. Isabela faleceu com apenas quatro dias de vida. Beatriz ficou internada.

“Era um misto de luto e luta diária pela nossa Bê. O hospital era o nosso mundo naquele momento. Dias intensos, cheios de medo, incertezas e muita oração”, lembra.

Quando a equipe propôs o ensaio de Carnaval junto com o mêsversário da filha, a reação foi de surpresa. “Achamos a ideia extremamente sensível e cheia de significado. Em meio a um momento tão delicado, foi como se alguém tivesse lembrado que, apesar de tudo, ainda existia espaço para celebrar a vida.”

Julia diz que ver a filha fantasiada, mesmo dentro do hospital, trouxe esperança. “Não apagou o que vivíamos, mas trouxe conforto. Foi um abraço em forma de gesto.” A foto não substitui a dor. Mas muda a memória.

Segundo Yasmin, muitas famílias aproveitaram para viver ali a primeira foto oficial do bebê. “Para algumas, foi o primeiro ‘newborn’ de Carnaval. Muitos pais quiseram participar, escolher fantasias, sorrir. Por alguns minutos, não era apenas a UTI. Era uma família registrando um momento especial da vida do seu filho.”

Nada foi improvisado. A ação só aconteceu porque houve alinhamento entre a equipe multiprofissional e a médica responsável pela UTI, dra. Ana Carolina Cordera, que acompanhou os ensaios. Cada bebê foi fotografado respeitando seu estado clínico e seu tempo. A assistência médica nunca foi interrompida.

“A prioridade absoluta continuou sendo o cuidado técnico. A ação só foi possível porque houve união entre cuidado técnico e cuidado humano”, reforça a psicóloga.

Hospital leva ensaio de Carnaval à UTI neonatal e emociona famílias
E teve neném com produção fofa para os registros de Carnaval.
Hospital leva ensaio de Carnaval à UTI neonatal e emociona famílias
Essa é Cecília, que também estava no hospital e participou do ensaio.

Franthieska Spat, 39 anos, técnica de enfermagem e mãe da Cecília, descreve o dia como “admirável e inspirador”. Para ela, o ensaio foi muito mais que fotografia.

“As meninas levaram alegria às crianças que estavam agoniadas e inquietas de estarem num quarto de hospital. Foi muito mais do que registrar fotos. Proporcionaram momentos de leveza, cor e esperança.”

Ela fala da sensibilidade em cada detalhe e da segurança transmitida pela equipe desde o início. “Transformar o ambiente hospitalar em um espaço de sorrisos, fantasias e sonhos faz toda a diferença.”

“Queríamos que, no futuro, ao olhar aquela foto, as famílias não lembrassem apenas do momento difícil, mas também do cuidado, do carinho e da tentativa genuína de tornar aquele período um pouco mais leve”, diz Yasmin.




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