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Campo Grande, Sexta-feira, 20 de Outubro de 2017

19/09/2017 07:52

Com indicação de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, MS precisa de padroeira?

Mariana Lopes
Igreja lotada em devoção à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. (Foto: André Bittar)Igreja lotada em devoção à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. (Foto: André Bittar)

"Ela arrasta multidões". Essa é a frase que os católicos usam para justificar o título de padroeira. De outro lado, os evangélicos são pontuais: "só um caminho leva a Deus". Nesta história não há certo ou errado. Há apenas fé, crenças e doutrinas diferentes. A polêmica foi gerada pelo projeto apresentado na Assembleia Legislativa na semana passada, projeto de lei sugere que Nossa Senhora do Perpétuo Socorro ganhe oficialmente o título de padroeira de Mato Grosso do Sul. E apesar de ser tratado com brandura por fieis de ambas religiões, o assunto divide opiniões.

Para quem concorda em ter santos como símbolos de fé, eleger Nossa Senhora do Perpétuo Socorro como padroeira é uma escolha coerente. A justificativa é simples: o alto número de devotos.

No Santuário, em Campo Grande, todas as quartas-feiras são realizadas 18 novenas de hora em hora, por onde passam em média 20 mil pessoas só nestes dias. "Verifiquei todas as padroeiras do interior e da capital, não conheço mais nenhuma que carregue tantos devotos", aponta Siufi.

Embora Mato Grosso do Sul seja um estado com tanta pluralidade cultural e com tantas referências religiosas, o autor do projeto, deputado Paulo Siufi (PMDB), defende o projeto dizendo que não passa de um título, assim como o ipê é o símbolo de árvore de Campo Grande. 

"Acho que o Estado é laico e continua sendo. Não estou colando imagens dentro do parlamento.
Um deputado entrou com projeto para a guavira ser fruta símbolo do Estado, eu gosto de jabuticaba, mas nem por isso o projeto dele deixa de ser válido. É algo muito natural, é só um título, nada além disso", compara Siufi.

E parece que a santa virou mesmo ícone de fé em Mato Grosso do Sul. Para Luiz Torres, atual coordenador diocesano da Renovação Carismática de Dourados, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro merece o título. "Aqui, há três anos temos novenas todas as quartas-feiras também, na paróquia São João Batista, e a devoção dos douradenses também é forte", certifica.

Em Corumbá, o coordenador da RCC, Marcos Antonio Amaral, também está de acordo. Nem a Nossa Senhora do Pantanal desbanca a mais forte concorrente ao título. Apesar de a Cidade Branca ser palco de diversas festas de outras nomenclaturas à mãe de Jesus, ele concorda que nenhuma outra tenha tanta expressividade no Estado todo. "Aqui também temos a Nossa Senhora do Pantanal, mas este título não é oficializado pela Igreja Católica. Tem Nossa Senhora de Cacupê, do Paraguai, que também tem bastante representatividade por aqui, Nossa Senhora da Urukupinha e da Cotoca, que são bolivianas. Todas representam a cultura, mas não tem o mesmo número de devotos", justifica Marcos. Em Corumbá, segundo ele, também é realizada a novena às quartas-feiras.

Coordenador da RCC de Três Lagoas, Randerson Souza acredita que a elevação de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro a padroeira do Mato Grosso do Sul represente o estado e a população. "Na atual conjuntura política de nosso estado e país, estamos realmente precisando dos auxílios, dos socorros de Maria como ela fez nas Bodas de Caná socorrendo a família dos noivos", reflete.

Para o missionário Elcio Soares, o título vale por trata-se de um ícone que muitos fiéis tem alcançado graças pela intercessão de Nossa Senhora. "Ao mesmo tempo, temos vários irmãos protestantes que acredito que serão contra. Mais importante que atribuir um título de padroeira é respeitar a diversidade religiosa. Eu como católico acho lindo, mas também como católico não gostaria de afrontar os irmãos protestantes. Nossa Senhora do Perpétuo Socorro já é a padroeira de todos nós católicos", conclui.

E este é o X da questão. O título é para o Estado, se nele há tantas crenças, ou para uma única religião?

Na opinião dos evangélicos, o título não faz sentido. "Eu não concordo, pelo fato de não acreditar em santos, e somente em um Deus trino, Pai, Filho e Espírito Santo. Mas não me sinto desrespeitado, pois eu ainda posso anunciar o evangelho que acredito através do meu exemplo, obras, fé e da Bíblia. Eu gosto de dizer que a arma fundamental de Cristo é o amor, pois ele constrange. Existe espaço para todos, porém enquanto eu tiver fôlego de vida continuarei a pregar o evangelho que eu acredito. Adorar somente um Deus", diz o pastor da Primeira Igreja Batista, Angelo Augusto dos Santos.

Líder de Célula, Erica Souza Dias Barros tem basicamente a mesma opinião. "Sinceramente, feliz acredito que nenhum Cristão iria ficar, pois cremos que só Jesus é Santo. Então ,que seja apenas Ele pra tudo e em todos os lugares, nosso representante. Oro para que os olhos das pessoas se abram e entendam que só Ele é o caminho, a verdade e a vida", pontua.

Pelo projeto, o dia 27 de junho, no qual comemora-se o dia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, seria também o da padroeira de Mato Grosso do Sul. Mas para quem acha que todo mundo ganha mais um dia de folga, Paulo Siufi que a intenção é de que não será decretado feriado. 




Assuntos como esses causam constrangimentos porque nem todos tem essa fé; há os que tem, única e exclusivamente, Deus como protetor (Padroeira quer dizer, protetora).
Questões assim devem ficar no âmbito doméstico, ou seja, observado por aqueles que assim creem, e não, imposto aos demais.
Esse ano comemoram-se os 500 anos da Reforma Protestante e eu fui um dos que me opus à solicitação de colocação no calendário de eventos do município e do estado, pois isso deve ser comemorado pelos luteranos, principalmente.
Isso é que nem o feriado de Santo Antônio, imposto a todos, o que não convém.
Nos calendários, tanto municipal quanto estadual, só constar evento cívicos e de interesse geral, e não de grupos.
 
TRAPP em 19/09/2017 14:05:20
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