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Comportamento

Com “tiro ao alvo”, há 34 anos, professor escolheu MS para ensinar

Participe do Mapa Interativo dentro da matéria e conte a história do professor que merece uma homenagem

Por Thailla Torres | 15/10/2021 06:38
Professor Carlos dando aula de matemática durante a pandemia. (Foto: Arquivo Pessoal)
Professor Carlos dando aula de matemática durante a pandemia. (Foto: Arquivo Pessoal)

A organização é uma das principais formas de fazer uma mudança na vida pessoal ou profissional. Mas isso passou longe da cabeça do professor de matemática Carlos Alberto Dutra Osório, de 56 anos, hoje, um dos mais antigos em atividades na Escola Estadual Joaquim Murtinho. Famoso como “Professor Cado”, poucos sabem como o gaúcho enlouquecido pelos números foi capaz de deixar o interior do Rio Grande do Sul para chegar a Campo Grande na década de 80.

Inspirado pelo avô e pai que eram matemáticos na cidade de Santa Maria (RS), Carlos brincava de professor na infância e já ensinava matemática aos amigos, por isso, nunca teve dúvidas que educar faria parte da vida.

Quando finalmente se tornou matemático em sua cidade, ele se deparou com a falta de emprego. “Batia de porta em porta de escola e não conseguia”, lembra. Foi quando o matemático voltou para casa, no apartamento com a avó, abriu o mapa do Brasil no chão do quarto, pegou um dardo, fechou os olhos e jogou no mapa.

“Pensei que onde caísse eu iria. Sabe quando você está com raiva de ficar parado e não fazer o que gosta? Então, decidi escolher para onde eu iria com tiro ao alvo. Minha avó achou que eu estava louco”, conta o professor bem-humorado.

O dardo caiu em Dourados, município sul-mato-grossense que ele nunca havia conhecido. “Vi que era cidade do interior, por isso, decidi que me mudaria para a Capital”.

Dois dias após o “jogo maluco” do professor para recomeçar a vida, o telefone tocou. Era uma amiga que estava em Mato Grosso do Sul e buscava outros cinco amigos confiáveis pelo País para abrir uma república e trabalharem no Estado.

Carlos não pensou duas vezes e fez as malas. Chegou por aqui em 1989, se tornou professor na Escola São José, onde lecionou durante 20 anos, depois passou a ser professor no Joaquim Murtinho, onde está até hoje e ficará até dezembro. “Este ano, resolvi me aposentar e vou me despedir”, afirmou.

Ele também é professor há 34 anos no colégio particular Paulo Freire, que apesar da mudança de nome recente, será sempre lembrado por levar durante anos, o nome de um dos maiores educadores e filósofos brasileiros na fachada.

Hoje, a Rede Municipal de Ensino tem 109 mil alunos matriculados, já a Rede Estadual de Ensino é responsável por atender 205 mil estudantes. Deste total, sem dúvidas, Carlos fez e ainda faz parte da vida de muitos alunos, e esse é o maior orgulho dele.

“Houve uma fase muito antiga de crise em que professores ficaram sem receber quase 8 meses. Você acha que eu achei ruim? Não. Eu estava fazendo o que eu gostava: ser professor. E até hoje me sinto assim. Ser professor é o meu chão, é o que o queria, é que sempre me fez feliz”.

Com esposa e duas filhas, sendo uma médica pediatra e outra próxima de se tornar médica veterinária, o professor não se vê longe da educação, nem aposentando. “Professor não descansa, a gente segue se atualizando, lendo, buscando as novas linguagens e formas de ensinar. Me orgulho muito da minha profissão e dos meus colegas”.

Por isso, nesta sexta-feira (15), Dia do Professor, o Lado B escolheu a história do matemático que ama ensinar para fazem uma homenagem a todos os professores e convidar você, leitor do Campo Grande News, a colocar no Mapa Interativo abaixo uma lembrança do professor que sempre te inspirou ou que até hoje te inspira.

Basta clicar em 'Enviar Relato', anexar uma foto e contar a história do professor que você admira.

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