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Campo Grande, Terça-feira, 18 de Setembro de 2018

26/06/2018 07:36

Em site de relacionamento, ostentação de grana é atrativo para o amor

"Sugar baby" sul-mato-grossense nem precisou esperar na fila para entrar no site "Meu Patrocínio", que arruma "papais" para bancar as contas

Thaís Pimenta
Hugh Hefner, fundador da revista Playboy, é um dos caras conhecidos pelo padrão sugar daddy.Hugh Hefner, fundador da revista Playboy, é um dos caras conhecidos pelo padrão "sugar daddy".

Sincera, e muito, a rede de relacionamento "Meu Patrocínio" escancara da forma mais verdadeira a realidade de alguns casais. O site divide os usuários entre "sugar daddys", "sugar mommys" e "sugar babys", ou seja, entre homens e mulheres, chamados de "papais" e "mamães" que querem bancar os "bebês" da relação, dependentes mesmo, sem pudor.

Nesse território, ainda pouco habitado por brasileiros, os relacionamentos começam na base de interesse e não pelas afinidades ou pela paixão em comum. O grande problema é que, de acordo com a maioria dos relatos ouvidos e lidos, os relacionamentos dificilmente "começam", já que os daddys e as mommys querem mesmo é pagar por sexo e não por amor.

De acordo com a administração do site, são dois anos e meio de site com 600 mil usuários. A grande procura gerou uma fila de espera para os banqueiros da relação, que precisam comprovar que são - e que tem- tudo o que dizem ter no momento do cadastro. 

Os que têm pressa e dinheiro no bolso podem pagar uma taxa de R$ 249,00 para não ter de esperar na fila.

Para uma das "sugar baby" sul-mato-grossense, de Corumbá, que preferiu não ter seu nome divulgado, a aprovação no site foi como no Tinder e não precisou ficar em fila de espera. "Fiz e no mesmo dia já consegui entrar sem nenhum tipo de problema. Foi basicamente igual entrar no Tinder: coloquei o que eu buscava, fotos e já recebi e-mail de confirmação".

Ela não saiu com ninguém até hoje mas conversou com alguns dos caras que a "favoritaram". "Muitos são casados e deixam claro no perfil que bancam, mas com descrição". A usuária ainda está estudando a possibilidade de conhecer seu "match" e se recusa a falar mal do site.

A fila para ser sugar mommy não demorou mais de dez minutos mas pra se conectar é preciso pagar. (foto: Reprodução)A fila para ser sugar mommy não demorou mais de dez minutos mas pra se conectar é preciso pagar. (foto: Reprodução)
O relato de uma sugar que hoje estuda Medicina as custas de seu sugar. (foto: Reprodução)O relato de uma sugar que hoje estuda Medicina as custas de seu sugar. (foto: Reprodução)

A propaganda para chamar atenção dos que ainda não fazem parte da "doce" plataforma é a seguinte: "O primeiro e maior site de relacionamento para Sugar Babys e Sugar Daddys do Brasil foi criado em 2015 com objetivo de reunir o estilo de vida ‘doce’ entre homens maduros, generosos e bem-sucedidos a mulheres jovens, atraentes e inteligentes e ambiciosas para relacionamentos verdadeiros, sempre com transparência, acordos pré-estabelecidos, expectativas alinhadas e benefícios mútuos. Atualmente, o Meu Patrocínio possui seis vezes mais mulheres do que homens cadastrados".

Se a descrição soa machista, muito do que rola lá dentro é explicitamente assim. Nossa sugar baby regional disse que já oferecem R$ 2 mil por uma noite com ela. O site tem uma plataforma dedicada, também, ao namoro gay, então promete não deixar ninguém de fora da brincadeira 

Alguns nomes de usuário deixam claro o porquê de estarem ali. Em um print recebido pela nossa equipe, identificamos um tal de "Morenopaugrande". Então, pelo jeito, a comunidade que aprova só não apoia pornografia nas fotos, mas o nome do usuário pode conter conteúdo sexual explícito.

Patrimônio pessoal? Até isso eles pedem no cadastro. (foto: Reprodução)Patrimônio pessoal? Até isso eles pedem no cadastro. (foto: Reprodução)
Sua expectativa de vida é qual? Simples ou ostentação? (foto: Reprodução)Sua expectativa de vida é qual? Simples ou ostentação? (foto: Reprodução)

No próprio site, em uma aba de "Relatos", muitos sugar babys contam suas experiências positivas com o Meu Patrocínio. É o caso da usuária identificada apenas por Amanda, no texto:

"Às vezes, nem eu acreditava no que estava vivendo. Minha vida deu uma reviravolta! Antes, era só uma estudante de cursinho solteira e doida para ser médica. Hoje sou uma universitária de uma das melhores faculdades particulares do Brasil e tenho ao meu lado um Sugar Daddy ideal."

Jennifer Lobo é a CEO do site e diz que a empresa é um sucesso porque mostra a revolução dos relacionamentos. "Hoje em dia as pessoas não tem mais tempo a perder com um parceiro errado, ou então, em busca de alguém em lugares como restaurantes, barzinhos ou academia. Na nossa plataforma a transparência e a honestidade são a base dos relacionamentos. Cada um descreve exatamente o que procura e o que quer em uma relação, criando uma oportunidade muito maior de se encontrar com alguém que tenha as mesmas expectativas”, diz a fundadora.

Opções de plano Elite. (foto: Reprodução)Opções de plano Elite. (foto: Reprodução)
Opções de planos Premium. (foto: Reprodução)Opções de planos Premium. (foto: Reprodução)

Nossa equipe experimentou tentar entrar no site e a aprovação foi imediata. Como Sugar Mommy, as mensagens eram proibidas de serem enviadas porque, ao vasculhar o mundo dos relacionamentos modernos, descobrimos que só mesmo pagando para conseguir conversar com a galera!

Para um mês de uso como "Premium" o preço cobrado é R$ 199,00, três meses o pacote sai a R$ 537,00 e, para 6 meses, R$ 894,00. Agora, para ser um usuário "Elite", em que o site  prova para as Sugar Babies que você pode arcar com a mais alta mensalidade, além de comprovar a sua idoneidade, com verificação dos antecedentes criminais, o valor aumenta e chega a  R$ 4.794,00 para seis meses.

Ao navegar pelo Meu Patrocínio a surpresa foi reconhecer alguns dos rostos dos sugar babys. Tem gente de Aparecida do Taboado, Coxim e até Aquidauana. Dos 18 aninhos aos 65, o perfil de usuários que buscam por um "amor" sincero é realmente surpreendente, e como já dizia Valesca Popozuda nos versos para o antigo grupo de funk Gaiola das Popozudas, tem muita gente atrás de "um otário pra bancar".

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Alguns usuários do Estado, os sugar babys do site. (foto: Reprodução)Alguns usuários do Estado, os sugar babys do site. (foto: Reprodução)


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