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Campo Grande, Sexta-feira, 21 de Fevereiro de 2020

22/09/2019 07:30

Fórmula para criar filho é mito, mas opção respeitosa é passo para boa relação

Especialista admite que é difícil encontrar um meio termo, mas é possível por meio da disciplina positiva

Danielle Valentim
Sala focada em cada ensinamento. (Foto: Kísie Ainoã)Sala focada em cada ensinamento. (Foto: Kísie Ainoã)

Só o nome da oficina "Não Aguento mais! O que fazer quando a gente já tentou de tudo?” já deixou os pais em alvoroço. Pela primeira vez, a educadora parental Ariane Osshiro, que também é especialista em comunicação não violenta e disciplina positiva, ajudou mães, pais e demais presentes a enxergar que não existe uma figura ideal dentro do lar.

O evento aconteceu de forma gratuita e reuniu mais de 60 pessoas nos períodos da manhã e tarde. Olhos e ouvidos atentos a cada palavra de Ariane mostrou o quanto cada pai se assemelha a outro.

“Foi gratuito por ser um presente. Faz muito tempo que não fazia algo gratuito e as pessoas me pediam muito para falar e eu decidi dar o curso agora, inclusive, nunca tinha feito nesse modelo em Campo Grande”, conta.

Neste momento, Ariane tinha esvaziado a garrafa com todos os acontecimentos do dia que castigam o emocional. Neste momento, Ariane tinha esvaziado a garrafa com todos os acontecimentos do dia que castigam o emocional.

Durante a oficina, Ariane realizou dinâmica em que os pais e demais participantes puderam expressar e entender quem seriam pais e filhos típicos e os ideais. A conclusão foi simples: não existe.

“A ideia é um “novo olhar para a infância” no sentido das relações, quem é essa criança, o que ela tem capacidade de responder ou não tem? E estamos cobrando de forma excessiva, quais as expectativas do adulto e da criança e como podemos olhar para a infância de maneira mais respeitosa”, frisa.

Há um caminho – Estudar sobre a disciplina positiva e a comunicação não violenta são os primeiros passos. As formas respeitosas de lidar coma criança podem ser classificadas, segundo Ariane, como formas de educação com controle interno que mudam a pessoa internamente.

É necessário que as crianças aprendam a fazer o certo, fazendo o certo e não a partir do medo. “Nós não vamos conseguir formar uma cultura de paz através do medo. Nós sempre aprendemos o formato de que ser bonzinho é bom, mas que ser bravo também dá certo, porque nossos pais foram assim. Mas tudo que é demais atrapalha. Então ficamos nesse pêndulo de um lado para o outro. E é muito difícil conseguir dosar, a maioria das vezes ficamos indo de um lado para o outro. Muitas vezes o permissivo vem depois da gente sentir culpa por ter sido autoritário”, pontua.

Jornalista Laryssa Macedo tem três filhos e assim que soube da palestra não pensou duas vezes em participar. (Foto: Divulgação)Jornalista Laryssa Macedo tem três filhos e assim que soube da palestra não pensou duas vezes em participar. (Foto: Divulgação)

Reconhecimento – A mãe não tem de saber tudo e a primeira coisa é reconhecer que precisa de ajuda. “Essa é uma coisa que todos precisam reconhecer, porque quando nos aproximamos das outras pessoas há uma universalidade da dor e enxergamos a dificuldade em comum e o problema é resolvido em conjunto”, pontua Ariane.

A jornalista Laryssa Macedo tem três filhos e assim que soube da palestra não pensou duas vezes em participar. Com a filha mais velha aos 5 anos, a participante está enxergando agora o quão importante é cuidar de si própria, para conseguir cuidar dos filhos.

“Eu fiquei sabendo da oficina pelo Instagram, porque já sigo a Ariane. Quando vi o tema, já disse a mim mesma que precisa assistir, principalmente, essa semana que foi bem cansativa. Eu nunca me aprofundei no tema, mas assim que ela começou a falar, me reconheci e isso já ajuda a recarregar. Quantas vezes acordo e nem o dente escovo, porque tenho de dar banho na Cecília (filha mais velha) e prepará-la para escola, quando vi já foi, não escovei o dente, não penteei o cabelo, então demorou cinco anos para eu entender que eu preciso me cuidar também”, ressaltou Laryssa.

Antigamente, blá, blá, blá... Ariane discorda totalmente da frase: Ah, mas antigamente funcionava.

“Não, não funcionava. Atualmente há um alto índice de suicídio, um alto índice de ansiedade e depressão, que vêm das relações parentais”, conta.

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