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Comportamento

Isabela saiu do cartório para levar o casamento até a avó acamada

Neta queria incluir Tuca na cerimônia e homenagear a pessoa que mais inspira sua vida

Por Natália Olliver | 10/06/2026 06:40
Isabela saiu do cartório para levar o casamento até a avó acamada
Isabela fez questão de avó acamada participar do casamento civil (Foto: Arquivo pessoal)

Se a avó não podia ir ao casamento, o casamento foi até ela. Quando a neta Isabela Cesar Corazza, de 31 anos, e o noivo Lucas Cabral Fimiani, 34, resolveram casar, sonhavam que Maria Assunção, a Tuca, estivesse na cerimônia. Como ela está acamada, o casal achou uma maneira de compartilhar o momento importante. Saíram do cartório de mãos dadas e antes de qualquer comemoração, foram direto encontrar Tuca. Foi assim que a cena mais importante daquele dia foi ao lado da avó.

RESUMO

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Isabela Cesar Corazza, de 31 anos, e Lucas Cabral Fimiani, de 34, levaram o casamento até a avó Maria Assunção, de 92 anos, acamada e com saúde fragilizada. Após assinar os papéis no cartório, o casal foi direto visitá-la, tornando aquele o momento mais importante da celebração. Para Isabela, a avó representa o modelo de amor e companheirismo que ela deseja construir no próprio casamento.

Aos 92 anos, Maria está com a saúde fragilizada, por isso ficou em casa, sob os cuidados da família. Mas, para Isabela, se havia uma pessoa que simplesmente não poderia ficar de fora daquele capítulo, era Tuca.

Isabela saiu do cartório para levar o casamento até a avó acamada
Isabela saiu do cartório para levar o casamento até a avó acamada
Antes e depois de Tuca e a neta, Isabela (Foto: Arquivo pessoal)

“Apesar de morarmos agora em Campinas, decidimos que seria aqui. Porque ela infelizmente não iria conseguir estar na festa, então queria compartilhar pelo menos esse momento do casamento civil com ela. Ela e meu avô representam o companheirismo que queremos no nosso casamento. Eles criaram uma família tão unida e com um amor tão grande uns pelos outros. Passaram por tantas coisas desafiadoras juntos e se mantiveram firmes e fortes. Eu gostaria de ter essa sabedoria de construir o mesmo”.

Para Isabela, os dois sempre foram mais do que avós. Eram exemplo. Daqueles construídos sem discursos prontos sobre amor, mas com décadas de parceria, desafios compartilhados, filhos, netos e uma vida inteira caminhando lado a lado. Foram 63 anos de casamento até que a vida levou Diogo.

“Meu avô teve um infarto fulminante e infelizmente faleceu. Foi exatamente um mês depois de fazermos uma festa de aniversário de 92 anos dos dois, e eles estavam tão felizes, mesmo a vó não tendo 100% de consciência que a festa era dela”.

Isabela saiu do cartório para levar o casamento até a avó acamada
Isabela saiu do cartório para levar o casamento até a avó acamada
Noivos fizeram festa em São Paulo e o casamento civil em Campo Grande por Tuca (Foto: Arquivo pessoal)

Há alguns anos, Tuca começou a apresentar sinais de demência mais avançada. Os médicos chegaram a diagnosticar o quadro como Alzheimer, mas depois descartaram essa hipótese pela evolução dos sintomas.

“Chegou a um momento que ela realmente foi esquecendo quem era quem, exceto do meu avô. O quadro ficou estável, sem progressão por anos até que no final de agosto de 2025, depois da perda do meu avô, ela piorou muito. A doença progrediu assustadoramente. Ela parou de andar, comer e falar. Buscamos tratamento mas o quadro não se reverteu. Atualmente, ela é acamada, a alimentação é por gastrostomia e ela quase não fala mais”.

Para a neta, o momento de fazer a avó participar da cerimônia foi mágico. O marido é tão apegado a Tuca quanto a própria neta. A proximidade é motivo de acalento e emoção para Isabela.

“Acho que foi quando eu percebi que amava mesmo ele. Lucas é muito carinhoso, do jeitinho dele, está sempre se mostrando presente e escutando. E ele fez isso com meu avô até o fim da vida dele e segue fazendo isso com ela. É diferente quando alguém acolhe assim sua família. Ele sempre tratou meus avós, meus pais, tios, primos e sobrinhos com tanto carinho, que eu fico até emocionada em falar”.

Isabela saiu do cartório para levar o casamento até a avó acamada
Isabela saiu do cartório para levar o casamento até a avó acamada
Orgulho de netos é saber que avó construiu uma família unida e cheia de amor (Foto: Arquivo pessoal)

A história de Isabela e Lucas começa em 28 de dezembro de 2021, durante uma viagem para Pipa, no Rio Grande do Norte. Hoje eles percebem que se encantaram um pelo outro exatamente na mesma data em que Tuca e Diogo haviam se casado, em 1961.

Quase 5 anos depois, o casal oficializou a união cercado pela família e carregando consigo um legado que começou muito antes deles. A visita após o casamento não foi apenas um encontro entre avó e neta. Foi uma forma de juntar passado e futuro na mesma sala. A cena mais importante não aconteceu no cartório, mas ao lado da cama da avó.

“Ela é meu modelo, minha inspiração de vida. Minha vó, para mim, é o exemplo de uma mulher de um coração enorme e de muita força, que construiu tudo em conjunto com meu avô, bens materiais e não materiais. Estes últimos são os que me geram mais orgulho. Nossa família é e sempre foi muito unida”.

Ela recorda com carinho a infância, nas férias escolares, quando o irmão e os primos seguiam para a fazenda dos avós, em Bela Vista (MS), numa contagem regressiva que parecia não acabar nunca. Era lá que a vida tinha cheiro de chipa saindo do forno, gosto de Nescau servido às 16h e o som das gargalhadas provocadas pelo famoso “abraço mixuruca” do avô, uma mistura de abraço e cócegas que ele dava em cada neto na chegada.

Ao fim das férias, havia outro ritual. Tuca fazia queijo com cada uma das crianças, para que levassem para casa. “Não tem lembrança que mais marcou minha infância do que essa. Acho que é uma das recordações mais felizes que tenho”, conta.

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