Galo Alcione dorme na cama e ajuda menina de 10 anos a enfrentar o luto
Companheiro inseparável de Ana, o animal entrou na vida da família por acaso e virou apoio emocional
Alcione não late, não abana o rabo e nem costuma ser o animal de estimação dos sonhos de uma criança. O galo preto conquistou um lugar especial na vida de Ana, de 10 anos, virou companheiro inseparável e a ajudou a enfrentar o luto pela perda da avó.
RESUMO
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Ana, de 10 anos, encontrou no galo Alcione um companheiro inseparável que a ajudou a superar o luto pela perda da avó. O animal chegou à família em 2024, quando a menina o trouxe de uma escola com mini fazenda. Inicialmente acreditado ser fêmea, o pintinho recebeu o nome de uma cantora de MPB. Hoje, Alcione dorme ao lado de Ana, anda de carro e tem hábitos incomuns, como comer iogurte de morango e sinalizar sede bicando superfícies lisas.
A história começou em 2024, quando Ana estudava em uma escola que promovia atividades de interação com os animais em uma mini fazenda. Entre galinhas, tartarugas e outros bichos, dois pintinhos chamaram a atenção da menina. Encantada, ela pediu à mãe, a veterinária Luana da Silva, de 39 anos, autorização para levar um deles para casa.
"Ela pediu pra mim se podia pegar um. Eu pensei que nem seria possível, porque tinha muita criança e só dois pintinhos. Mas ela falou com a diretora, que acabou deixando, e eu não tive muito o que fazer", relembra Luana, entre risos.
No início, a família acreditava que o animal era uma fêmea. Como Ana sempre gostou de MPB, samba e pagode, resolveu homenagear uma de suas cantoras favoritas e deu ao pintinho o nome de Alcione.
A surpresa veio algumas semanas depois. "Um dia eu estava lavando louça quando ouvi um cocoricó bem alto. Pensei: 'Não acredito que isso é um galo'. Foi assim que descobrimos que a Alcione, na verdade, era um galo", conta a mãe, bem-humorada.
Desde os primeiros dias, Ana criou um vínculo intenso com o novo companheiro. Luana acreditava que o entusiasmo da filha seria passageiro e que, conforme o pintinho crescesse, o interesse diminuiria. A previsão não se confirmou. Alcione conquistou definitivamente seu espaço na casa e hoje é tratado como um integrante da família.
A chegada do galo coincidiu com um dos momentos mais difíceis vividos por elas. Pouco antes, em janeiro de 2024, Ana perdeu a avó, dona Adélia da Silva, com quem mantinha uma relação muito próxima. Emocionada, Luana lembra que foi justamente a mãe quem despertou na família o amor genuíno pelos animais.
"Minha mãe sempre acolheu animais rejeitados. Tinha gato sem perna, sem olho, animais que ninguém queria. Acho que foi por causa dela que eu e meu irmão escolhemos cursar Medicina Veterinária. A Ana herdou isso dela."
O período foi delicado para a menina. Abalada pela perda da avó, Ana encontrou em Alcione um novo motivo para sorrir. Como ainda era um pintinho, o animal exigia cuidados constantes. Alimentação e atenção faziam parte da rotina diária, o que ajudou a ocupar a mente da criança durante o processo do luto. Hoje, o galo foi reconhecido, com um laudo médico, como um animal de suporte emocional.
Na casa, Ana já convivia com dois gatos, Bigodita e Morcego, mas Alcione acabou se tornando um companheiro inseparável e muito respeitado pelos bichanos. Dorme ao lado da menina, acompanha sua rotina pela casa, espera na porta do banheiro, anda de carro com elas e até tema do aniversário da garotinha ele já foi.
A rotina do galo também foge do comum. Em vez de fazer grandes refeições, Alcione prefere beliscar pequenas porções ao longo do dia. Sempre que Ana pega uma fruta ou um pedaço de pão para comer, precisa separar alguns pedaços para ele. Entre as preferências mais curiosas está o iogurte de morango e o milho é o seu favorito.
Com o tempo, a família também percebeu que Alcione aprendeu a demonstrar o que precisa. Quando está com sede, por exemplo, costuma bicar a tela de um celular ou outra superfície lisa, sinalizando que quer uma vasilha com água. Para se limpar, ele toma banho de poeira, esfregando-se na terra do quintal, o que ajuda na limpeza das penas, no controle de parasitas e ainda relaxa o animal.
A mãe acredita que ele as enxerga como família e que, por ter crescido com humanos, o comportamento dele é totalmente diferente do das outras galinhas. Muito dócil e calmo, ele se adaptou à rotina delas, passa a maior parte do tempo dentro de casa e tem gostos e opiniões próprias.
“Fora a ração, ele come muita fruta, pães e sementes, mas tem que ser sem casca porque o bonito não gosta. No começo, pensei que ele fosse me ajudar com os insetos, comer baratas, besouros… me enganei! Hoje, ele é o rei e principal atração dessa casa, os amigos só querem saber dele. Nós somos apenas meros mortais.”, brinca.
Apesar do grande amor pelos animais, Ana não pretende seguir os passos da mãe. Ela conta que, por gostar muito deles, não conseguiria vê-los sofrendo ou sendo mal tratados. Para a menina, o galo representa muito mais do que um animal de estimação, e um pouco da saudade que ela sente é suprida com a presença do animal.
"Quando ele chegou, virou como se fosse um irmão para mim. Eu conversava com ele, fazia carinho, ele estava sempre junto nas brincadeiras. Foi como se tivesse ocupado um pouco o lugar da minha avó. Acho que ele veio para me ajudar a passar por essa fase e aliviar a saudade. Hoje, ele é o amor da minha vida!", finaliza.

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