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Campo Grande, Segunda-feira, 20 de Agosto de 2018

09/12/2016 06:05

Luis ganhou o título de presidente e hoje é dono da própria cadeira no bar

Thailla Torres
No bar preferido, Luis é chamado de presidente, tem uma cadeira só para ele e conquista amigos por onde passa. (Foto: Alcides Neto)No bar preferido, Luis é chamado de presidente, tem uma cadeira só para ele e conquista amigos por onde passa. (Foto: Alcides Neto)

Todo sábado é a mesma cena. Seu Luis chega ao bar preferido às 11h30 e é recebido com prestígio. Quem olha de fora, pode até o imaginar como autoridade, mas foi a alegria do aposentado que o fez conquistar um lugar especial ali. Tanto, que dentre os demais clientes, ganhou o título de presidente e já é dono da própria cadeira no bar.

“Sou moleque o tempo todo", justifica Luis Guilherme de Pinho, sobre o jeito extrovertido que conquista as pessoas. Aos 70 anos, leva uma vida tranquila, regada a sorriso e conversas no bar Indez, na Rua Antônio Maria Coelho, lugar que ele frequenta há 10 anos. 

"Quando começamos a frequentar, dissemos que aqui era nosso asilo. Todo sábado a gente vem para tomar cachaça e conversar. Sempre foi uma farra. Só que um belo dia, um dos amigos disse que me faria ser o presidente do lugar. Foi na brincadeira, mas a ideia acabou pegando", ri.

Foi o sorriso e alegria de Luis que chamou atenção. (Foto: Fernando Antunes) Foi o sorriso e alegria de Luis que chamou atenção. (Foto: Fernando Antunes)

E ele entrou cada vez mais na brincadeira. Chegou a levar um martelo para bater na mesa toda vez que os amigos entravam em debate. "Eu dizia que tinha que botar ordem na casa e me disseram que seria empossado definitivamente", lembra.

Depois de um tempo, decidiu ter uma cadeira diferente e foi às compras. "Sempre levava o negócio na molecagem, mas queria uma cadeira diferente e comecei a frequentar loja de móveis usados para ver se achava, mas não encontrei". 

De tanto de falar da cadeira, o presente veio da esposa. "Minha mulher resolveu me dar e me levou de surpresa a um antiquário. Chegou lá e disse que eu poderia escolher. Acabei achando dois tipos e pedi para testar as duas no bar. Lá, Geraldo, garçom mais antigo, foi quem elegeu a que mais combinava comigo. Aí começou a brincadeira de verdade e toda vez que eu chego no bar, ela já está posicionada bonitinha", descreve.

Por merecimento, Luis tem um cantinho todo especial, mas ali muitos dos clientes também são frequentadores antigos. Só na mesa em que ele senta, os amigos são de longa data e tem algo em comum: a cachaça. "É a única bebida que eu tomo", ressalta.

Cadeira fica em um ambiente especial do bar. (Foto: Alcides Neto)Cadeira fica em um ambiente especial do bar. (Foto: Alcides Neto)

E não há nada que o faça desistir do 'compromisso', define. "As vezes a mulher tenta fazer um feijoada aqui em casa, chama uma visita. Mas eu dou um jeitinho de passar lá e deixo avisado pra ela: Assim que você estiver fritando a couve, me avisa que em 5 minutinhos eu volto pra casa", brinca.

O bar para ele é a segunda casa. Mas a inspiração que vem de Luis é a sabedoria para viver como se a juventude fosse permanente. "Não tenho porque deixar de ir ao bar. As pessoas reclamam muito das coisas e acabam não vivendo", garante.

Hoje, só ele senta na cadeira que fica guardada no caixa quando Luis não está. "Mas claro que se chegar alguém lá e quiser sentar pode", garante. 

Sem nunca ter desperdiçado um sábado, ele também não abre mão da sinuca que faz parte da rotina diária. Ele topou dar entrevista durante uma tarde, mas avisou que às 17h30 tinha compromisso inadiável no bilhar. "Se atraso meia hora, a atendente me liga perguntando o que aconteceu", conta.

Um dos sábados com os amigos na mesa do bar. (Foto: Arquivo Pessoal)Um dos sábados com os amigos na mesa do bar. (Foto: Arquivo Pessoal)
No bar e restaurante já ganhou até título de rei na brincadeira. No bar e restaurante já ganhou até título de rei na brincadeira.

Além da cadeira, até a bebida já foi comprada por ele durante um período no bar. "Eu não tomava a cachaça daqui, pedia para o meu irmão mandar por Sedex lá de Minas Gerais. Ai eu levei para o Indez e tomava minha própria cachaça, mas depois de um tempo parei de incomodar e passei a tomar a cachaça daqui. Não teve jeito", brinca.

Luis é mineiro, nascido em Juiz de Fora e engenheiro formado. Trabalhou em Florianópolis, Rio de Janeiro e chegou a Campo Grande há mais de 20 anos. Aposentado desde 1996, fala da energia que tem de sobra aos 70 anos. "Eu já tenho praça", diz sobre a experiência de vida.

"Isso que as pessoas acham simpático em mim, acontece o tempo todo. Para tudo eu sou brincalhão, gosto de sorrir e de viver, esse é o meu jeito. O segredo? Acho que não tem, nem sei dizer, só gosto dessa minha rotina e dos meus compromissos", afirma.

Cheio de saúde, a disposição ainda deve garantir muitos sábados com os amigos no bar. "A minha única diferença é a vontade de viver. Não tem outra coisa", declara.

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