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Campo Grande, Domingo, 26 de Maio de 2019

12/05/2019 08:05

Luiz Felipe partiu, mas deixou saudade na tia que guarda roupas até hoje

O bebê viveu dez meses, tempo suficiente para despertar o amor incondicional de Letícia

Alana Portela
Letícia e Luiz Felipe se divertiam sempre quando estavam juntos (Foto: Arquivo pessoal)Letícia e Luiz Felipe se divertiam sempre quando estavam juntos (Foto: Arquivo pessoal)

O que tem pra hoje é saudade. Luiz Felipe viveu pouco, mas o suficiente para despertar o amor incondicional na tia e madrinha, Letícia Santos, 22. Ela é formada em Educação Física, mora no bairro Residencial Flores de Campo Grande e relata que foram dez meses, do nascimento ao gatinhado. O bebê era a motivação da família, enchia a casa de alegria brincando, sorrindo, arriscando as primeiras palavras e até “brigava” com o cachorro. O neném virou estrelinha no céu em fevereiro de 2017, enquanto isso a titia guarda algumas roupas, brinquedos, creme e sabonete como recordação.

“Erámos próximos. Desde os 15 dias de vida, já estava lá o visitando. A mãe dele, Lidiane é minha irmã mais nova e passou a morar comigo depois do natal de 2016. Na época, eu e ele brincávamos. Estava preparando o aniversário de um ano”, recorda a tia. Ela relata que Luiz Felipe nasceu em Miranda, cidade a 206 quilômetros da Capital.

Letícia mora em Campo Grande desde 2014, e ao ser informada da gravidez da irmã, que naquele tempo tinha 16, ficou preocupada. “Quando descobri a gravidez fiquei nervosa porque a minha irmã estava estudando ainda, não era casada. Mas ela sempre quis ser mãe e estava, depois não teve problemas”.

O pouco tempo que conviveu com Luiz Felipe marcou e hoje, dois anos depois, Leticia recorda que o pequeno era esperto, estava gatinhando, quase andando e além disso, tentava conversar. Para continuar com as boas lembranças do sobrinho, ela guarda em sua casa alguns brinquedos e roupas. Enquanto é entrevistada, a tia mostra um dos primeiros macacões usados por Luiz. “Lembro dessa peça, a minha irmã tirava muitas fotos dele usando, parecia um bonequinho”, disse.

A educadora física se emociona ao lembrar do sobrinho (Kisie Ainoã)A educadora física se emociona ao lembrar do sobrinho (Kisie Ainoã)

Letícia retira alguns objetos que estavam guardados em um dos quartos de sua casa e leva para sala, dentro de uma boia infantil. Ela recorda das coisas que Luiz Felipe gostava e usava, dentre elas, está o seu primeiro presente, uma saída de maternidade. “Nasceu na manhã do dia 11 de março. Dei a roupa para usar. Depois comprei uma piscina de Dia das Crianças, ele aproveitou bastante. Tem um chocalho que ganhou e gostava muito também”.

“Ainda guardo um chocalho, creme e o último sabonete dele, que ficou na piscina. Tinha muito mais coisas, mas dei”, disse. Todos da família somos apegados”, disse. “Era uma criança muito alegre, fomos ao shopping e as pessoas chegavam perto. Era bem tranquilo”.

Sobre um momento marcante, a tia conta que tem um cão chamado Urso, que morria de ciúmes de Luiz. “O cachorro não gostava que ficasse perto de mim. Morria de ciúmes. Quando estavam no meu quarto, os dois tinham que estar juntos, queriam ficar em cima da cama. Certa vez o Urso fez xixi no cobertor do Luiz”, lembra.

O casaco de saída de maternidade, chocalho, creme, sabonete e a boia de Luiz Felipe ainda estão na casa da tia (Kisie Ainoã)O casaco de saída de maternidade, chocalho, creme, sabonete e a boia de Luiz Felipe ainda estão na casa da tia (Kisie Ainoã)
A tia coloca os objetos no sofá e recorda dos momentos que passou ao lado do pequeno Luiz (Foto: Kisie Ainoã)A tia coloca os objetos no sofá e recorda dos momentos que passou ao lado do pequeno Luiz (Foto: Kisie Ainoã)

Falecimento - Se perder um ente querido não é fácil, pior ainda é quando o fato acontece de forma precoce. Luiz Felipe faleceu em fevereiro de 2017, após ter duas paradas cardíacas em casa. A mãe e a tia Letícia tentaram reanimar o bebê, levaram para o UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Leblon, que depois foi transferido para o Hospital Regional. Após três dias lutando para sobreviver, o sobrinho não resistiu.

“Era meu primeiro sobrinho. Minha irmã tinha 18 anos, ele ficou um mês com a gente e lá pelo dia 27 de janeiro, minha irmã fez o leitinho. Ele mamou por volta das 5h da manhã, como sempre, todos dormiram e deu broncoaspiração nele”, lembra. Broncoaspiração é uma condição em que alimentos, líquidos, saliva ou vômito são aspirados pelas vias aéreas.

Com lágrimas nos olhos, Letícia relata o pior dia de sua vida. “Ele não acordou. Minha irmã correu para o meu quarto e entregou ele pra mim. Contudo estava bem roxinho. Realizei os primeiros socorros, depois levamos para o UPA. Ele ficou cerca de uma hora e meia desacordado, sem ninguém notar até que a mãe dele percebeu”.

Na unidade de pronto atendimento, por volta das 7h daquele dia, os médicos conseguiram reanimá-lo. “Nisso contaram que ele teve duas paradas cardíacas. Depois transferiram para o hospital onde ficou internado por três dias. O coração voltou a bater, mas ele não reagia”, recorda a tia da angústia de ver o sobrinho nessa condição.

Luiz não desgrudava da tia (Foto: Arquivo pessoal)Luiz não desgrudava da tia (Foto: Arquivo pessoal)
Letícia acompanhou o desenvolvimento do sobrinho (Foto: Arquivo pessoal)Letícia acompanhou o desenvolvimento do sobrinho (Foto: Arquivo pessoal)

Pressentimento - Um dia antes do ocorrido, Letícia relata que Luiz Felipe se divertiu muito. No entanto, ela e a mãe do bebê não estavam se sentindo bem. “A gente acordou, limpou a casa. A Lidi sentou na minha cama, porque ele estava dormindo nela. Eu disse que estava se sentindo ruim, ela falou que também estava e decidimos dormir. No período da tarde, fomos visitar uma amiga no centro. Quando retornamos, ficou no meu colo, jantou e o fiz dormir”, lembra.

“Costumava levantar de madrugada com a minha irmã para ajudar a alimentá-lo. Enquanto ela preparava o leite, eu o segurava para não chorar. Nesse dia, não levantei. Ela fez o leite, deu pra ele, mas quando foi perceber ele já estava roxo”.

Após o falecimento de Luiz Felipe, sua irmã entrou em desespero, sofreu pela perda do filho. “Foi um período muito difícil. Ela sempre quis ser mãe, não suportava a dor. Gostava de ser babá, ser mãe era um sonho dela”. Letícia também ficou desolada, chorou por semanas, porém precisa ser forte pela irmã.

Dois anos depois do ocorrido, a irmã de Letícia está casada e deu à luz a uma menina, em abril. A ligação entre a tia e a sobrinha continua. “A vi três vezes, quando estive em Miranda. Fiquei com medo dela fazer comparações quanto a quem eu gosto mais. Ficou depressiva”, conta. O amor pela sobrinha e também afilhada é único e não existe um “padrão” de quem ama ou amou mais.

Outra situação vivida pela tia, foi a mudança de casa. Um ano depois do falecimento do sobrinho, precisou mudar de residência. “Não aguentei mais. Mexia com meu físico, passava o dia inteiro estressada, com dor de cabeça”, relata.

Atualmente os ânimos na família já estão mais calmos. Sua irmã retornou para Miranda, mas a cumplicidade entre as duas continuam. Hoje, Letícia relata que falar de Luiz Felipe ainda aperta o peito. “Tenho mais saudade do que tristeza. Era muito criança, tínhamos uma relação muito próxima, que pesou bastante depois’, disse.

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Letícia a direito ao lado do sobrinho e da irmã, Lidiane (Foto: Arquivo pessoal)Letícia a direito ao lado do sobrinho e da irmã, Lidiane (Foto: Arquivo pessoal)


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