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Comportamento

Mãe transforma cerimônia judia e faz “Bar Barakah” para despedida de Duda

Com corredor de bençãos, família desejou tudo de melhor para Duda que foi estudar Engenharia Ambiental no Paraná

Por Paula Maciulevicius Brasil | 13/03/2020 06:12
Duda ao centro do corredor recebendo bençãos de amigos e familiares. (Foto: Kísie Ainõa)
Duda ao centro do corredor recebendo bençãos de amigos e familiares. (Foto: Kísie Ainõa)

Inspirada pelo Bar Mitzvá, cerimônia judia que marca um ritual de passagem, a mãe e médica Rúbia Borges Loureiro, adaptou a celebração para a despedida da filha Maria Eduarda Borges, que aos 17 anos foi cursar Engenharia Ambiental na UFPR (Universidade Federal do Paraná). De surpresa, a festa aconteceu no salão de festas do prédio onde a família mora e reuniu amigos e parentes mais íntimos. 

Religiosa, Rúbia explica que a ideia foi de resgatar o que tem ficado para trás. "Na nossa cultura moderna, ele foi esquecido. O ritual tem o intuito de abençoá-la para que os caminhos dela sejam os melhores possíveis. Não tem nada neste mundo que eu deseje mais que isso", descreve a mãe.

Tendo como base o livro "Bar Barakah", de Craig Hill, a mãe pode preparar a cerimônia seguindo o passo a passo do ritual que vem a ser cristão. "Na língua hebraica, o Bar Barakah e Bat Barakah significam "Filho da benção" e "filha da benção". Usando as palavras do autor, a médica explica que pais de diferentes partes do mundo têm redescoberto a necessidade de abençoar seus filhos e de liberá-los para a fase adulta. 

Na chegada, o abraço da mãe. (Foto: Kísie Ainõa)
Na chegada, o abraço da mãe. (Foto: Kísie Ainõa)
E o das amigas. (Foto: Kísie Ainõa)
E o das amigas. (Foto: Kísie Ainõa)
Emocionada, Duda não desconfiava de nada. (Foto: Kísie Ainõa)
Emocionada, Duda não desconfiava de nada. (Foto: Kísie Ainõa)
Cerimônia foi pequena para que todos pudessem abraçá-la e também falar palavras de carinho. (Foto: Kísie Ainõa)
Cerimônia foi pequena para que todos pudessem abraçá-la e também falar palavras de carinho. (Foto: Kísie Ainõa)

"Ela estava indo para Curitiba e eu queria fazer isso antes dela partir. Faço alguns cursos de educação de filhos na igreja onde frequento e um dos cursos eu escutei esse termo e fiquei curiosa, quando li o livro realmente entendi o significado", fala.

A desculpa para a filha não desconfiar da cerimônia foi um jantar só das duas. E na hora de descer, Rúbia disse à menina que precisava deixar uma Bíblia, a pedido da vizinha, no salão de festas. "Quando a gente chegou e ela viu a tia Valdelice, cunhada da minha mãe, ela chorou, chorou e daí foi aquele chororô, porque ela entendeu que era a despedida e não imaginava nada daquilo", relata a mãe.

Com louvores que a adolescente tinha escolhido para uma playlist que a mãe queria fazer para a viagem, o ritual foi aberto depois de cada abraço recebido. "Participaram os parentes mais próximos, os que temos mais vínculos, porque tem que ser pequena, é uma cerimônia para todo mundo falar e abençoar". Os amigos que não estiveram presentes, mandaram as bençãos através de um vídeo.

Quando Duda nasceu, Rúbia tinha 22 anos e, ao olhar para a relação das duas, a mãe fala orgulhosa sobre o que elas têm mais em comum. "A vontade de ajudar, de defender os menos favorecidos. De lutar por eles, nisso a gente é muito parecida. Sempre ficamos do lado do mais fraco, sabe? Estar do lado do mais fraco não quer dizer concordar com tudo o que ele faz, mas dar carinho", diz.

Homenagens marcaram toda cerimônia. (Foto: Kísie Ainõa)
Homenagens marcaram toda cerimônia. (Foto: Kísie Ainõa)
Irmã, Cynara roubou a cena ao chorar pela partida de Duda. (Foto: Kísie Ainõa)
Irmã, Cynara roubou a cena ao chorar pela partida de Duda. (Foto: Kísie Ainõa)
Família em oração. (Foto: Kísie Ainõa)
Família em oração. (Foto: Kísie Ainõa)

E o que tem de mais diferente? A mãe ri e fala: o inglês. "Ela fala inglês maravilhosamente bem, e eu estou há 40 anos tentando aprender", brinca. A resposta válida vem mesmo quando Rúbia descreve a filha como cautelosa. "A Maria Eduarda é uma pessoa totalmente cautelosa, ela pensa muito na hora de falar, isso é o que eu mais admiro nela e o que temos de mais diferente. Uma qualidade maravilhosa dela que eu não tenho".

Percebemos a cautela de Duda até na hora de responder às nossas perguntas. A escolha pelo curso se deu depois que a estudante viu a grade e gostou de todas as disciplinas que tem pela frente. "E também porque foi o resultado de, literalmente, todos os testes vocacionais que eu fiz", fala.

Decidir estudar longe de casa, do que agora é a casa só da mãe, e não mais dela, foi dar uma chance para viver o novo em uma cidade diferente e pela qual Duda se encantou, Curitiba.

A cerimônia foi uma surpresa muito grande e pode-se reparar pelas imagens o quanto emocional a adolescente. "Eu não tinha noção nenhuma do que estava acontecendo, eu só vi um monte de gente reunida lá e falei: 'ué?' Me emocionei bastante", conta.

Da festa, Duda que já está em Curitiba estudando, levou na bagagem todo carinho recebido de quem realmente se importa com ela. "Ter reunido os meus melhores amigos, meu avô, meus tios, meus primos mais próximos, isso foi a parte que eu mais me emocionei. Quando cheguei lá e vi todo mundo e a minha mãe, que é tudo pra mim, é a minha âncora".

Depois das homenagens e louvores, cada um da família desejou para Duda coisas boas, inclusive a irmã caçula Cynara, que roubou a cena ao dizer, entre lágrimas, "que achava que esse dia nunca chegaria".

A cerimônia terminou com um corredor de bençãos e muito amor para a nova fase de Maria Eduarda.

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