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Campo Grande, Terça-feira, 22 de Outubro de 2019

28/06/2019 06:38

Marcelo teve o carro destruído em acidente e saiu “sem nenhum” arranhão

Acidente aconteceu há uma semana, na BR-262, quando Marcelo voltava de Corumbá para Campo Grande.

Thailla Torres
Carro ficou destruído na BR 262 após o motorista perder o controle da direção. (Foto: Arquivo Pessoal)Carro ficou destruído na BR 262 após o motorista perder o controle da direção. (Foto: Arquivo Pessoal)

Marcelo tem 36 anos de vida e 9 dias de renascimento. O terço quebrado que leva nas mãos e o joelho com pinos após cirurgia ficaram do acidente gravíssimo sofrido no dia 19 de junho, na BR-262, quando voltava de Corumbá para Campo Grande. Hoje, ao olhar o carro destruído nas fotografias, ele não cansa de responder como sobreviveu.

Com uma família que sempre foi unida e o desejo incessante de ver os dois filhos crescerem, a história de vida de Marcelo passou como um filme em sua cabeça enquanto tentava recuperar o controle da direção no KM 571 da BR-262, a poucos quilômetros de Miranda.

O trecho da estrada foi recapeado há poucos dias e o desnível no limite entre a pista e o acostamento pode ter ocasionado o acidente, suspeita Marcelo. “Eu senti quando minha roda traseira caiu nesse desnível, é como se houvesse um degrau entre a pista e o acostamento. Nesse momento, tudo aconteceu. Perdi a direção do carro e bati”, conta Marcelo Couto Paes, de 36 anos, representante comercial.

Marcelo não cansa de explicar como saiu vivo do veículo. (Foto: Paulo Francis)Marcelo não cansa de explicar como saiu vivo do veículo. (Foto: Paulo Francis)

Os segundos que antecedem a batida em três árvores após cair numa ribanceira são lembrados com detalhes pelo representante. “Eu lembro muito bem de três tentativas antes de pensar que eu iria morrer. A primeira foi tentar recuperar a direção quando vi que meu carro estava indo de um lado para o outro. Quando vi que não conseguiria, tentei frear, mas não adiantou. Em seguida olhei para o meu terço e perguntei por que tudo aquilo estava acontecendo comigo e bati”, descreve.

O que ele se lembra, passado isso, era de olhar para o lado e se dar conta da destruição. “Foram poucos segundos para pensar direito. Mas quando olhei vi o carro todo destruído, atrás de mim, uma árvore que por pouco não atingiu minha cabeça. À minha frente, o volante, que pouco não atingiu o meu peito. Fiquei em um espaço minúsculo, que parecia sob medida para que nada me atingisse”, conta.

A descrição de Marcelo parece com que a gente vê nos filmes, mas não acredita o quão surreal pode ser vivê-la. “Sabe aquelas cenas de filme em que as coisas passam câmera lenta? Pois é, contando parece que tudo isso durou minutos, mas foram pouquíssimos segundos. Hoje, após mais de uma semana, eu consigo detalhar porque refiz cada instante na minha cabeça”.

Representante de medicamentos de uma indústria conhecida no mundo, Marcelo viaja toda semana até o interior para falar dos produtos a médicos, especialistas e farmácias. O trajeto que costuma fazer é para Coxim, Corumbá e Três Lagoas. Em nove anos de emprego, nunca sofreu um acidente na estrada. “Sempre fui muito prudente e pensei na minha família na hora de pegar a estrada. A representação é uma profissão que eu amo, então nunca tive pressa de chegar a algum lugar porque estava feliz com o meu trabalho. Por isso, a última coisa que eu imaginava era sofrer um acidente de carro”.

Carro bateu em árvores e por pouco não foi partido ao meio. (Foto: Arquivo Pessoal)Carro bateu em árvores e por pouco não foi partido ao meio. (Foto: Arquivo Pessoal)
Depois de retirado da ribanceira, é possível ver que só a janela do motorista não quebrou. (Foto: Arquivo Pessoal)Depois de retirado da ribanceira, é possível ver que só a janela do motorista não quebrou. (Foto: Arquivo Pessoal)

Marcelo conta que saiu de Corumbá por volta das 8h30 da manhã e o acidente aconteceu uma hora e quarenta minutos depois. No mesmo quilômetro, viajava uma colega de trabalho, da mesma empresa, que viu pelo retrovisor quando Marcelo saiu da pista e caiu a ribanceira. “No momento que eu bati, poucos segundos depois ouvi a Nayara gritando e pedindo por socorro. Não demorou muito e apareceram pessoas para me ajudar”.

O socorro foi feito por motoristas e empresários de Miranda que passavam pelo local. Foram cerca de 30 minutos para conseguirem tirar Marcelo do carro. O sangue que descia pelo seu rosto era de um caco de vidro que o atingiu na cabeça. Fora isso, a perna doía após ter ficado presa nas ferragens. “Quando eu olhei o carro e tive noção da destruição, eu me senti vivo. A perna doía muito, mas eu quase não acreditava que consegui sair ileso daquela cena”.

Marcelo foi levado pelas pessoas que o socorreram até o hospital de Miranda. Exames constatam uma fratura no joelho direito e ele foi liberado para realizar todos os procedimentos em Campo Grande.

A Polícia Rodoviária Federal também foi até o hospital pegar o depoimento e realizar o teste do bafômetro em Marcelo. “Inclusive, essa é uma das principais perguntas seguidas de ‘você dormiu?’ ou ‘estava correndo?’. Mas, não, eu não dormi, não bebi e estava dentro da velocidade”.

Depois que o carro foi guinchado e os procedimentos no hospital terminaram, Marcelo seguiu viagem até Campo Grande no carro da amiga. “Aqui precisei fazer uma cirurgia no joelho e coloquei um curativo na cabeça. Fora isso, estou bem, sem nenhum arranhão”.

Marcelo mostra o terço que carrega no carro e que ele segurou no momento do acidente. (Foto: Paulo Francis)Marcelo mostra o terço que carrega no carro e que ele segurou no momento do acidente. (Foto: Paulo Francis)

Ainda incrédulo, o representante quis ir até a concessionária ver o que sobrou do veículo que há poucos meses havia comprado. “Eu fiquei sem acreditar. Parece surreal como eu pude sobreviver e estar aqui para contar tudo isso”.

Três semanas antes do acidente, após um longo período corrido com o trabalho, Marcelo conta que foi à novena, levou a fotos dos filhos e a chave do carro para abençoar. No caminho para Corumbá, também ajeitou a posição do banco do carro que estava mais deitado e escapou centímetro da árvore que “dividiu” o veículo e o terço que carrega no retrovisor foi dado pela mãe. “Esses detalhes podem ser apenas coincidências da vida, mas, por um momento, cheguei a pensar que eu estava sendo preparado, porque não era a minha vez de partir”.

O acidente, a sensação de quase ter partido e o filme que passou diante dos olhos de Marcelo, fizeram com que ele desse mais valor, não só da boca para fora. “Eu sempre fui um cara que dei valor as coisas, a minha família, aos meus filhos, a minha profissão e amigos. Mas a vida mostra que a gente sempre pode dar mais e o nosso melhor. Talvez isso tenha sido um aviso para eu fortalecer tudo o que sou, não sei. Mas a verdade é o meu coração não é mais como antes. A gente fica com uma visão diferente das coisas”, finaliza.

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