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Campo Grande, Sábado, 19 de Outubro de 2019

21/09/2019 08:59

Meninas são desafiadas e querem criar games por representatividade feminina

As estudantes do Instituto Federal do Estado participaram da palestra sobre o desafio "Change the Game" organizado pelo Google

Alana Portela
As estudantes colaram na parede as ideias e dificuldades que sentem para criar um game(Foto: Assessoria de Comunicação Social/IFMS)As estudantes colaram na parede as ideias e dificuldades que sentem para criar um game(Foto: Assessoria de Comunicação Social/IFMS)

Dar visibilidade à mulher e ao público LGBT (Lésbica, gay, bissexual, transexual, etc), ideias não faltam para as acadêmicas do IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul). Elas foram desafiadas a participar do “Change the Game” ontem (20), e já sabem os projetos que pretendem fazer para disputaram o patrocínio do Google. Agora é a vez delas dominaram a área da tecnologia e programação de jogos.

As alunas, que tem entre 16 e 18 anos, são muito criativas. Elas abriram a mente e botaram a “cachola” para funcionar. “Quero trazer o público feminino no jogo e o título será ‘Woman’. Retrataria nossa história, desde o surgimento até agora”, conta Pamela Eduarda Camargo.

Aos 17 anos, ela está no curso de Técnica em Eletrônica e conta que sempre teve gosto pela programação. “Já cheguei a programar pequenos jogos como o ‘Recicla Ball’, que ensina a reciclar por meio do boliche”, diz. Pamela se interessa pela área desde os cinco anos de idade, quando assistiu uma palestra na Paraíba sobre jogos RPG.

A adolescente, Julia Perondi também segue a mesma ideia. “Incluir a força feminina, porque mesmo tendo mais falas, sinto que nos jogos só tem heróis, e toda vez que aparece uma menina guerreira ela surge com roupas curtas, e não é necessariamente isso. Elas são muito generalizadas e acho que mudar tudo isso é bom”, afirma.

Julia Perondi tem 16 anos e quer criar jogo que a mulher seja mais valorizada (Foto: Alana Portela)Julia Perondi tem 16 anos e quer criar jogo que a mulher seja mais valorizada (Foto: Alana Portela)
Mariana Victoria de Brito é outra que pretende somar na representatividade (Foto: Alana Portela)Mariana Victoria de Brito é outra que pretende somar na representatividade (Foto: Alana Portela)
As estudantes assistiram a palestra sobre o desafio (Foto: Alana Portela)As estudantes assistiram a palestra sobre o desafio (Foto: Alana Portela)

Julia tem 16 anos e estuda Engenharia Mecânica. Sempre teve afinidade na área de exatas, mas para ela, criar uma programação será desafiador. “Tive dúvida em qual carreira escolher, então decidi testar tudo. Fiquei muito em dúvida, gosto muito de jogos, porém nunca achei que a informática fosse pra mim. Meu professor incentivou”.

Mariana Victoria de Brito é outra que pretende somar na representatividade. “Gosto de programação, jogos, desenho, pintura e animações. Fiz startup e TCC [Trabalho de Conclusão de Curso] na área. Aqui temos impressora 3D que ajuda a criar as animações. Tenho três ideias e todas voltadas as mulheres”.

Ela tem 18 anos, está no curso de Informática e revela que sentiu na pele o machismo numa entrevista de emprego. “Falaram que o trabalho era para homem. É mais difícil para mulher do que para o homem conseguir as coisas”.

A palestra espaireceu as ideias da  estudante, Mariana Pompeo. Aos 17 anos, ela está no curso de Eletrônica e já pensa no que pode fazer para participar do desafio. “De jogo ainda não tenho noção, mas abri minha mente. Vou seguir na área de Engenharia Elétrica, pois o ramo da tecnologia está crescendo muito, é o futuro”, destaca.

Já Giulia Delarissa pretende elaborar um projeto para dar visibilidade ao público LGBT. “Fazer algum jogo com essa temática, pois, apesar de ser um assunto muito debatido, ainda precisa de visibilidade. Isso já foi um projeto de pesquisa meu, por isso tenho uma base tranquila para fazer o jogo”, relata.

Aos 16 anos, Giulia está no curso de Informática e conta que sempre gostou de trabalhar com pesquisas. Antes, ela estudava em um colégio particular, mas sentiu-se pressionada com a cobrança do vestibular e decidiu ingressar no IFMS. “Entrei num projeto que une língua portuguesa com animação no Nuar [Núcleo de Animação e Roteiro]. Tive oportunidade de ter contato com animações e jogos”.

Foi um dia inteiro de palestra com a pedagoga Glaucia Fullana. Ela trabalha para a Softex, e faz a operação do Projeto Change The Game do Google Play. Veio de Brasília para convidar as meninas de 15 a 21 anos a participar do desafio. "É uma iniciativa para reduzir a desigualdade de gênero na indústria da tecnologia. Atualmente, 59% dos jogadores de games são mulheres, mas só 13% são candidatas na carreira de desenvolvedor.

As meninas participaram de atividades, tiraram dúvidas e aprenderam sobre a importância do trabalho em equipe. Agora, elas têm até o dia 30 deste mês para se inscrever no desafio. 

Giulia Delarissa pretende elaborar um projeto para dar visibilidade ao público LGBT (Foto: Alana Portela)Giulia Delarissa pretende elaborar um projeto para dar visibilidade ao público LGBT (Foto: Alana Portela)
As meninas estavam atentas as explicações (Foto: Alana Portela)As meninas estavam atentas as explicações (Foto: Alana Portela)

Desafio – O evento é do Google Play e para participar não é necessário ter conhecimento em programação, basta ter a idade estipulada, estar matriculada na escola e pensar em uma ideia de jogo.

Serão duas ganhadoras que irão a São Paulo – SP e passarão 5 dias com uma das maiores empresas desenvolvedoras de jogos do Brasil para aprender o processo de desenvolvimento de um game para celular, onde suas ideias darão origem a dois jogos que serão publicados no Google Play.

As ganhadoras e outras 500 selecionadas mais bem avaliadas também terão acesso a 16 cursos online (144 horas de conteúdo) sobre desenvolvimento de jogos e introdução a programação.

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(Foto: Alana Portela)(Foto: Alana Portela)
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