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Comportamento

Millennials ironizam modinhas, mas anos 2000 tiveram virais sem sentido

Fusca azul, Antônio Nunes e havaiana de pau provam que a geração Y também amava memes aleatórios

Por Clayton Neves | 27/05/2026 07:56
Millennials ironizam modinhas, mas anos 2000 tiveram virais sem sentido
Planking foi viral completamente sem sentido nos anos 2000. (Foto: Texas Back Institute)

Muitos millennials adoram zoar os memes aleatórios da geração Alpha, como o “six seven”, o passinho do Jamal, os vídeos sem contexto e as trends absurdas do TikTok. Mas basta puxar um pouco da memória para perceber que quem cresceu nos anos 2000 também viveu uma era dominada por manias completamente sem sentido, que se tornavam virais e rendiam muitas risadas.

Hoje, o “six seven” virou febre entre adolescentes justamente pelo humor bobo. Pessoas repetem a frase, fazem gestos específicos com as mãos e entram na brincadeira sem precisar de explicação lógica. Quanto mais sem sentido, melhor.

Só que nós, os millennials, também éramos especialistas nisso. Na época do Orkut, do MSN e dos primeiros vídeos virais do YouTube, qualquer frase aleatória podia virar fenômeno nacional.

Um exemplo clássico foi o “Antônio Nunes”, meme repetido exaustivamente nas rodas de amigos e na internet, muitas vezes sem ninguém nem lembrar de onde surgiu exatamente. A graça era repetir até perder completamente o sentido.

Outra mania que marcou uma geração foi o famoso “Fusca azul”. Quem visse um Fusca azul primeiro podia dar um soco no amigo mais próximo. Isso fazia qualquer passeio de carro em estado de alerta permanente. Muitos adolescentes cresceram olhando para os lados ao ouvir alguém gritar “Fusca azul!”.

Também teve o caos coletivo do Harlem Shake. Os vídeos começavam normalmente, com uma pessoa dançando sozinha. Quando a música “explodia”, aparecia um grupo inteiro fantasiado fazendo movimentos completamente aleatórios. Escolas, empresas e grupos de amigos aderiram à moda.

O Planking foi a brincadeira que consistia em tirar fotos deitado, completamente reto e imóvel, em lugares inusitados como bancos, muros, carrinhos de supermercado e até locais perigosos. Quanto mais aleatório o lugar, melhor.

Na época do Orkut e do Facebook, os rage comics dominaram a internet. Eram memes feitos com desenhos simples e expressões exageradas, como “Forever Alone”, usado para piadas sobre solidão, e “Troll Face”, símbolo das pegadinhas online. Os memes eram mal editados, feitos no Paint, mas viravam febre nacional.

Teve ainda a era do bigode no dedo, quando desenhar um bigode no dedo indicador e tirar foto perto da boca virou tendência nas redes sociais. Parecia criativo na época, mas hoje, muita gente olha as fotos antigas com vergonha.

A banda Restart também virou fenômeno comportamental. As calças coloridas usadas pelos integrantes influenciaram milhares de adolescentes, que passaram a se vestir da mesma forma para ir à escola, festas e encontros.

Já o meme “Luiza que está no Canadá” nasceu após um comercial em que um pai apresentava a família inteira e dizia que só a filha Luiza estava ausente porque estava no Canadá. A frase virou piada nacional justamente por parecer uma informação totalmente desnecessária.

Outro clássico foi o vídeo “Para nossa alegria”, em que uma família cantava música gospel de maneira exageradamente animada. O jeito espontâneo dos participantes transformou o vídeo em um dos maiores virais brasileiros da época.

Teve ainda a febre do “Havaiana de pau”, inspirada em um dos primeiros vídeos de humor que viralizaram no YouTube. Alguém perguntava se a pessoa conhecia ou queria ver a tal “Havaiana de pau” e, quando a vítima caía na pegadinha, levava uma chinelada. Era simples, sem lógica e fazia sucesso entre adolescentes.

No futebol, poucas expressões ficaram tão marcantes quanto “Pedala, Robinho!”. O bordão nasceu após o jogador Robinho aplicar várias pedaladas seguidas em cima do zagueiro Rogério, durante um jogo do Santos em 2002. A narração virou meme e a cena passou anos sendo repetida em vídeos, imitações e partidas de futebol entre amigos.

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