Caída na BR-163, arara-canindé ganha ajuda de casal e volta a voar
Resgate em Campo Grande repercutiu nas redes e gerou alerta sobre fauna silvestre
RESUMO
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A cena que muitos motoristas temem encontrar nas estradas de Mato Grosso do Sul apareceu diante de um casal que seguia por uma rodovia em Campo Grande no último sábado (12). Uma arara-canindé, uma das aves mais emblemáticas do Pantanal, estava caída próxima à pista, aparentemente desorientada após ser atingida por um veículo.
Temendo que ela fosse atropelada novamente, a influenciadora Gabriella Conde e o marido pararam o carro e retiraram o animal da área de risco. O momento foi registrado em vídeo e compartilhado nas redes sociais, onde rapidamente chamou atenção de milhares de pessoas.
"Um carro parou na nossa frente com o alerta ligado e meu marido viu na hora que era uma arara. Ele não pensou duas vezes e já pegou ela. Nossa intenção era levar para o Cras", contou Gabriella ao Campo Grande News.
Segundo ela, a ave estava bastante abatida quando foi colocada no veículo.
"Ela estava bem tonta, ficou quietinha no meu colo. A gente acreditava que pudesse ter sido atingida por uma carreta ou algum outro veículo. Ficamos preocupados porque ela estava no meio da rodovia", relatou.
Durante o trajeto, porém, a situação começou a mudar. A arara voltou a reagir, abriu as asas e demonstrou estar recuperando os movimentos.
"Ela acordou e começou a abrir as asas. Tivemos que descer ela do carro para não se machucar. Quando tentamos pegar novamente, ela já estava bem e avançou. Colocamos ela mais para dentro da vegetação e ela logo voou", disse.
A decisão de soltar a ave gerou dúvidas entre seguidores, que questionaram se o correto não seria encaminhá-la para atendimento especializado.
Para esclarecer a situação, a reportagem conversou com a bióloga Larissa Tinoco, doutora em Meio Ambiente e Desenvolvimento Regional e pesquisadora do Instituto Arara Azul. Segundo ela, o primeiro passo em situações semelhantes é retirar o animal da área de risco e buscar orientação.
"O ideal é tirar o animal da rodovia, ligar e pedir orientação. Caso não consiga, pode levar até o primeiro posto da Polícia Rodoviária Federal. Se estiver perto da cidade e for possível, também pode encaminhar ao Cras", explicou.
A especialista afirma que, no caso registrado em Campo Grande, a decisão tomada pelo casal foi adequada diante da recuperação apresentada pela ave.
"Eles perceberam que ela estava melhorando e retomando a capacidade de voo. Neste caso, a soltura foi correta. Mas nem todo mundo consegue fazer essa avaliação. Por isso, sempre que houver dúvida, o ideal é buscar orientação especializada", afirmou.
Larissa explica que sinais como sangramentos, ferimentos aparentes ou suspeita de fraturas indicam a necessidade de resgate e encaminhamento para atendimento.
Ela também lembra que existe uma confusão frequente sobre a atuação dos órgãos ambientais. Embora o Cras (Centro de Reabilitação de Animais Silvestres) seja o local que recebe os animais, a PMA (Polícia Militar Ambiental) normalmente faz o recolhimento.
"O Cras não faz recolhimento. Quem realiza esse trabalho é a PMA. O Cras recebe os animais para atendimento. Nós, do Instituto Arara Azul, também podemos orientar e ajudar a analisar a situação para indicar qual é o melhor procedimento", explicou.
A recomendação mais importante, segundo a pesquisadora, é que o animal jamais seja levado para casa.
"O que não pode ser feito de jeito nenhum é levar um animal silvestre para casa. Em caso de dúvida, a orientação é procurar os órgãos responsáveis ou pedir orientação especializada", reforçou.
Criada em fazenda e acostumada ao contato com a fauna sul-mato-grossense, Gabriella afirma que ajudar foi uma reação instintiva.
"Minha família sempre ensinou a cuidar e amar os animais. Acho que quem cresce em Mato Grosso do Sul aprende desde cedo a respeitar esses bichinhos. Quando vimos a arara naquela situação, não pensamos duas vezes em parar", afirmou.
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