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Campo Grande, Domingo, 19 de Maio de 2019

05/04/2019 08:38

Na cidade com fama de mal-humorada, simpatia de João conquistou a vizinhança

Toques leves de buzinas e gritos de “Oi seu João”, pela janela aberta, também são comuns a cada minuto.

Kimberly Teodoro
Toques leves de buzinas e gritos de “Oi seu João”, pela janela pela janela aberta também são comuns a cada minuto. (Foto: Kísie Ainoã)Toques leves de buzinas e gritos de “Oi seu João”, pela janela pela janela aberta também são comuns a cada minuto. (Foto: Kísie Ainoã)

A experiência de anos na área de segurança faz de João uma pessoa atenta, enquanto conta a própria história, o olhar inquieto percorre a todo instante a rua Paraná, esquina com a São Jorge, interrompendo o relato vez ou outra para observar um carro diferente parando na rua e até questionar os desconhecidos “perdidos” pelo Bairro Jardim dos Estados. Mas ele ficou mesmo conhecido na ruazinha de apenas 2 quadras por conta da simpatia. Não tem pessoa que passe pelo local sem ganhar um aceno e um sorriso.

Carioca, João veio do Rio de Janeiro para Campo Grande em 2004 para ficar perto da família e trabalhar em uma empresa de segurança. Chegou sem a intenção de ficar e hoje conta que a cidade, principalmente, a tal esquina no Jardim dos Estados, fazem parte da própria história e que não tem planos de se aposentar, imagina chegar ao fim dos dias aqui.

Morador do Noroeste, bairro que viu nascer e aumentar nos últimos anos, o preconceito em torno do local e o estigma de morar perto de um presídio incomodam João. “Foi um dos primeiros lugares que eu pisei aqui. Era bem remoto, aquelas ruas de terra, ainda é sem asfalto, mas você acredita se eu te contar que é comum ver pessoas que eu conheço, aqui do Carandá Bosque, tomando café na padaria de lá? É um lugar bom de se morar, ao contrário do que muita gente diz”, afirma.

Quem busca pelo endereço no google maps, encontra João parado em seu posto (Foto: Reprodução Google Street View)Quem busca pelo endereço no google maps, encontra João parado em seu posto (Foto: Reprodução Google Street View)

Vigilante treinado com curso de segurança pessoal, ele tem autorização para portar uma arma durante o expediente, mas fala do assunto com cautela. “As pessoas falam muito do perigo que as armas representam para as crianças, mas tem certos adultos que ficam fascinados com a arma. Quando eles atirarem, vão dar desculpas: matei por acidente, ou ele veio para cima de mim. Se o cara que já está preparado, age sob pressão, imagina quem não está”.

No trabalho, o uso da inteligência é muito mais requisitado que a força, diz, mas no caso de João, o que chama atenção é a sensibilidade. “Já aconteceu de usuários de drogas passarem por aqui muito alterados, mas você sabe que droga é um problema de saúde pública, então o meu trabalho é conversar com essa pessoa e fazer o possível para que ela se acalme e só em último caso, chamar a polícia”, relata, reforçando que não é papel dele ou de qualquer cidadão fazer justiça com as próprias mãos.

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Sempre de bom humor, foi pela simpatia que João conquistou a vizinhança (Foto: Kísie Ainoã)Sempre de bom humor, foi pela simpatia que João conquistou a vizinhança (Foto: Kísie Ainoã)


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