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Comportamento

Na Tamandaré, bares dividem espaço com clima de roça na selaria do Sebastião

Bairro cresce com universidade, comércio e novos empreendimentos com chácaras, áreas verdes e tranquilidade

Por Inara Silva | 14/06/2026 08:00
Na Tamandaré, bares dividem espaço com clima de roça na selaria do Sebastião
Avenida Tamandaré no Jardim Seminário, em Campo Grande (Foto: Paulo Francis)

Unindo características urbanas e rurais, o Jardim Seminário construiu uma identidade própria em Campo Grande. O bairro cresceu, ganhou asfalto, universidade, comércio e novos prédios residenciais, mas preservou características que ainda fazem os moradores se sentirem longe da correria da cidade.

RESUMO

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O Jardim Seminário, bairro localizado na região norte de Campo Grande, combina características urbanas e rurais, sendo reconhecido por moradores como um dos mais tranquilos da capital. Com a presença da UCDB como marco de desenvolvimento, o bairro cresceu em infraestrutura e comércio, mas preservou áreas arborizadas, hortas e pequenas chácaras. Moradores destacam segurança, sossego e boa oferta de serviços como principais atrativos do local.

Localizado na região norte da Capital, próximo à UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), o Jardim Seminário é apontado por quem vive na região como um dos bairros mais tranquilos da cidade. A poucos minutos do Centro, reúne facilidades urbanas e elementos típicos do interior, como pequenas chácaras, hortas, áreas em comodato e uma rotina marcada pelo sossego.

A principal artéria da região é a Avenida Tamandaré. Além de concentrar o fluxo de veículos e o transporte coletivo, a via abriga parte importante da vida econômica e social do bairro. Em poucos quilômetros, convivem diversas opções de lazer, como choperias, lanchonetes, conveniências e bares frequentados principalmente por universitários. No entanto, nessa mesma avenida está localizada uma tradicional selaria artesanal, tocada há décadas por Sebastião.

Apesar do movimento intenso da avenida, basta entrar em algumas ruas transversais para encontrar uma realidade diferente, marcada pela baixa circulação de veículos, áreas arborizadas e uma atmosfera que lembra o campo.

Na Tamandaré, bares dividem espaço com clima de roça na selaria do Sebastião
O aposentado Onofre Damasceno, de 66 anos, sempre morou na região (Foto: Paulo Francis)

Origem - A história da região está diretamente ligada à Igreja Católica, a começar pelo nome do bairro. Segundo o aposentado Onofre Damasceno, de 66 anos, a área pertencia à Diocese de Campo Grande antes de ser loteada.

Filho de um funcionário da Igreja, Onofre acompanhou todas as transformações da região. Ele lembra que a chegada do asfalto e da UCDB impulsionou o desenvolvimento do bairro, atraindo moradores e novos investimentos. Mesmo assim, acredita que a essência do lugar permanece preservada.

A relação com o campo faz parte da rotina do morador que, após mais de quatro décadas trabalhando em emissoras de rádio, hoje dedica parte do tempo aos cuidados com uma horta da região. A rotina começa cedo, entre irrigação, manutenção dos canteiros e observação das plantas.

"É um bairro tranquilo para viver. Dá para respirar ar puro. Acho que é um dos mais tranquilos de Campo Grande", afirma ele.

No terreno onde mora e ajuda a cuidar de uma horta orgânica, cultivada sem o uso de agrotóxicos, Onofre conta que a proximidade com uma área de reserva faz com que diferentes espécies silvestres apareçam com frequência. Entre os visitantes estão quatis, aves e até jiboias. Segundo ele, os animais convivem de forma harmoniosa com quem trabalha no local.

"Tem quati, tem jiboia, tem muito animal por aqui. Eles aparecem porque tem a reserva. Mas não é perigoso. A jiboia mesmo não tem veneno", afirma.

As raízes religiosas do bairro também permanecem visíveis na paisagem urbana. Muitas ruas carregam nomes ligados à tradição católica, reforçando a origem histórica da região,  entre elas estão as ruas São Simão, Santo Aleixo e Santo Antão.

Na Tamandaré, bares dividem espaço com clima de roça na selaria do Sebastião
Avenida Tamandaré concentra comércio e tráfego intenso de veículos (Foto: Paulo Francis)

Diversão e sossego - Natural de Alto Taquari (MT), o doutorando em Educação Wallace José de Lima, de 32 anos, chegou a Campo Grande em 2019 para estudar História. Depois de concluir a graduação e o mestrado, decidiu permanecer na região.

Para ele, a segurança e a praticidade são os principais diferenciais do Jardim Seminário.

"Nunca tive problema de assalto ou alguma situação de insegurança. Tem mercado, açougue e conveniências perto. Para mim, é um bom bairro, por isso escolho continuar morando aqui", relata.

Wallace também destaca que, embora seja conhecido pela tranquilidade, o bairro oferece opções de lazer para diferentes perfis.

"Quando quero sair, tem conveniência, choperia e os bares universitários próximos da UCDB. Para mim, não falta opção de diversão", diz.

O servidor público Leomar Pretti, de 52 anos, conta que a expansão da universidade ajudou a impulsionar o crescimento da região. Segundo ele, os estudantes movimentaram o mercado imobiliário, especialmente o de aluguel de casas e apartamentos próximos ao campus. Quando Leomar chegou à região, muitas ruas ainda eram de terra e a infraestrutura era limitada.

"Hoje melhorou bastante. O bairro é acolhedor, pacífico e muito mais estruturado", afirma.

Segundo ele, o principal atrativo continua sendo o equilíbrio entre natureza e comodidade.

“É um lugar para quem gosta de sossego e harmonia com a natureza. Você tem uma sensação de área rural, mas com toda a infraestrutura da cidade.”

Para Leomar, a movimentação da Avenida Tamandaré não afeta a tranquilidade de sua família, a não ser pela alta velocidade dos carros que circulam por lá. Para ele, se há algo a melhorar, seria a instalação de controladores de velocidade na via.

Na Tamandaré, bares dividem espaço com clima de roça na selaria do Sebastião
Sebastião Inácio de Andrade, de 73 anos, mantém uma selaria no bairro (Foto: Paulo Francis)

Tradições que permanecem - Enquanto novos empreendimentos surgem na região, algumas atividades tradicionais continuam fazendo parte da paisagem local. É o caso da selaria onde trabalha Sebastião Inácio de Andrade, de 73 anos. O artesão aprendeu o ofício com o pai e hoje ajuda a manter viva uma tradição passada entre gerações.

Ele diz que já perdeu a conta de quantos anos mora no Jardim Seminário. Conta que viu o movimento aumentar e novas construções ocuparem espaços antes vazios.

"Quando cheguei, muitas dessas casas não existiam. Hoje cresceu bastante", lembra.

Apesar das mudanças, Sebastião acredita que o bairro conservou aquilo que considera mais valioso.

"A melhor coisa daqui é a tranquilidade. É bem sossegado. E tem tudo perto: mercado, posto de saúde, comércio. É muito bom viver aqui."

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Confira a galeria de imagens:

  • (Foto: Paulo Francis)
  • Moradia rural em meio a área arborizada. (Foto: Paulo Francis)
  • Residências em frente à chácara. (Foto: Paulo Francis)
  • Campo Grande News
  • Onofre Damasceno cuida de sua horta orgânica. (Foto: Paulo Francis)
  • Servidor público Leomar Pretti, de 52 anos, adora morar no bairro. (Foto: Paulo Francis)
  • Rua São Simão abriga moradias urbanas e área de comodato (Foto: Paulo Francis)
  • Da selaria, senhor Sebastião acompanha o desenvolvimento do bairro. (Foto: Paulo Francis)
  • Sebastião Inácio de Andrade, de 73 anos. (Foto: Paulo Francis)
  • Movimento de veículos e comércio na Avenida Tamandaré (Foto: Paulo Francis)
  • Estudante de doutorado, Wallace José de Lima, mudou-se para a região por conta da universidade. (Foto: Paulo Francis)
  • Criação de residências marcam expansão imobiliária no Jardim Seminário. (Foto: Paulo Francis)