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Campo Grande, Sexta-feira, 21 de Setembro de 2018

12/06/2018 08:20

Namoro de Nathalia e Henrique só deu certo quando se abriu, mas com regras

No Dia dos Namorados eles provam que o certo é o que funciona melhor pra eles, independente do que a sociedade pensa ou julga

Thaís Pimenta
São quase dois anos de relacionamento entre descobertas e encaixes perfeitos entre Nathalia e Henrique, (foto: Vaca Azul)São quase dois anos de relacionamento entre descobertas e encaixes perfeitos entre Nathalia e Henrique, (foto: Vaca Azul)

A estudante de Psicologia Nathalia Dias e o artista Henrique Lucas namoram desde o primeiro dia em que ficaram juntos, em 2 de novembro de 2016. A conexão instantânea se deu pela atração e pela necessidade em comum de se descobrirem juntos, mas livremente, sem o peso que muitas vezes a tal "monogamia" traz para um relacionamento. O casal gosta da intimidade construída a dois, mas prefere negar a hipocrisia ao assumirem os desejos que podem vir a sentir por pessoas de fora do relacionamento. 

Mas essa forma de amor, não aconteceu para quebrar tabus, foi por necessidade. Depois que ambos terminaram longos relacionamentos, que não deram certo justamente pelos padrões que os casais e a sociedade impunham, precisaram se reinventar. ''Estávamos na mesma brisa, ambos querendo se descobrir mais e experimentar uma relação aberta. De começo foi aberto, depois fechamos, depois fomos nos ajustando até chegar onde estamos'', diz Nathalia.

Henrique diz que logo no começo optou pela sinceridade, coisa rara nas relações atuais. ''A gente se acompanhava virtualmente e no nosso primeiro encontro disse só podia me relacionar se fosse pra ser livre e ela disse o mesmo. Estávamos sintonizados, não só nesse sentido mas também na nossa sexualidade já que nós dois somos bissexuais e pansexuais''.

E pra quem pensa que não passa de bagunça ou libertinagem, eles explicam: ''Pra dar certo precisa de regras. Pra mim, nosso relacionamento está numa fase aberta, com combinados já firmados e outros em processo, porque a construção é contínua'', completa ela.

Ele concorda. ''Fomos entendendo o que cada um precisava e queria, então fechamos. Mas sempre nos esforçando pra dar liberdade ao outro pra ser e sentir o que quisesse em relação às outras pessoas. E agora estamos assim, um relacionamento que é aberto porque a gente fica com outras pessoas, mas sempre levando o outro em consideração, pensando no respeito e na responsabilidade afetiva''.

Atualmente o casal descobriu que o sentimento precisa de fidelidade. Henrique, chamado carinhosamente de ''Ne'', por Nath, se declara: ''é apenas nela que quero investir a vida, o amor, o meu 'pra sempre' sabe? Outras pessoas podem entrar no nosso relacionamento, sair, passar por nós, mas é ela que quero do meu lado todos os dias''.

O namoro começou aberto, foi fechado e hoje segue se reinventando na promessa da fidelidade do amor. (Foto: Acervo Pessoal)O namoro começou aberto, foi fechado e hoje segue se reinventando na promessa da fidelidade do amor. (Foto: Acervo Pessoal)

Os dois tem noção que não é fácil encontrar alguém que esteja disposto a viver o amor como eles e, por isso, concluem que ganharam na loteria por terem os mesmos desejos. ''Não sei se achava possível encontrar essa pessoa. Acho que é bem difícil encontrar alguém que pense ou sinta assim, desaprender como amor o outro garantindo todas as suas liberdades. Mas sinceramente, relacionamentos são sempre difíceis, afinal aprendemos a amar baseados na posse, no controle sobre o outro, na garantia de que só pode se atrair pelo parceiro ou parceira. Mas essa não é a realidade, acredito ser ignorância não se olhar e ver que existe e sempre vai existir a atração, o interesse, em outras pessoas fora da relação. Porém também acredito que não é todo mundo que precisa se propor a isso, pode entender e não querer, pode compreender mas não querer vivenciar'', conclui Ne.

Para Nath, não é porque deu certo pra eles que vai dar para outros casais e é aquilo: o que funciona pra um pode não funcionar pro outro. ''Não acho que todo mundo sente assim e nem que todo relacionamento tem que ser aberto. Outra coisa, nem que todo relacionamento aberto é igual, pelo contrário, é tudo muito singular e único em cada relacionamento, não tem receita certa a seguir, a não ser a da transparência e se aprofundar naquilo que escolhermos ter pra fluir legal''.

Foi sorte, foi pensamento e energia que atraiu os dois, ao menos para ela. ''Escolhemos viver o nosso amor do jeitinho que achamos que é mais saudável pra nós. Acho que o que sustenta é a escolha, é saber que a pessoa que tá contigo escolheu estar ali, dá uma segurança e ao mesmo tempo quebra a ideia de posse e é mais gostoso sentir um amor recebido assim, por escolha.

O amor continua aceso depois de dois carnavais. (Foto: Acervo Pessoal)O amor continua aceso depois de dois carnavais. (Foto: Acervo Pessoal)
Viagens e planos são feitos sempre juntos. (Foto: Acervo Pessoal)Viagens e planos são feitos sempre juntos. (Foto: Acervo Pessoal)

Mais uma vez negando a hipocrisia, eles afirmam que sim, eles sentem ciúmes um do outro, mas náo ''é porque a gente sente que é normal''. ''No meu relacionamento passado havia ciúmes, no nosso relacionamento existe ciúmes, porque infelizmente esse sentimento meio que é colocado na gente desde sempre, em varias situações, não só namoros. Acho que trabalhar no ciúmes constantemente pra que ele tenha cada vez menos peso pra nós é algo que sempre vai estar caminhando junto da nossa relação. Não tem que doer, não tem que prender, não somos donos. A posse só gera um monte de consequências negativas, uma delas o ciúme'', diz Nath.

E para o casal, a graça está justamente na desconstrução. ''Eu sinto ciumes, vacilo por causa desse sentimento também, mas amar é isso: entender aquilo que a gente faz e gera consequências negativas no outro e tentar minimizar isso, levar a consciência e sair do automático sabe? A parte mais difícil sempre vai ser reconhecer, se arrepender, mudar, como em qualquer relação. Ou seja, o ciumes existe, mas o importante é o que fazer com ele, dar voz e deixar ele gritar ou levar pra dentro, refletir se isso é projecão de alguma dúvida ou insegurança, e tentar não levar adiante''.

Pra quem vê de fora, o namoro gera curiosidade e espanto. Independente disso, Henrique e Nathalia pretendem continuar firme com o relacionamento que já ultrapassou dois carnavais na base da conversa e da sinceridade consigo e com o outro, provando que, na verdade, a monogamia é que tem muito a aprender com o amor livre dessa juventude.

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Pansexual é só mais um nome diferente pra mais uma forma de libertinagem...
 
Mariana Carvalho em 12/06/2018 17:24:33
Mas que diacho é um PANsekissual? Mais essa agora...
 
Maria_Joana em 12/06/2018 12:17:49
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