Nem depressão nem burnout: saiba que é o congelamento funcional
Psicólogo explica o novo termo que vem ganhando atenção nas redes sociais

Você sabe o que é congelamento funcional? O termo tem ganhado as redes com relatos de jovens que, por mais que queiram fazer coisas no dia a dia, se sentem paralisados até em tarefas simples. As histórias confundem pela semelhança entre os sintomas com doenças psicológicas como a depressão e até o burnout. Para entender o assunto e explicar a diferença entre as coisas, o Lado B trouxe o psicólogo Wagner Dias Massaranduba.
RESUMO
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Primeiro, é preciso entender que, muito além da depressão, há estados emocionais que surgem em meio à rotina acelerada e à pressão constante. Em certos momentos, o corpo parece não responder a tarefas banais, como enviar uma mensagem ou sair da cama. Segundo o psicólogo, é como se mente e corpo entrassem em modo de espera e travassem diante da sobrecarga.
Ele explica que o congelamento funcional é uma reação automática do organismo diante de situações de estresse. Assim como a conhecida resposta de "luta ou fuga", ele faz parte do sistema de defesa do corpo, mas, em vez de reagir ou escapar, a pessoa entra em um estado de paralisia física e mental. Isso geralmente acontece quando ela se sente sobrecarregada, sem alternativas ou sem repertório para lidar com uma situação.
"O corpo entra num estado de paralisia comportamental e cognitiva. Essa condição não pode ser comparada à depressão, pois esta envolve humor deprimido persistente, perda de prazer, alterações de sono, apetite, desesperança, apatia e outros. O congelamento funcional pode aparecer dentro da depressão, através da inibição comportamental, mas também ocorre em situações que envolvam ansiedade intensa, transtorno do estresse pós-traumático e sobrecarga emocional."
Wagner pontua que o congelamento pode ser um sintoma em diferentes quadros, mas não é um diagnóstico em si. É um estado de paralisia psicológica e comportamental, em que a pessoa sente que não consegue agir, decidir ou se movimentar diante de uma situação de estresse.
Quem passa por isso costuma descrever a sensação de estar “fora do ar”, com dificuldade para tomar decisões simples, bloqueios em tarefas cotidianas e até um peso no corpo que impede a ação. Para Wagner, compreender que esse travamento não é sinal de fraqueza é essencial para lidar com o problema.
"É como se o corpo e a mente dissessem: 'se eu não fizer nada, talvez o perigo passe'. É importante que a pessoa entenda que é uma resposta automática, não uma fraqueza ou insuficiência. Estratégias que envolvam a percepção dos sentidos podem ajudar, como tocar uma superfície, alteração de temperatura, ouvir uma música com atenção, mastigar algo que tenha um sabor intenso. Dividir tarefas em passos menores também traz a sensação de quebrar grandes demandas em ações micro. Práticas de atenção plena, como o mindfulness, podem ajudar."
Outro equívoco comum é associar o congelamento ao burnout. A diferença é que o burnout é uma síndrome relacionada ao estresse crônico no trabalho, marcada por esgotamento emocional e queda de desempenho, enquanto o congelamento pode surgir em qualquer contexto, como uma reação imediata ao estresse. O congelamento é um mecanismo de defesa, que se manifesta como paralisia.
O psicólogo reforça que buscar ajuda profissional é fundamental, e identificar o que está acontecendo é o primeiro passo. O acompanhamento psicológico ajuda a entender os gatilhos e a desenvolver estratégias para atravessar esses momentos.
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