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Comportamento

Para quem vive isolado, ajuda chega pelos rios como um abraço

Amigos criam campanha para alcançar as populações vulneráveis do interior do Cerrado e do Pantanal.

Por Thailla Torres | 19/05/2020 06:57
Famílias ribeirinhas do Pantanal recebem ajuda durante pandemia. (Foto: Luciano Justiniano)
Famílias ribeirinhas do Pantanal recebem ajuda durante pandemia. (Foto: Luciano Justiniano)

Isolados – muito antes da pandemia, famílias ribeirinhas na região do Pantanal agora vivem uma espécie de isolamento social cheio de incertezas. Para eles, as coisas estão mais difíceis com a falta de assistência e a enchente que se aproxima. Por isso, uma campanha formada por amigos e instituições de Mato Grosso do Sul leva cesta básica para famílias isoladas, e o alimento chega às regiões também como afeto para quem vive distante.

No último fim de semana, 120 famílias receberam cestas básicas do projeto Comitiva Esperança, com nome inspirado na música de Almir Sater, que nasceu de uma conversa entre amigos e agora se consolidou como projeto de várias instituições regionais e até nacionais, com objetivo alcançar as populações vulneráveis do interior do Cerrado e do Pantanal.

“Vimos que tem várias comunidades que não estão sendo assistidas, não tem acesso a informação e vivem numa situação crítica”, explica a empresária Beatriz Branco, dona da Angí Chocolates e uma das criadoras da iniciativa.

A enchente que se aproxima nessas regiões faz com que as pessoas fiquem mais isoladas. Algumas famílias não têm motor de barco. Se alguém precisa ir na cidade tem que subir o rio remando. Em condições normais já é difícil, imagine com o rio enchendo, com a correnteza forte. Por isso, o projeto se fez necessário.

Amigos e Instituições estão juntos para ajudar centenas de famílias isoladas. (Foto: Luciano Justiniano)
Amigos e Instituições estão juntos para ajudar centenas de famílias isoladas. (Foto: Luciano Justiniano)

Segundo os voluntários, o desabafo de ribeirinhos é que “a situação é desesperadora” e “o auxilio emergencial, que muitos tentaram, foi negado”.

Além da preocupação com a comida, faltam também produtos de limpeza, de higiene pessoal e informações de combate ao vírus. “Máscaras e kits de higiene pessoal não estão sendo doados pelas políticas assistenciais, isso é algo que vai ser muito importante na medida que o turismo em breve deve retornar as atividades e eles vão ter contato muito direto com pessoas vindas de lugares de onde já foi decretado o lockdown”, diz o diretor presidente da ONG Ecologia e Ação, André Siqueira, que também é voluntário no projeto.

A preocupação se multiplica quando, através de uma pesquisa rápida na região, é possível notar o grande número de hipertensos e diabéticos em meio a essas populações. Por isso, a Comitiva Esperança tem como estratégia estar em contato direto com essas comunidades para identificar quais são as principais carências e contribuir. Além da arrecadação de fundos através do site oficial, a campanha também busca parceria com marcas interessadas em ajudar.

A entrega do último fim de semana foi coordenada pela presidente do Instituto de Pesquisa da Diversidade Intercultural, a pesquisadora Denise Silva. “São em momentos como esses que a gente se dá conta do tamanho dos nossos privilégios. Por mais que a gente conheça a situação de vulnerabilidade dessas comunidades, estar in-loco nos toca profundamente”, relata a pesquisadora. E acrescenta. “Posso arriscar a dizer que a visibilidade da campanha chamará atenção dos órgãos públicos e também dará às comunidades o sentimento que não estão sozinhos, que tem gente lutando por eles, que tudo isso vai passar e que vai ficar tudo bem!”, torce.

Você também pode ajudar na campanha fazendo uma doação (clique aqui), sendo voluntário (a) (clique aqui) e compartilhando a iniciativa nas redes sociais. Outras informações pelo Instagram @comitiva.esperanca.

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Assistência chega de barco até as comunidades. (Foto: Luciano Justiniano)
Assistência chega de barco até as comunidades. (Foto: Luciano Justiniano)