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Comportamento

Personagem folclórico do Centro, Sabiá agora tem banca de doces

Com ajuda de comerciantes e amigos, Sabiá montou uma pequena banca de doces na Rua Barão do Rio Branco

Por Lucas Mamédio | 01/08/2020 07:34
Waldir foi quem ajudou Sabiá a montar a mesa com os doces (Foto: Paulo Francis)
Waldir foi quem ajudou Sabiá a montar a mesa com os doces (Foto: Paulo Francis)

Chegamos à Rua Barão do Rio Branco, no Centro de Campo Grande, em frente à ótica Itamaraty, bem no meio da manhã. Ali uma mesa está posta no meio do famoso “calçadão da Barão”, forrado com uma toalha azul e vários doces em cima.

Ao fundo da mesa, para quem olha da rua, está uma das figuras mais conhecidas e icônicas do Centro da cidade, o famoso e inconfundível Sabiá.

A mesa com doces é a mais nova empreitada do agora “microempreendedor”, que com apelido de pássaro, tenta alçar voos maiores para conseguir ganhar dinheiro e se sustentar.

Gelásio também ajuda Sabiá a cuidar da banca (Foto: Paulo Francis)
Gelásio também ajuda Sabiá a cuidar da banca (Foto: Paulo Francis)

Assim como quase tudo que acontece na vida de Sabiá, teve alguém por trás que o auxiliou. Esse alguém é o cuidador de motos Waldir Mesa, de 46 anos, que viralizou nas redes sociais ao tirar uma foto com Sabiá e dizer que quem não compra os doces dele, corre o risco de ser xingado.

“Ele sempre aparecia com uns doces na mão aqui pela rua pra vender. Aí faz umas duas semanas que arrumei essa pequena estrutura pra ele e ajudei a comprar mais alguns doces. Agora ele tem sua própria “banca” de doces”, explica Waldir.

Perguntamos ao Sabiá como estava o movimento. Com seu mau humor folclórico e característico, reclama: “Tá muito ruim, tá muito ruim, credo”.

É possível fazer a doação direto na caixinha (Foto: Paulo Francis)
É possível fazer a doação direto na caixinha (Foto: Paulo Francis)

Os preços dos doces foram estabelecidos por Waldir. Tem balas, chicletes, geleias, paçoca, de tudo um pouco. Para quem não quiser fazer a transação direto com Sabiá, que tem dificuldade compreensível em lidar com troco e afins, ao lado da mesa, no chão, foi colocada uma caixa com o preço de balas e chicletes, e a frase ajude o Sabiá!”. Nesse recipiente o transeunte pode colocar as moedas direto na caixa e escolher o doce que quiser.

“Todo o dinheiro nós usamos pra ele. Pra comprar mais doce, pra comprar comida, remédio, tudo que precisa usar dinheiro”, explica o guardador de carro.

Quem também é um velho amigo de Sabiá, mais de 20 anos de história, é Gelásio Lani, dono da ótima Itamaraty, onde Sabiá está. É Gelásio quem cuida dos horários dos remédios dele, que viabiliza as refeições, e que inclusive guarda todos os pertences do amigo no espaço debaixo de uma escada.

“Nós estamos tentando trazer ele pra morar no Centro, num quartinho, porque muitas vezes ele dorme na rua ou em lugares em que não sabemos”, diz o empresário.

Sabiá fica das 9h às 17h no local (Foto: Paulo Francis)
Sabiá fica das 9h às 17h no local (Foto: Paulo Francis)

Ele também conta que Sabiá tem mudado alguns hábitos nocivos a sua saúde, como beber todos os dias e comer comidas pouco nutritivas e em horário errados. “Se deixar ele faz um monte de coisa que prejudica ele mesmo, por isso tem muita gente aqui no Centro que está se preocupando e tentando ajudar”.

Não disse, mas logo quando chegamos, comprei uma geleia de duas cores de Sabiá. Dei uma nota de 10 reais. Recebo quatro reais de troco, então suponho que a geleia custe seis. Já na saída pergunto quanto custava o doce para Waldir. Ele disse que custava quatro. Meus dois reais ficaram pela pauta. Valeu Sabiá, te devo essa.

Gelácio guarda os pertences de Sabiá em sua ótica (Foto: Paulo Francis)
Gelácio guarda os pertences de Sabiá em sua ótica (Foto: Paulo Francis)

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