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Comportamento

Tsuru fez Lígia sair da Capital, viajar o mundo e encontrar amor em NY

Os pássaros de papel a fizeram embarcar numa jornada pela paz e a guiaram até EUA, onde realiza o sonho de construir uma família

Por Alana Portela | 13/07/2020 06:46
Lígia Oizumi segurando um tsuru que fez. (Foto: Arquivo pessoal)
Lígia Oizumi segurando um tsuru que fez. (Foto: Arquivo pessoal)

Os tsurus transformaram a vida de Lígia Oizumi num verdadeiro conto de fadas. A administradora saiu de Campo Grande para conhecer o mundo em sua missão pela paz e nas viagens, foi guiada pelos pássaros de papel até Nova Iorque, onde encontrou o amor e hoje realiza o sonho de construir uma família.

“Saí do Brasil em 2017, com destino ao Japão, pois tinha feito uma campanha de 72 mil tsurus em homenagem às vítimas das bombas Hiroshima e Nagasaki. O objetivo era ir até Okinawa para estudar a filosofia de vida japonesa ‘Ikigai’, que fala sobre longevidade, felicidade e propósito de vida. Viajei todo Japão fazendo palestras e incentivei as crianças das escolas brasileiras a fazerem os tsurus”, conta.

Lígia é uma figura conhecida na Capital e foi personagem em outras matérias, como da vez que lançou o desafio de produzir um origami em dez minutos sem reclamar da vida e quando levou uma revoada de 21 mil tsurus de Mato Grosso do Sul para o recomeço do time Chapecoense, em 2017.

Lígia fez os tsurus com os monginhos, em Nepal. (Foto: Arquivo pessoal)
Lígia fez os tsurus com os monginhos, em Nepal. (Foto: Arquivo pessoal)

Os tsurus são pássaros de papel e existe uma simbologia por traz de cada dobradura. Lígia aprendeu a fazê-los quando tinha dez anos, através da internet. “Sempre soube do significado da longevidade e saúde. Gostava de presentear os amigos com os tsurus”.

As produções têm o propósito de levar esperança àqueles que precisam de conforto em momentos difíceis. Além do significado para quem recebe o presente, os tsurus também são mágicos para quem faz, e a cada mil pássaros de papel, proporciona o direito a um desejo.

O origami passou a fazer parte da vida de Lígia e até ajudou a superar alguns obstáculos. “Há mais de dez anos tive depressão e o projeto terminou de curar os resquícios dela”, lembra. Em Campo Grande, trabalhou no Sebrae por sete anos até que resolveu ouvir um “chamado”, dos tsurus em 2017.

Na primeira foto, Lígia está vestida de noiva, segurando um buquê de flores ao lado do marido Alex Oliveira e na segunda foto, a felicidade aumenta com Luka na barriga. (Foto: Arquivo pessoal)
Na primeira foto, Lígia está vestida de noiva, segurando um buquê de flores ao lado do marido Alex Oliveira e na segunda foto, a felicidade aumenta com Luka na barriga. (Foto: Arquivo pessoal)

O amor - No final de 2017, Lígia viu um chamado da ONU (Organização das Nações Unidas), convidando os jovens que tivessem projetos sociais para participar de uma conferência em fevereiro de 2018, em Nova Iorque. “Me inscrevi e fui aprovada. Fiquei feliz porque era um sonho, pois já atuava com negócios de impactos sociais e era um evento importante”.

“Conhecer Nova Iorque era outro sonho, mas meus planos ainda não eram vir para os Estados Unidos. A ideia era viajar para Inglaterra, onde ficaria seis meses porque queria estudar inglês”, recorda. No entanto, o evento na ONU para mostrar o trabalho com os tsurus a fez mudar a trajetória.

Já estava tudo planejado, mas antes de ir para Nova Iorque, Lígia usou as redes sociais e pediu ajuda de moradores para a conhecer a cidade. “Meu irmão sugeriu fazer um post no Facebook. Publiquei e de repente, uma pessoa que tinha assistido minha palestra num asilo do Japão, me enviou mensagem”.

Alex ajoelhado com as mãos na barriga da esposa. (Foto: Arquivo pessoal)
Alex ajoelhado com as mãos na barriga da esposa. (Foto: Arquivo pessoal)

Na conversa, a pessoa falou sobre um amigo brasileiro, chamado Alex Olveira, que é lutador e mora em Nova Iorque e talvez, pudesse ajudá-la durante sua estadia no local.

“Queria dicas de lugares seguros e conhecer a cidade. Me passou o contato do Alex e fiquei conversando com ele de janeiro a fevereiro”. Apesar do contato frequente, ela não imaginava que a viagem a faria conhecer o amor de sua vida e realizar sonhos.

No dia 10 de fevereiro, Lígia desembarcou em Nova Iorque e se encontrou com Alex. Foi amor à primeira vista e eles passaram horas conversando. “Depois, fomos jantar e assistimos uma comédia na Times Square. Na hora de ir embora, ele me beijou em frente à escada vermelha”, lembra.

Ali a magia começou e transformou a vida de Lígia num verdadeiro conto de fadas. Ela se dividiu entre o trabalho com os tsurus e o romance. “Foi intenso, um mês depois meu visto venceu e precisei voltar para o Japão. Mas, antes Alex me pediu em namoro. Viajei com uma aliança no dedo, encantada e sofrendo por ter que deixar o país”.

Missão - No Japão ficou por mais dois meses, onde estudou a filosofia Ikigai em Okinawa e aprendeu mais sobre a cultura japonesa. Em maio, conseguiu permissão para voltar a Nova Iorque e pode se reencontrar com Alex. O namoro fluiu e em julho daquele mesmo ano, os dois se casaram.

Lígia levou os tsurus para o paciente de um hospital na Palestina. (Foto: Arquivo pessoal)
Lígia levou os tsurus para o paciente de um hospital na Palestina. (Foto: Arquivo pessoal)

Mesmo casada, ela continuou com a missão junto aos pássaros e foi para o Nepal onde fez mais dois mil tsurus para os monges e levou a revoada até o Japão. “Entreguei os tsurus ao Monumento da Paz em Hiroshima, com pedidos de paz para às crianças do mundo todo”.

Lígia segurando os tsurus em Hiroshima, no Japão(Foto: Aquivo pessoal)
Lígia segurando os tsurus em Hiroshima, no Japão(Foto: Aquivo pessoal)

A rotina foi corrida e de um lado para o outro, os pássaros de papel fizeram Lígia voar em busca de sua jornada. Em dezembro do ano passado, descobriu que a família estava prestes a aumentar. “O Luka está na minha barriga, já são sete meses de gestação e em setembro ele está chegando”, comemora.

Olhando tudo o que conquistou nos últimos anos, Lígia acredita que tem vivido a consequência das coisas boas que fez através dos tsurus, talvez um presente dos próprios pássaros. “Quando decidi seguir a voz do meu coração, minha vida se transformou completamente. Realizei mais sonhos em três anos do que em 33 não tinha realizado e me sentia incompleta”.

Hoje aos 36 anos, ela está feliz e até terminou de escrever o primeiro livro “Felicidade na Prática”, que mostra o que acontece quando seguimos a voz do coração e fala de alguns ensinamentos que a autora aprendeu no Japão, Nepal, Estados Unidos e Brasil.

A barriga de grávida já está aparecendo, e a mamãe e o papai estão cuidando de todos os preparativos para a chegada do pequeno Luka. Como foram os tsurus que deram início a tudo, as lembrancinhas de maternidade serão feitas com os pássaros de papel.

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Lígia e o marido Alex realizam o sonho de construir uma família, com a chegada de Luka, visto ainda por ultrassom. (Foto: Arquivo pessoal)
Lígia e o marido Alex realizam o sonho de construir uma família, com a chegada de Luka, visto ainda por ultrassom. (Foto: Arquivo pessoal)


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