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Campo Grande, Domingo, 23 de Setembro de 2018

18/07/2017 06:05

Um ano depois, Gabriel diz não às expectativas, "ressuscita" e reaprende a viver

Thailla Torres
Gabriel levantou quando os médicos disseram que seu caso seria irreversível. (Foto: Thailla Torres)Gabriel levantou quando os médicos disseram que seu caso seria irreversível. (Foto: Thailla Torres)

A história de Gabriel Nunzio ainda é inexplicável para a literatura médica, mas para a família, é um ''milagre''. O recomeço de uma vida foi após o jovem resistir a quatro paradas cardíacas, voltar de 54 dias em coma e levantar quando os médicos disseram que seu caso seria irreversível.

A última vez que o Lado B esteve com Gabriel, os pais José Carlos e Paula estavam reaprendendo a cuidar do filho dentro de casa. Ele teve alta após o coma, mas foi embora sem os movimentos, sem falar e se alimentando por sonda. Os pais ouviram que o filho nunca mais voltaria ao normal.

A boa notícia? Dessa vez quem abre a porta é Gabriel. O abraço apertado é um convite de quem está curioso pela entrevista e o sorriso demonstra tamanha vontade de viver.

Gabriel ao lado da família, torcendo pelo time preferido. (Foto: Arquivo Pessoal)Gabriel ao lado da família, torcendo pelo time preferido. (Foto: Arquivo Pessoal)

Ainda com dificuldades para falar, as palavras saem com calma, mas todas dentro do contexto. Gabriel entende tudo o que é perguntado, mas dificilmente consegue relacionar um assunto com sua história de vida. Uma das sequelas foi a perda da memória, principalmente, sobre o passado.

"Ele não se recorda do que aconteceu com ele. A gente já contou tudo, repetimos o assunto, mas ele não se lembra", começa Paula Nunzio, mãe de Gabriel.

Era 12 de julho de 2016 quando Gabriel, acadêmico de Química, deu entrada no Hospital Universitário em coma profundo. Ele fazia uso de medicamento para emagrecer e manter a concentração nas atividades há pelos menos dois anos.

Da jornada do coma, ele não se lembra de nada, mas a faculdade, o time preferido e até a passagem de Deus, fez ele voltar convencido de que esses detalhes sempre existiram em sua vida. "Eu vi Deus nos meus sonhos", diz Gabriel. Em seguida exibe o casaco do Grêmio todo sorridente. "É o melhor time do mundo, campeão, ganhou de 3 a 0", conta.

Ele também não esqueceu a faculdade, lembra do curso de química e diz à mãe, todos os dias, sobre a vontade de ir à aula. "Tenho que voltar a estudar", afirma.

Assim como estudo e a lembrança de Deus, Paula acredita que alguns detalhes foram marcantes na vida do filho. "Não sei exatamente porque ele só se recorda disso, mas acho que deve ter marcado a vida dele. Por isso, esses dias, eu o levei até a UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), o professor o deixou ficar em sala e ele se comportou perfeitamente. Assistiu toda a aula", conta a mãe. 

Aos poucos também está decorando o nome e a idade. "Meu nome é Gabriel, tenho 80 anos", sorri. A mãe em seguida, pacientemente, corrige a idade. "Não querido, você tem 20", afirma Paula.

Por isso os cuidados são minuciosos. "É assim mesmo, ele esquece, mas a gente continua estimulando para que ele se identifique", diz.

Gabriel também está com perda de memória recente, o que faz surgir uma nova pergunta a cada instante. "As vezes ele olha e pergunta se a enfermeira é a irmã ou quem são os amigos. Se estamos conversando sobre um assunto, ele interage perfeitamente, mas em pouco tempo não se lembra de nada", conta a mãe.

Mas a cada dia vem surpreendendo e, com a evolução nas atividades físicas, Gabriel já está independente na hora do banho e da alimentação. Caminha sem ajuda de aparelhos e passou pelo processo de retirada da traqueostomia. No entanto, ainda precisa de acompanhamento. "Ele está tomando anticonvulsivo e a dose é alta. Então está o tempo todo conosco em qualquer atividade, porque os médicos dizem que ele não pode em momento algum convulsionar".

Mas apesar dos cuidados, Paula não abre mão de estimular o filho de todas as maneiras. "Eu ouvi que meu filho ia vegetar, mas eu nunca acreditei nisso. É claro que a gente precisa crer na Medicina, mas antes de tudo eu tenho fé e nunca quis esquecer o que ele já foi, por isso a gente insiste nas atividades e foi o que mais deu resultado". 

Em menos de um ano, Gabriel disse não à toda expectativa. "Olha o jeito que ele está, isso pra mim é uma vitória. É um lutador, deseja estar cada vez mais independente e sinto que ainda vai evoluir muito. Eu acredito", diz a mãe.

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