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Comportamento

Vivendo em MS, ator de A Viagem lamenta ficar fora do remake

Breno Moroni fala sobre a ausência no longa, o carinho dos fãs e seu trabalho em Lídia Baís

Por Natália Olliver | 18/06/2026 08:17
Vivendo em MS, ator de A Viagem lamenta ficar fora do remake
Personagem do mascarado não estará no filme inspirado na novela "A viagem" (Foto: Reprodução Globo)

"Eu não fiquei magoado, mas achei ruim cortar o Mascarado da trama. Todos os dias eu escuto e leio mensagens perguntando: ‘Cadê o Mascarado? Por que ele não está no filme?’ Eu acho que o Adonay faz parte da novela”.

RESUMO

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O ator Breno Moroni, de 72 anos, lamenta a ausência do Mascarado na adaptação cinematográfica de A Viagem, prevista para estrear entre 2027 e 2028. O personagem Adonay, vivido por ele na novela de 1994, é considerado o mais popular de sua carreira. Enquanto isso, o ator participou do filme Lídia Baís, produção sul-mato-grossense ao lado de Ney Matogrosso, e celebra o bom momento do audiovisual no estado.

É assim que o ator Breno Moroni, de 72 anos, resume a relação com o personagem que mudou o rumo da carreira em 1994. Morando em Campo Grande, o carioca lamentou que o icônico Mascarado não estará na adaptação cinematográfica de A Viagem, prevista para estrear nos cinemas entre o fim de 2027 e o início de 2028. Ao Lado B, ele relembra como foi dar vida a ele na novela e como anda a carreira por aqui.

O ator acredita que o Mascarado deixou uma marca difícil de apagar. “É o personagem mais popular que eu já fiz. Diariamente alguém comenta comigo sobre ele. Falam do Mascarado, do Adonay, fizeram até camiseta com o Mascarado. O carinho das pessoas é muito grande.”

A notícia de que a novela ganharia um filme deixou quem assistiu nos anos 90 com curiosidade sobre o elenco e o que os diretores conseguiriam colocar em um longa-metragem. Não demorou para que a ausência do Mascarado fosse questionada nas redes sociais, assim como o enredo, diferente da novela.

Vivendo em MS, ator de A Viagem lamenta ficar fora do remake
Vivendo em MS, ator de A Viagem lamenta ficar fora do remake
Breno viveu personagem "o mascarado" em 1994 (Foto: Vaca Azul e Reprodução Globo)

Apesar da ausência nas telonas, Breno garante que pretende assistir ao longa na estreia. “Vou estar lá na primeira fila com o saquinho de pipoca”, brinca. Para ele, transformar a novela em filme é uma estratégia inteligente. “Todo mundo que viu a novela vai querer ver o filme. É uma produção que já nasce com garantia de espectadores.”

Na versão mais famosa da novela, exibida pela TV Globo em 1994, Adonay, mais conhecido como Mascarado, se tornou uma das figuras mais misteriosas da trama escrita por Ivani Ribeiro. O personagem “falava sem palavras”, sempre escondido atrás da máscara peculiar. Ele circulava pelas ruas distribuindo flores, fazendo brincadeiras com crianças e despertando a curiosidade do público. O segredo só foi revelado nos capítulos finais.

Adonay escondia o rosto após sofrer um acidente que o deixou desfigurado e carregava uma história ligada ao passado de uma das personagens, Carmem. O mistério transformou Adonay em um dos personagens mais lembrados.

Para Breno, o papel foi especial porque permitiu usar habilidades acumuladas ao longo de décadas de estudo. “Eu pude aplicar técnicas que estudei a vida inteira. Mímica, pantomima, dança, circo, expressão corporal. Na televisão isso raramente acontece. Normalmente é muito diálogo, mas o Adonay me permitiu usar tudo aquilo que aprendi.”

O ator lembra que, se fosse convidado para reviver o personagem hoje, faria diferente. “Talvez eu já não tenha as habilidades acrobáticas daquela época, mas acredito que minha comunicação corporal seria ainda melhor. Depois da novela, trabalhei durante anos com atores surdos e aprendi muito sobre expressão e linguagem do corpo.”

Embora ainda mantenha a essência da obra original, a versão para o cinema precisará reduzir uma história que ocupou meses de exibição na televisão. Ao assistir ao trailer, Breno percebeu que a narrativa está mais concentrada no núcleo principal.

Vivendo em MS, ator de A Viagem lamenta ficar fora do remake
Ópera do Malandro, em 1985 - Rio de Janeiro (Foto: Arquivo pessoal)

“Eles ficaram mais focados na questão do Alexandre, do crime, do pecado, do umbral, do paraíso. Não dá para colocar tudo em um filme de pouco mais de uma hora. Uma novela de oito meses precisa ser enxugada.”

O longa terá nomes como Carolina Dieckmann, Rodrigo Lombardi e Pedro Novaes no elenco e promete revisitar os temas espirituais que transformaram A Viagem em um dos maiores sucessos da teledramaturgia brasileira.

Enquanto o Mascarado ficou de fora de A Viagem, Breno estava envolvido em outro projeto, o filme Lídia Baís, produção inspirada na vida da artista sul-mato-grossense. Na história, Breno interpreta Henrique Bernardelli, mestre de pintura da artista. Quem também faz parte do elenco é o cantor Ney Matogrosso.

“Eu também não poderia fazer o filme de A Viagem porque estava gravando Lídia Baís”, comenta. Para construir o personagem, mergulhou em pesquisas sobre arte, história e costumes do início do século 20.

“Foi maravilhoso. O cinema permite isso. Eu pesquisei músicas da época, como as pessoas falavam nos anos 1920 e 1930, estudei a Revolução de 1930. É uma verdadeira máquina do tempo.”

As filmagens foram concluídas recentemente e, segundo o ator, a experiência reforça o bom momento vivido pelo audiovisual no Estado.

Vivendo em MS, ator de A Viagem lamenta ficar fora do remake
Teatro medieval "kabooble" - Europa, em 1978 e 1979 (Foto: Arquivo pessoal)

“Estamos vivendo uma fase muito boa. Temos vários longas sendo produzidos, filmes participando de festivais nacionais e internacionais. É muito estimulante fazer parte disso.”

Além de Lídia Baís, Breno também participou de produções como Filhos do Litoral Central, Não Me Lembro, Vipushovuko, Olhos Fechados e do documentário VEMO-1.

Carreira

Natural de Petrópolis (RJ), no Rio de Janeiro, Breno Moroni se formou em teatro ainda nos anos 1970 e construiu uma trajetória marcada pela busca constante por novas linguagens artísticas. Durante a ditadura militar, deixou o Brasil e passou anos estudando no exterior. Aprendeu mímica, pantomima, técnicas circenses, dança, música e interpretação física. Trabalhou em diferentes países, participou de produções na Inglaterra, em Cuba e até no Quênia.

Na televisão, acumulou passagens por emissoras como Globo, Manchete, Bandeirantes, TV Educativa e TV Rio. Apesar da extensa carreira, nenhum trabalho alcançou o reconhecimento conquistado pelo Mascarado. “Fiz televisão no Brasil e fora dele, mas o Mascarado é, sem dúvida, o personagem mais popular da minha carreira.”

Aos 72 anos, continua aprendendo, pesquisando e se reinventando. E, mesmo sem estar no novo filme de A Viagem, sabe que o público dificilmente esquecerá o homem que, sem dizer uma única palavra, marcou uma geração inteira.

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