No canteiro de obras, livros começam a disputar espaço com o celular
Biblioteca incentiva trabalhadores a trocar o tempo nas redes pela leitura

No intervalo do almoço, bastava olhar ao redor para perceber a cena mais comum: colegas de trabalho com o celular nas mãos, passando o tempo entre vídeos e notícias. Apaixonada por livros, a técnica de Segurança do Trabalho Priscila Ribeiro decidiu fazer um teste diferente. Levou alguns exemplares para o canteiro de obras onde trabalha e deixou que quem quisesse pudesse ler.
A iniciativa deu tão certo que acabou inspirando a implantação da Biblioteca Viva, ação do Projeto Raízes, desenvolvido pela Plaenge para incentivar a leitura entre colaboradores dos canteiros de obras.
"Eu sempre gostei de ler e tenho o hábito de aproveitar o horário de almoço para isso. Comecei a observar que muitos colaboradores passavam esse tempo apenas vendo notícias ou vídeos nas redes sociais. Pensei que os livros poderiam oferecer algo diferente, que acrescentasse conhecimento e proporcionasse um momento de reflexão", destaca Priscila.
Hoje, os livros ficam disponíveis em uma estante instalada dentro da obra e fazem parte da rotina de trabalhadores que passaram a trocar parte do tempo livre pelas páginas.
Priscila conta que o retorno veio antes do esperado. "O mais gratificante é ouvir os relatos dos colaboradores. Já teve colega que dizia nunca ter gostado de ler e hoje não consegue mais ficar sem um livro. Ele comentou que a leitura trouxe mais segurança, melhorou a comunicação no trabalho e até o relacionamento com a família."

Entre eles está o laboratorista industrial Augusto Gonzaga dos Santos, que já tinha o hábito de ler a Bíblia, mas encontrou na Biblioteca Viva uma oportunidade para ampliar os conhecimentos.
"Eu sempre gostei de ler, principalmente a Bíblia. Com a Biblioteca Viva, passei a ter acesso a muitos outros livros, que ampliaram meu conhecimento sobre comportamento, convivência e diferentes aspectos da vida."
Uma das leituras marcou especialmente a trajetória dele.
"O livro Uma Vida com Propósito, de Rick Warren, me trouxe muitos ensinamentos. No trabalho, aprendi sobre perseverança e superação dos desafios. Na vida pessoal, passei a refletir melhor antes de tomar decisões e a enfrentar os momentos difíceis com mais equilíbrio."
Hoje, terminar um livro significa começar outro. "Sempre que termino um livro, começo outro. Ler faz a gente pensar, refletir e aprender. É algo que contribui tanto para a vida profissional quanto para a convivência com a família."
Segundo Augusto, o impacto vai além do ambiente de trabalho. "Ela proporciona bem-estar durante os intervalos, incentiva a educação continuada e fortalece os vínculos familiares. Quando levamos esse hábito para casa, toda a família acaba sendo impactada."
A analista de Responsabilidade Social da Plaenge e integrante do Projeto Raízes, Valéria Borges, explica que a Biblioteca Viva surgiu justamente para aproximar os trabalhadores dos livros.
"A iniciativa surgiu como um desdobramento do Projeto Raízes para ampliar o cuidado com as pessoas por meio de ações que promovem desenvolvimento humano e acesso à cultura. Percebemos que muitos colaboradores possuem uma rotina intensa e poucas oportunidades de contato com a leitura. Por isso, levamos os livros diretamente ao canteiro de obras, incentivando esse hábito de forma inclusiva e acolhedora."
Segundo ela, o objetivo nunca foi apenas disponibilizar exemplares. "Nosso principal propósito é oferecer oportunidades de lazer, aprendizado e desenvolvimento pessoal dentro do próprio ambiente de trabalho. Queremos mostrar que a leitura pode fazer parte da rotina de qualquer pessoa."
Para facilitar o acesso, o acervo reúne desde gibis e revistas até livros de desenvolvimento pessoal e literatura, renovados a cada três semanas em parceria com a Gibiteca. "A Biblioteca Viva quebra uma das principais barreiras, que é o acesso. Os livros estão disponíveis no próprio local de trabalho e o acervo é renovado a cada três semanas, em parceria com a Gibiteca, mantendo o interesse dos colaboradores e oferecendo novas descobertas a cada visita."
Além do canteiro de obras, a leitura também passou a fazer parte da rotina de muitas famílias. "Quando um colaborador leva um livro para casa, ele se torna um multiplicador de conhecimento. A leitura desperta a curiosidade das crianças, fortalece os vínculos familiares e amplia o alcance social da iniciativa."
Priscila percebe essa mudança diariamente. "É muito bonito perceber que o projeto mudou a rotina de algumas pessoas. Hoje, elas comentam sobre os livros, indicam leituras umas às outras e levam esse hábito para dentro de casa."
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