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Campo Grande, Domingo, 24 de Junho de 2018

16/05/2018 21:36

Alunos são escravos de marcas em performance sobre o consumismo

Adriano Fernandes
Roupas de marcas vestiam os escravos do consumismo, durante o manifesto no Shopping Campo Grande. (Foto: Reprodução Facebook) Roupas de "marcas" vestiam os escravos do consumismo, durante o manifesto no Shopping Campo Grande. (Foto: Reprodução Facebook)

Performance de alunos do curso de Artes Visuais da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) gerou burburinho por onde passou nesta quarta-feira (16). Seja nas ruas do Centro, ou pouco antes de serem “convidados a sair” do Shopping Campo Grande, treze alunos traziam no semblante a submissão, como roupas de marcas famosas acusadas de usar mão de obra em condições análogas à escravidão.

A performance “Consumo humano” é resultado da disciplina Poéticas Contemporâneas do curso, e fazia uma crítica contundente ao consumismo nosso de cada, por meio da provocação. E conseguiu.

Vestidos com sacolas de indústrias como Apple, M.Officer e C&A, os alunos falavam de decadência e tristeza no vislumbre dos preços e vitrines. Do sentimento de dependência que clientes alimentam pelo consumo, explica o grupo.

Pelo shopping, o trabalho durou cerca de dez minutos, antes de chamar a atenção, não só dos clientes, mas também da equipe de segurança. Mas a abordagem, até certo ponto esperada pelos atores, também fazia parte da proposta.

Aluno dá vida a zumbi olhando as vitrines. (Foto: Reprodução/Facebook) Aluno dá vida a "zumbi" olhando as vitrines. (Foto: Reprodução/Facebook)
Alunos sendo escoltados por segurança durante a performance, no shopping. (Foto: Reprodução Facebook) Alunos sendo escoltados por segurança durante a performance, no shopping. (Foto: Reprodução Facebook)

“É necessário compreender que a performance é um gênero artístico e ela envolve um conceito, uma ideia, e através dessa ideia materializada, pretende causar um certo estranhamento em um ambiente e nas pessoas”, comenta o professor Paulo Duarte Paes, responsável pelo trabalho dos alunos.

“É um gênero que pressupõe o inesperado, caso precisasse de uma autorização para acontecer, não seria arte”, acrescenta Paulo. Com a permanência negada no shopping, os alunos seguiram para o Centro.

Depois do Shopping, a Afonso Pena, Rui Barbosa, 14 de Julho e Barão do Rio Branco, dentre outros cruzamentos foram palco dos estudantes.

 

Alunos por cruzamento da Afonso Pena, no Centro. (Foto: Reprodução Facebook) Alunos por cruzamento da Afonso Pena, no Centro. (Foto: Reprodução Facebook)

A primeira reação de quem passava, segundo o professor era de espanto, mas o resultado saiu como o esperado. “Algumas pessoas acharam até que era propaganda ao ver eles vestidos com as marcas, mas a maioria delas conseguia captar essa nossa crítica ao consumismo”, comemora.

Paulo conta que o trabalho foi resultado de cerca de dois meses de pesquisa dos alunos do 7º semestre, voltados especificamente à escritores da arte da performance. Inédito até hoje, o trabalho ainda pode ser apresentado pelos estudantes no Festival de Inverno de Bonito, deste ano. 

Além de professor há dez anos na universidade, Paulo também é coordenador do curso de Artes Visuais da UFMS.



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