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Consumo

Famoso pelo hot dog na Mato Grosso, Elcio foi parar em aplicativo

Ele se atualizou para não perder a clientela, mas comenta que sente falta de ter o contato com o freguês e ver sua satisfação

Por Alana Portela | 25/04/2020 07:49
Elcio Goncalves Domingues vende cachorro-quente há 29 anos. (Foto: Nádia Ayumi/ Comer em CG)
Elcio Goncalves Domingues vende cachorro-quente há 29 anos. (Foto: Nádia Ayumi/ Comer em CG)

Vendendo cachorro-quente na rua desde 1991, Elcio Goncalves Domingues fez o “Dogão da Mato Grosso” parar no Ifood após os clientes se isolarem em casa, por conta do coronavírus. Para não perder a freguesia conquistada durante décadas, ele resolveu se atualizar e entrar no aplicativo de comida.

“Começamos no dia 17 de abril. Aderimos ao aplicativo nesse período de isolamento social para que não ficássemos parados. Foi esse o meio que achamos para continuar com essa tradição”, diz.

Ele já foi pauta no Lado B em 2016, quando contou a história que o fez encarar o carrinho de hot dog pela primeira vez. Na época, seu negócio tinha 25 anos no mesmo ponto, onde viu o trem e a faculdade passar. “Fico em frente ao colégio Dom Bosco, onde agora faz 29 anos de tradição”.

Um cachorro-quente no capricho saindo (Foto: Arquivo/Alcides Neto)
Um cachorro-quente no capricho saindo (Foto: Arquivo/Alcides Neto)

Foi no Centro de Campo Grande que Elcio deu seus primeiros passos como empreendedor e viu muitas coisas acontecerem. No começo, o negócio não tinha nome e era conhecido na região por “Dogão”, “Tio do Dogão”, a clientela foi sendo conquistada aos poucos.

O trailer é simples e o cardápio enxuto, o que além de o diferenciar de muitos locais é o que também faz Elcio ser tão procurado. De fácil acesso e rápido atendimento, ele procura atender as pessoas sempre com um sorriso no rosto e bom humor.

“Gosto do que eu faço. Muitas pessoas menosprezam essa atividade. Mas, eu gosto de ser simples em tudo e agradar quem quer que seja, dentro do possível, claro”, destaca.

Desde a última reportagem, o carro-chefe ainda é o Dogão, um cachorro-quente grande, com pão, duas salsichas, milho, batata frita e molho. “Nosso cardápio é simples, é com gosto tradicional sem muito exagero”.

Nesses anos vendendo hot dog, Elcio fez vários clientes se tornarem amigos. “Às vezes eles vinham nas horas vagas para conversamos, mas devido ao isolamento hoje em dia, as amizades foram se distanciando também. Mas, tenho um grande amigo que me auxilia quando preciso, que é o Neto. Ele vende lanche no antigo estacionamento do colégio. A gente se ajuda”.

O atendimento acontece durante a semana e o carrinho sempre esteve cheio, mas após a epidemia se espalhar na Capital, a situação mudou. Não que ele não esteja se virando com o delivery, apesar de estar se reinventando, ainda assim Elcio prefere ter o contato com o cliente.

“O atendimento presencial é o que fideliza o cliente, na simpatia e na atenção. Já no aplicativo é diferente, sabemos quem está pedindo, mas não temos esse contato visual para poder confirmar a sua satisfação”, explica. “Sempre gostei desse atendimento cara a cara e, na minha opinião, o olhar para o cliente faz a diferença. Às vezes, mesmo sem ele falar nada, dá para saber se gosta ou não de alguns ingredientes”.

Apesar de sentir saudade de olhar para os olhos dos fregueses e desejar um bom dia, boa tarde ou boa noite, ele compreende o momento que a cidade está passando. “Sinto falta, porém, estamos tomando todos os cuidados por conta desse cenário que estamos vivendo”.

Por enquanto, o atendimento pelo IFood acontece apenas nos fins de semana e os pedidos podem ser feitos quando estiver a oito quilômetros de distância do trailer. Isso porque o aplicativo limitou o alcance do Dogão. “Estamos analisando ainda a reação dos nossos clientes”, diz. Por ali, ele também conta com a ajuda da família para manter o negócio funcionando. “Meus filhos me ajudam, às vezes”.

Questionado sobre qual o segredo para o negócio estar funcionando há quase 30 anos, ele destaca. “É o atendimento, carisma. Busco sempre satisfazer o cliente, alguns não gostam de milho daí coloco mais batata e assim vou agradando. Também tem um molho de tomate caseiro que eu e minha esposa Catia fazemos há um bom tempo”.

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